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O MOÇO ESTRANHO

Em uma de suas viagens pelo mundo da fantasia, Pedro Pedra conheceu um garoto chamado Fernandinho. Logo se tornaram amigos e saíram viajando de cidade em cidade atrás de aventuras. Depois de muito andarem chegaram a uma vila de casas brancas e janelas pintadas de vermelho. Pedro Pedra disse:
- Amigo Fernandinho, esta vila parece muito feliz. Veja as pessoas. Elas são sorridentes, estão caminhando juntas conversando alegremente.
- É verdade, Pedro.
E lá se foram os dois andando pela vila olhando tudo até que viram um velhinho e foram logo chamando e perguntando:
- Senhor, por que esta cidade parece tão feliz?
O velhinho respondeu que nem sempre foi assim. Antes as pessoas não gostavam de trabalhar, as crianças não estudavam, passavam o dia nas ruas fazendo brincadeiras tolas, eram muito pobres e tudo estava desabando. Os telhados das casas, as janelas e as portas, os jardins eram descuidados cobertos de plantas murchas. Ninguém tinha ânimo para fazer nada e a pobreza foi se instalando pela vila até que surgiu aquele moço estranho.
- Estranho por quê? - perguntou Fernandinho.
- É que ele apareceu do nada. - disse o velhinho. - Fizemos uma reunião para saber mais sobre aquele rapaz. Perguntamos seu nome, e ele respondeu que o nome não tem importância, as ações sim. Perguntamos de onde ele vinha e ele disse que vinha de todos os lugares. Sobre a sua família e ele afirmou ter a maior família do universo e que seu pai era um rei. Alguém perguntou ao moço se ele tinha casa na cidade, a resposta foi não, mas ele gostaria de morar no galpão que fica atrás da casa de D. Marieta, a professora.
Dona Marieta, que estava presente, indagou:
- Meu jovem, como sabe meu nome se eu não lhe disse?
- Eu sei muitas coisas. A senhora é triste porque é viúva e seus filhos partiram para outros países, mas eu lhe digo que a senhora tem muitos filhos nesta cidade. Volte a ensinar as crianças para que elas saiam das ruas.
Pedro Pedra, que já havia encontrado uma boa pedra para sentar e ouvir a história pediu ao velhinho que falasse mais sobre o moço estranho.
   - A professora deixou o moço estranho morar no galpão?  - quis saber Fernandinho.
- Sim. Naquele mesmo dia, à tardinha, ele foi conversar com D. Marieta sobre o galpão. Ela explicou ao moço que o galpão era velho, com buracos nas paredes, que tinha muitas goteiras e não servia para moradia por isso ofereceu-lhe um quarto em sua casa. O moço disse que não se preocupasse, pois ele daria um jeito. Sentado no sofá da sala ele reparou no piano da professora. Ela não tocava fazia muitos anos. O piano estava desafinado. Pedindo licença à professora ele retirou a capa do piano e começou a afiná-lo.
A professora, acomodada em sua cadeira de balanço, ouvia emocionada as notas da melodia que ela tocava para seus filhos. Como o rapaz desconhecido sabia sobre aquela música? Enquanto os dedos do desconhecido voavam sobre o teclado, D. Marieta deixava cair lágrimas de saudade do passado que não volta.
 No dia seguinte, com o material disponível no quintal da casa de D. Marieta, o moço começou o conserto e em poucos dias o galpão estava uma beleza. Depois do trabalho concluído, o moço estranho partiu para incentivar os moradores da vila a reformarem suas casas e exímio carpinteiro como ele era ajudava a todos.  Ele consertava os brinquedos das crianças e os que eram rejeitados ele os recolhia e os guardava no galpão. A cidade foi mudando e meses depois era outra.  As casas estavam lindas, pintadas de branco com janelas vermelhas, os jardins maravilhosos voltaram a florescer, os campos verdejantes produzindo alimentos e a professora, alegre e feliz, voltou a ensinar as crianças da vila. O moço estranho continuava na sua missão de orientar mostrando ao povo que o trabalho enobrece o homem e o conhecimento o liberta das trevas.
- E como vocês o chamavam? - quis saber Pedro Pedra.
- Chamavam-no simplesmente de Moço.
- Ele ficou muito tempo por aqui?
- Ficaria se não fosse a maldade de alguns moradores. Depois de tudo que ele fez por nós, aconteceu um fato lamentável. Um dos fazendeiros desta vila teve, roubadas de sua fazenda, nove vaquinhas. Ele as procurou pelo povoado todo e não encontrou nem o rastro delas. Foi aí que ele começou a espalhar que o moço estranho teria roubado as vacas e as levado sabe Deus para onde. Tanto falou que uma boa parte da cidade acreditou que realmente o moço desconhecido era o ladrão. O moço, quando batia as seis horas da tarde, ele sumia. Uns diziam que ele ia para o monte rezar, outros diziam que ele ia se banhar no rio. E foi tanto disse me disse que a história chegou aos ouvidos do delegado. Imediatamente o homem da lei partiu para averiguar o roubo das nove vaquinhas. Primeiro ele foi investigar o galpão onde o moço estranho morava. Abriu a porta e se deparou com um monte de brinquedos empilhados. O dono das vaquinhas foi logo dizendo que quem rouba brinquedos também rouba vacas. O delegado nunca recebeu denúncia de roubo de brinquedos, portanto aqueles que ali estavam não podiam ser roubados. Esperaram o retorno do moço. Quando ele chegou o fazendeiro foi logo gritando:
- Cadê as minhas nove vaquinhas? Para onde as levou, seu ladrão.
O moço, sem entender o que estava acontecendo, foi levado pelo delegado para a prisão. O delegado, constrangido, depois que todos saíram da delegacia, perguntou ao rapaz:
- Pode-me falar sobre aqueles brinquedos que estão no galpão? Você os roubou?
- Não. Aquelas coisas foram jogadas no lixo e eu as recolhi e as reciclei. Até aquela cadeira com três pernas que o senhor jogou fora está pronta para ser usada por outra pessoa ou pelo senhor mesmo se a quiser de volta.
- Como ele sabe que eu joguei a cadeira no lixo? - indagou em pensamento o delegado.
- E sobre as vacas, tem algo para me dizer?
- Não. Nada tenho a dizer sobre as vacas. - respondeu o moço.
- Sabe que vai ser julgado e condenado?
- Sei. Mas estou preparado.
- Quando chegou aqui disse que seu pai era um rei. Por que não se comunica com ele e pede ajuda?
- O que eu fiz e faço é obedecer as ordens do meu pai.
- E onde está seu pai?
- Está tomando conta do seu imensurável reino. Ele é muito ocupado.
E o delegado, pensativo, parou de falar. Deu boa noite ao preso e foi embora. No dia seguinte, pela manhã, as pessoas boas da cidade foram visitar o preso, mas ao chegarem diante da delegacia viram um imenso alvoroço. Todo mundo falando ao mesmo tempo dizendo que preso tinha escapado. Como ele podia ter fugido se a cela continuava trancada com a grossa corrente e o cadeado de segredo intacto? E os outros presos não viram nada? Perguntava o dono das nove vaquinhas.
O juiz chegou para o julgamento do preso e encontrou aquela confusão. Junto com o delegado ele inquiriu alguns presos que disseram ser um mistério o sumiço do moço estranho. O que eles sabiam e viram é que por volta da meia noite a cela do estranho ficou intensamente iluminada. Ouviram sussurros e quando a luminosidade se foi levou com ela o moço estranho que tanto bem fez àquela cidade.
Dias depois o fazendeiro encontrou as nove vaquinhas na propriedade do seu vizinho que foi preso como ladrão de gado. No galpão D. Marieta observava o trabalho feito pelo moço estranho. Mexeu nos brinquedos reciclados que, diante da perfeição do trabalho, pareciam que nunca foram usados. Encontrou o cavalinho de pau do seu filho mais velho novinho em folha. Abraçou o brinquedo e chorou de saudade. A história acabou meninos. - disse o velhinho para Pedro Pedra e Fernandinho.
- Uma última pergunta. E os brinquedos? - quis saber Fernandinho.
- Os brinquedos foram distribuídos para todas as crianças no dia de natal por D. Marieta. Completou o velhinho.
E os dois amigos, Pedro Pedra e Fernandinho partiram para mais uma aventura no mundo da fantasia.

17/09/18
(histórias que contava para o meu neto)
Maria Hilda de J. Alão
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 18/09/2018
Código do texto: T6452100
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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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