Um bebê para Charlene

A cachorra basset Charlene era o xodó da casa do vovô Luiz. Além dela, lá também viviam a cadela Lolita e a arisca gata Cecília.

Mas apesar de ser muito feliz, a basset carregava uma grande frustração dentro dela. Todos os anos, Lolita gerava grandes ninhadas de filhotes. Cecília também. Eram cinco seis ou até sete gatinhos de uma só vez! E a bassezinha, apesar de inúmeras tentativas. Nada! Nunca conseguira ter um só filhotinho. Acho até que Charlene era estéril.

Numa ensolarada manhã de primavera, Lolita deu à luz a dois lindos filhotinhos. Charlene foi logo conhecê-los, e ficou encantada com as crias. Ingênua como era, foi se aproximando da ninhada da orgulhosa mamãe Lola.

_Oh! Como são belos! Que patinhas delicadas. Que orelhinhas peludinhas!

Charlene ficou maravilhada com aquele pequenino milagre da vida e foi aos poucos se aproximando cada vez mais dos filhotes, sem perceber os olhos ameaçadores da enciumada mamãe Lola.

Sem perceber, Charlene que tinha um forte instinto materno, já estava dentro do grande cesto que abrigava Lolita e os filhotes. Ela cheirava e lambia os cachorrinhos como se fossem seus próprios filhos.

Só que Lolita não gostou nem um pouquinho dessa intimidade. Ela partiu ferozmente para atacar Charlene e lhe abocanhou com violência o delicado pescoço.

Começou então uma briga, como nunca se viu antes, entre as duas cachorras. Elas se engalfinharam e caíram rolando pelo chão. Lolita mordia a cabeça e as orelhas de Charlene, que começou a sangrar devido à violência da indignada mamãe. Mas a basset não deixou por menos, ela mordeu ferozmente o focinho de Lola, cravando- lhe os dentes com toda a força que podia.

Estavam a ponto de se matarem, quando Mariana ouviu toda a gritaria e correu em direção ao arranca rabo. Foi uma luta para separar as duas cachorras. Mariana pegou Charlene pelos pés tentando tirá-la da boca de Lolita, mas os dentes da vira lata estava fortemente cravados no pescoço de Charlene. A menina temia o pior. Lolita fatalmente mataria sua amada basset. Logo as duas cachorras que foram criadas desde pequeninas como duas irmãs! Mariana põe a boca no mundo e começou a gritar:

_Socorro! Alguém me ajude pelo amor de Deus! As cachorras estão se matando!

Logo foi juntando gente tentando apartar as cachorras. Foi um puxa pra lá, puxa pra cá, mas as duas não se soltavam. Sobraram unhadas, mordidas e cabeçadas para todo o mundo. Foi aí que apareceu Luiz Eugênio, o primo mais velho de Mariana. Chegou com um grande balde de água fria que despejou sem dó nem piedade em cima das cachorras endiabradas. Só assim os ânimos esfriaram e acabou-se a briga.

Lolita olhou furiosa para todos e saiu em direção à ninhada.

Mariana pegou Charlene no colo e percebeu que a cadelinha estava sangrando na orelha. A bassezinha estava triste, cabisbaixa e sem entender o porquê da atitude de Lola.

A menina passou remédio na ferida da cachorrinha, fez um curativo muito bem feito e a deixou ano quintal, para que ela pudesse correr trás das galinhas e esquecer o incidente. Mas Charlene se afastou pensativa e não quis brincar com mais ninguém. Foi se esconder debaixo de um pé de ipê amarelo, carregado de flores. Estava muito triste com a reação de Lolita. As duas eram amigas inseparáveis e já fizeram tantas cachorradas juntas.

Como adoravam correr atrás do carteiro! Disparavam atrás da molecada do bairro, latindo e mordendo-os os pés. Era uma farra só. E os coletores de lixo? Do alto do caminhão iam chutando o focinho das cachorras, que avançavam sobre eles puxando-lhes a barra da calça e quase os deixando pelados. Pobres catadores de lixo! Ah,mas que era divertido, era!

E agora Lolita lhe fizera essa desfeita. Estava muito magoada com a vira lata e até mesmo com Deus, que nunca te dera um filhotinho para ter o prazer de ser mãe. E assim Charlene com os pensamentos em desordem resolveu fugir de casa.

Os vizinhos estranharam ao ver a cachorra basset caminhando sozinha pela rua. Porque sempre que ela saía estava acompanhada pela menina Mariana. E agora Charlene seguia só e cabisbaixa. Foi andando sem destino. Passou por bairros afastados e desconhecidos. Até chegar às margens de uma perigosa rodovia.

Sob a rodovia, havia um grande viaduto onde morava uma velhinha que apanhava latinhas. Ela estava sempre bêbada e se abrigava ali do sol e da chuva. A velha tinha um curioso animal de estimação. Parecia um pato, ou um marreco, sei lá o quê era! Mas era um ganso! Ou melhor, uma gansa! A gansa branca trazia amarrado à cabeça um bonito lenço vermelho. Um exótico adereço que a velha encontrou no lixo. Ela achou o acessório bonito e como não coube em sua cabeça o amarrou na cabecinha de Lucy.

A catadora de latinhas havia ganhado Lucy de um senhor que se mudara recentemente para a cidade grande e que não tivera como levar a gansa junto. Como não teve coragem de levar Lucy para a panela, o homem a ofereceu para a catadora. Ele disse a ela que a gansa podia ser uma boa companheira já que ela não tinha mais ninguém.

Assim que Charlene se aproximou da ponte, ela viu a catadora e a engraçadinha gansa de lenço. Lucy estava distraída procurando algumas minhocas nos canteiros, mas assim que ela viu a cachorrinha marrom, se esqueceu das minhocas e se aproximou curiosa da basset.

_O que te trás aqui cachorrinha, longe de tudo e de todos? Por acaso a sua família te abandonou?

A gansa Lucy, já havia visto muita gente trazer seus animais velhos e doentes, e até mesmo os filhotinhos, para serem abandonados no asfalto. Lucy não entendia porque os humanos faziam isso com seus bichos. Depois de se enjoar deles, eles os abandonavam a sua própria sorte. O que Lucy não sabia é que o coração do homem era um poço cheio de maldade. Ele não só abandonava seus animais, como também abandonava os seus entes mais queridos. Eles jogam seus velhos em asilos quando estes não têm mais serventia. E o que esperar de gente assim? Que abandona seus pais, irmãos doentes ou avós?

Charlene e Lucy iniciaram então uma animada conversa. Charlene contou a sua história para a gansa. Contou-lhe tudo, desde o seu nascimento, as brincadeiras felizes ao lado de Lolita, o amor incondicional da menina Mariana até chegar à terrível briga com a vira lata. Lucy escutou tudo calada. Ela também tivera uma vida boa e ainda sentia muita falta do quintal em que fora criada. Não gostava de viver sob o viaduto com a catadora de latas. Mas como a gansa já estava bem velha e não tinha outra opção, ela foi ficando quieta ao lado da catadora. Pelo menos ela cuidava de Lucy e a alimentava, apesar do pouco dinheiro que arrecadava com a venda de latas e papelões.

Lucy disse a Charlene que ela poderia passar a noite ali com elas. Mas no dia seguinte a cachorra deveria voltar para casa, pois certamente sua família devia estar muito preocupada, procurando por ela.

E no outro canto da cidade.

Mariana voltava para casa triste e desanimada. Ela havia percorrido toda a cidade atrás de Charlene e não havia conseguido encontrar a cachorra. Os vizinhos também tentaram ajudar e até a polícia foi acionada na busca á fugitiva. Tudo em vão.

Os policiais ainda tentaram animar a menina, dizendo que no dia seguinte com o sol claro no céu, ficaria mais fácil localizar a cachorra. Mas Mariana não se conformava.

O vovô afirmou com muita convicção que a cachorrinha havia fugido com o coração partido e que por isso não pensara muito nas conseqüências. Mas que certamente ela ia se arrepender e voltaria com suas próprias patinhas. O vovô disse ainda que se a cachorra não aparecesse até na manhã seguinte, os dois iriam mandar fazer vários cartazes e distribuir em toda cidade Mariana mal podia esperar para chegar amanhã. Ela queria a desesperadamente encontrar a cachorra.

Mariana e Charlene tinham a mesma idade, ambas tinham seis anos. E durante todo esse tempo nunca estiveram longe uma da outra. A basset dormia em um cestinho bem aos pés da cama de Mariana. E não era raro, as vezes que ela amanhecia na cama junto da menina. E esta seria a primeira noite que as duas passariam distantes uma da outra. E Mariana começou a rezar e pedir proteção a papai do céu.

_Papai do céu proteja a minha cachorrinha!

E para piorar ainda mais

Assim que chegaram em casa, dona Judite já os esperava muito nervosa. Tinha outra notícia ruim para contar.

A gata Cecília amamentava o seu filhote Silas, quando um suculento passarinho pousou bem a sua frente. A gata não resistiu, deu um chega pra lá no filhote e saiu em disparada atrás da deliciosa iguaria. Pulou o portão e logo ganhou a rua. O esperto passarinho já havia levantado vôo e pousado no quintal do vizinho. E foi nesse descuido da gatinha, que na ânsia de abocanhar o pequeno pássaro, não olhou direito ao atravessar a rua e perceber que um caminhão vinha passando neste exato momento. Sorte dela que o caminhão vinha em baixa velocidade e o dano não foi maior. Porque senão há essa hora, a gatinha Cecília seria somente uma suave lembrança.

O motorista do caminhão socorreu imediatamente a gata desmaiada no asfalto. Dona Judite foi chamada as pressas, e junto com o motorista, partiu rapidamente para o hospital veterinário.

A gata ficaria internada durante algum tempo. Ela havia fraturado a pata direita e teria de ficar em repouso absoluto, segundo o veterinário.

E agora, o que seria do filhote Silas?

Mariana e o vovô ouviram tudo que vovó dizia. Mariana caiu no choro. Mas o avô mais tranqüilo, dizia que o mais importante era que a gata Cecília estava se recuperando bem, e que em breve ela estaria de volta ao aconchego do lar. Sua preocupação maior era o sumiço de Charlene, que não deixara nenhuma pista de seu desaparecimento.

No dia seguinte Mariana pulou cedo da cama e foi logo arranjando uma foto de Charlene para mandar fazer os cartazes. Queria sair logo e distribuí-los em todos os estabelecimentos da cidade. Quem sabe assim alguém não saberia informar o paradeiro de sua Charlene?

A vovó Judite acordou com as galinhas e foi logo preparando o café. Pouco depois partiu para o hospital veterinário para visitar Cecília. O neto Luiz Eugênio ficou encarregado de cuidar do filhotinho da gata. Ele preparou uma chuquinha com leite bem docinho para alimentar o recém-nascido Silas. No entanto o gatinho não quis aceitar a chuquinha e o jeito foi levá-lo ao hospital para mamar diretamente em sua mamãe. Porém a gatinha com o abalo sofrido travou-se psicologicamente e o leite, tão necessário ao filhote, parou de descer. E apesar do veterinário dizer que aquilo era normal, todos ficaram muito preocupados, ainda mais com a frágil saúde do filhote. O pobre Silas não havia ingerido nada desde o acidente com sua mãe.

E enquanto isso, Mariana inundava a pequena cidade com cartazes de:

“Procura-se por Charlene”

E bem distante dali, ás margens da BR 381, Charlene decidira que já era hora de voltar para casa. Passara a noite recordando-se dos bons momentos que vivera ao lado de Mariana. Ela se divertiu ao lembrar do o primeiro dia de escola de Mariana!

Mariana lhe acenara da janela do ônibus, mas a cachorra não queria ficar sem sua dona e então resolvera entrar escondida pela porta de traz do coletivo lotado. No início tudo ia bem, até que um insolente moleque viu a cachorra escondida atrás do banco e deu o alarde. Foi um bafafá danado! Teve menino quase pulando a janela. A turma, que adorava uma boa folia, decidiu se juntar para agarrar a cachorra, que deu um banho de esperteza na molecada! Foi preciso o motorista Baratão parar o ônibus para que ele próprio apanhasse a cachorra e colocasse ordem no recinto.

E lá se foi o primeiro dia de aula de Mariana, que teve de voltar para casa com a cachorra debaixo do braço. Pior para ela, porque a mãe já tinha sido avisada pelo celular do incidente com o ônibus e já a esperava na esquina com o sapato na mão. Ela não queria que a filha perdesse o seu tão aguardado primeiro dia de aula. Não depois de tanto arruma daqui, penteia de lá e corre pra cá. E este foi o primeiro dia de aula de Mariana. Um dia que não aconteceu.

Charlene deveria ter se desculpado com Lolita e tudo teria se resolvido. Ela só queria fazer um carinho nos filhotes de Lola. Deveria ter lhe dito isto! Se deus não lhe dera filhotes, paciência!Ela não era merecedora! Segundo Lucy, é deus quem comanda nossas vidas. E se ele não quisera lhe dar filhos é porque tinha que ser assim e que ela se conformasse com o destino. E que apesar de tudo ela tinha uma bela família e que certamente estava muito preocupada com o seu sumiço.

E assim Charlene resolveu voltar para o seu lar. O que já não era sem tempo. A cachorrinha pediu a Lucy que a acompanhasse, pois ela tinha medo de se perder.

Mariana terminava de pregar mais um cartaz no muro da escola, quando avistou sua cachorra de longe. Charlene estava distante dela, mas mesmo assim ela a reconheceu. Mariana correu em sua direção, que também partiu correndo ao seu encontro. Elas se abraçaram tão forte, que nem um vento bem magrinho conseguiria passar entre as duas. Lucy por um minuto sentiu ciúmes:

_Ah quem me dera ter alguém que me amasse assim! Pensou a velha gansa.

As três retornam para casa. Lucy já ia se despedindo, mas Mariana não deixou a gansa ir embora. Não sem antes fazer um reforçado lanchinho, porque Lucy bem que merecia. Afinal foi ela quem trouxe sua amada fugitiva de volta.

_Não senhora! Agora vou preparar um sanduíche de alface todo especial para você minha amiguinha! E foi para a cozinha sem demora para preparar um big lanche para Lucy.

Enquanto isso, Charlene já refeita dos beijos e abraços, foi até o quintal se desculpar com Lolita. A vira lata já estava esperando por ela. Lolita não deixou Charlene falar e foi logo cheirando o seu rabo. Pois é assim que os cães se cumprimentam, e foi logo dizendo:

_Perdoe-me Charlene, sei o quanto fui egoísta com você. Sofri muito com minha estupidez. Mas vamos esquecer o que houve e ser amigas novamente. Eu estava morrendo de saudade!

O perdão foi imediato e as duas cachorras muito felizes, saíram correndo atrás de um bando de galinhas que ciscava ali por perto.

Estavam todos alegres com o regresso da filha pródiga, menos Silas, que alheio a toda essa alegria, jazia triste em seu cestinho. Sem sua mãe por perto o filhote teria poucas chances de sobrevivência. Silas não havia completado uma semana de vida e nem havia aberto seus olhinhos.

Depois de um dia inteiro de brincadeiras, todos foram dormir. Lucy decidiu passar a noite por ali. Mas amanhã ela voltaria para a companhia da catadora de papelão. Mariana afofou umas palhas secas num pequeno balaio e colocou a gansa para dormir. Lucy nunca tivera uma cama tão fofinha.

_ Ah se pudesse, viveria ali para sempre!

Mariana foi para o quarto com Charlene, quando escutou os fracos miados de Silas. Mesmo contra a vontade do vovô, ela buscou o gatinho no terreiro e o ajeitou no cestinho junto à bassezinha, que há essa altura já dormia de tão cansada. Mariana ajeitou a cabeça de Silas na barriga de Charlene, que imaginando ser sua mãezinha acabou adormecendo em sua barriga quentinha. Depois de algumas horas de um sono bem leve. O gatinho acordou com muita fome e por puro instinto sua boca foi de encontro ao peito seco de Charlene. Delicadamente ele começou a mamar e foi sugando com força cada vez mais, suas unhas cravaram na barriga de Charlene, que acordou muito assustada com o filhote postiço. A cachorra ficou encantada ao perceber que o filhote estava lhe sugando o peito. Ela tinha um forte instinto materno e por isso não rejeitou o felino. Foi se deixando mamar. Era uma sensação tão plena, tão boa, que só as mamães podem sentir.

E um fato deveras curioso aconteceu. Subitamente o gatinho retirou a boca. Ele havia se engasgado com o excesso de leite que descia das mamas da cachorra.

E não é que a basset estava dando leite?

Mariana que havia acordado com os miados de Silas assistia à cena curiosa. O gatinho mamava com sofreguidão na orgulhosa cachorrinha.

Rapidamente a menina acordou a casa toda. E pouco tempo depois o quarto estava repleto de gente e de animais admirando aquela bela cena.

A partir deste dia Charlene adotou de vez o gatinho Silas. Ele foi engordando e se apegando cada vez mais a sua nova mãe. Quando abriu os olhinhos o primeiro ser que viu foi Charlene. Ele a seguia por todos os lugares e onde quer que a cachorra estivesse.

O fato atraiu muitos curiosos. Todos os dias vinha gente de longe só para ver a cachorrinha amamentar o gatinho. E assim foi, até a gata Cecília ganhar alta.

E assim continuou sendo. Porque o gatinho não quis mais saber de sua mãe biológica. Para ele que foi amamentado desde os primeiros dias pela carinhosa cachorra, ela era a sua verdadeira mãe. E não queria saber de outra!

A gata Cecília também não quis reivindicar seu direito de posse. O que ela queria mesmo, depois de ficar um bom tempo de molho no hospital, era só curtir a vida. Filhotes só davam trabalho! A gata tinha espírito livre e não gostava de compromissos. Queria mesmo era subir de muro em muro e devorar passarinhos.

Lucy não voltou mais para morar com catadora de latinhas. Esta também não apareceu para buscá-la e diziam até que a catadora havia morrido atropelada, ao atravessar a BR, bêbada como um gambá. Verdade ou não, o certo é que Lucy ficou por ali para sempre. Até morrer bem velhinha no quintal do vovô Luís. E, diga-se de passagem, foram os melhores anos de sua vida.

Lolita esqueceu de vez suas mágoas com mamãe Charlene. E tão logo seus filhotes cresceram, elas voltaram com tudo para acabara com o sossego dos catadores de lixo.

Cecília já recuperada do acidente continua perseguindo os pobres passarinhos.

Silas hoje em dia é um lindo gatão, sempre preocupado em defender a sua mãezinha Charlene e seu mais novo irmãozinho. Isso mesmo! Charlene agora tem um novo bebê que nasceu de sua barriga. Mas pra ela isso não importa, pois Silas será sempre seu eterno bebezão.

E Mariana?

Ah! Essa ainda tem muita história para contar.

Fim

Siria Malta
Enviado por Siria Malta em 17/05/2019
Reeditado em 27/05/2019
Código do texto: T6649366
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