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Não consigo enxergar a beleza da lua (Sê Valente parte 1/2)

Não, não é apenas a beleza da lua que me foge. A estética geral do mundo fica imperceptível quando seu alimento é dor constante. Uma densa camada de tormento cobriu os meus olhos, e a linguagem do lamento parece ser a única que conheço. Nas minhas orações, a indagação sobre a maldição que me acomete, ao mesmo passo da humilhação e o reconhecimento de que não mereço outra coisa.

Existe um martírio que invade o silêncio e me banha em desespero. Em cada alimento, impossível distinguir gostos, pois o dissabor é o único deles. Me lembro de quando fui inundado pela tristeza assim, foi um tempo pobre e perdido, cujas únicas boas lembranças foram as de quando eu estava enganado acerca das boas notícias, logo substituídas por péssimas.

Não acho melódico o canto dos pássaros, nem me acalma a vista do mar, não me sacia mais o alimento, a sede não cessa com a bebida, nem me comprazo na arte. As estrelas não mais me fascinam, nem me espanta a grandeza do universo, as problemáticas universais já não me instigam.
 
Ao ouvir que a lua está linda, sorrio e concordo, sem dizer uma palavra. Pois a boca fala do que o coração está cheio, e o meu coração é desalento.Não consigo enxergar a beleza da lua.
Lucas Pacheco
Enviado por Lucas Pacheco em 01/03/2018
Reeditado em 02/03/2018
Código do texto: T6268035
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Lucas Pacheco
Maceió - Alagoas - Brasil
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Lucas Pacheco