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A Dádiva de um Recomeço - Prólogo.

Prólogo – Zaven e Kaliel.
Zaven estava voando apressadamente para a casa de uma conhecida sua que se encontrava em sua casa no planeta dos anjos. Ele era um anjo da morte responsável por proteger o rei Hyrion. Seu trabalho consistia em seguir todas as ordens a ele dadas e também comandar a guarda real, lhes dizendo aonde ir, o que fazer e como fazer.
Alguns meses atrás o rei fez uma reunião com os anjos Celeste e Serafim. Cada um levou seus companheiros de confiança para serem testemunhas das decisões entre eles e foi nessa reunião que Zaven conheceu Kaliel, uma mista entre anjo celeste e humano.
A moça ficou do início ao fim sorrindo e sem entender ele foi falar com ela. Não precisou muito para que ela lhe encantasse. A anjo era bem entusiasmada, animada e sempre falava de seus sonhos com uma paixão gigantesca.
Durante suas conversas ela revela que seu maior desejo é ir para a Terra por ter descendência humana e seguir na carreira médica para poder ajudar a todos, salvar suas vidas. Pelo seu fascínio aos humanos e seu corpo bem feminino ele decidiu ter aparência humana para que ela preferisse ficar com ele, deixando apenas suas asas cinzas expostas.
Durante vários meses eles continuaram se encontrando e Zaven nunca se sentia cansado em falar ou estar com ela, pelo contrário, não queria se separar dela e foi então que um dia eles se “ligaram”, como diziam os anjos. Eles começaram a morar juntos na casa dela e só se separavam quando Kaliel estudava para se aperfeiçoar em relação a tudo no planeta Terra e quando Zaven fazia seu turno como guarda do rei.
Mesmo morando juntos Kaliel conseguiu guardar um segredo que para ela era muito importante e finalmente chegou a hora de dizer.
Assim que o anjo chegou já foi entrando e viu que a casa estava completamente vazia e Kaliel o estava esperando.
— O que aconteceu? — Perguntou ele.
— Eu consegui. Vou poder ir para a Terra. Celeste me deu permissão. — Disse ela com um sorriso enorme no rosto.
Ela pulou de alegria e se aproximou para abraçá-lo.
Zaven não sabia nem o que dizer, fora pego de surpresa e ainda por cima tinha um problema que ele não havia resolvido com o rei a respeito deles, mas como sua esposa estava feliz deu apenas uma resposta simples para não desanimá-la.
— Que ótimo. Parabéns. Acha que está pronta?
— Mais que pronta. Você vem comigo?
— Não sei se poderei ir. Também preciso da permissão da majestade.
— Não falou com ele ainda?
— Sabe que ele é ocupado, mas falarei hoje, prometo.
— Quando?
— Eu tenho que voltar logo, ainda estou no meu horário, assim que voltar eu já falo.
— Posso te esperar em nossa casa nova então?
— Sem dúvida. Já está tudo pronto para você lá?
— Sim. Mal posso esperar para ir. Eles são tão interessantes.
— Já conseguiu seu emprego também?
— Já. Começo amanhã.
— Você estava se preparando a um bom tempo então. Devia ter me contado.
— Queria fazer surpresa. SURPRESA!
Zaven sentiu uma dor na cabeça e sabia que era o rei lhe chamando de volta.
— Eu tenho que ir. Assim que eu falar com ele vou para a Terra e você vai sentir quando eu chegar. Se estiver sozinha libere suas asas que eu te acharei.
— Entendido. Até mais então.
— Cuidado.
Eles se soltaram do abraço e Kaliel deu um passo para trás. Uma forte luz branca emanou no lugar a consumindo por completo e no segundo seguinte ela já não estava lá.
Zaven voltou o mais rápido possível para seu posto e quando chegou aonde deveria se aproximou de Hyrion, se ajoelhou e pediu a palavra.
— Adiante. Disse Hyrion.
Ele então começou a falar com nervosismo, afinal o rei poderia lhe negar o pedido e ele já havia confirmado com sua esposa que estaria na Terra dentro de alguns instantes.
— Como sabe estou ligado à Kaliel e hoje ela se mudou para o planeta Terra. Daria-me permissão para me mudar com ela?
— E seu trabalho para comigo?
— Eu me ausentaria permanentemente vossa majestade.
— Isso é um pedido ridículo. Não pode trocar vossa majestade por uma anjo. — Disse um dos guardas presente.
— Você pode ir. — Disse Hyrion.
Zaven sorriu e sentiu um alívio imenso ao ouvir aquelas palavras, porém um dos guardas que lhe guardavam ficou indignado sem entender aquela decisão.
— Mas vossa majestade. Ele é o mais forte dentre nós. Até mais forte que o senhor. Não acha que ele seria mais útil conosco? — Perguntou o mesmo guarda.
— Prefiro um anjo satisfeito aonde quer estar do que insatisfeito ao meu lado. — Disse o rei. — Prendê-lo comigo poderia causar uma rebelião da parte dele e como você disse, ele é o mais forte de todos nós. Conseguiria nos derrotar facilmente.
— Obrigado vossa majestade. — Disse Zaven.
— Antes de ir, posso te fazer um pedido? — Perguntou Hyrion.
— Sim, senhor.
— Se algum dia eu precisar de suas habilidades, poderei tê-las?
— Sem dúvida senhor. Estarei à disposição.
— Pode ir então.
Zaven se levantou se segurando ao máximo para não pular de alegria em frente ao rei, mas antes de partir de vez mudou de assunto e uma nova conversa entre eles se iniciou.
— Fiquei sabendo que o príncipe terá uma cria com Kaÿa. É verdade?
— Sim. Seu nome será Xyriú pelo que ele me contou. — Disse Hyrion.
— Rainha Zaliel deve estar feliz.
— Nem imagina como. Eu em contrapartida nem tanto. Zalen é fraco, mesmo absorvendo meus poderes quando eu morrer não será tão forte assim. Espero que sua cria não seja como ele.
— Ele vai melhorar. Seu problema é que treina demais a cabeça e esquece o corpo.
— E mesmo assim ele não é dos mais inteligentes.
— Notei ele no anjo soldador. Pediu para fazer uma espada com o nome Xyriú cravada. Parece que ele está ansioso. Sua cria nem nasceu ainda e ele já comprou sua arma.
— Até demais, mas ele ainda é ingênuo. Acha que armas defendem. Deve ser por isso que não tem tanta força. Ele confia demais nas espadas. Enfim, sua anjo deve estar a sua espera. Vá, suma da minha frente.
Zaven obedeceu, se despediu e se teletransportou para a Terra assim como Kaliel havia feito.
Ele se viu então em um beco imundo sem ninguém por perto ouvindo uma sirene de ambulância se afastando. Poucos segundos depois sentiu uma enorme energia se apoderando de seu corpo. Era Kaliel lhe enviando o endereço correto e sem demora ele se teletransportou novamente, já direto para dentro de sua nova casa.
— Ele deixou? — Perguntou ela ao ver Zaven.
— Sim. Poderei ficar aqui com você.
— Ai, que bom. Você vai ver como os humanos são incríveis. Eles não têm magia alguma e conseguem fazer coisas fascinantes.
— O que for bom para você é bom para mim.
Zaven começou a analisar a casa e viu que Kaliel comprara uma mansão.
— Precisava de algo tão grande para nós dois?
— Não seremos só nós dois para sempre. Já me preparei para o futuro.
Zaven não acreditou no que ouviu.
— Quer dizer que quer ter uma cria comigo?
— Seria bom aumentar nossa família, não acha? Que tal à noite?
Zaven a pegou pela cintura, a ergueu e a girou no ar. Estava muito feliz ao ouvir aquilo.
— Nunca achei que eu fosse ter uma cria. Ainda mais com alguém tão perfeita como você. Tem certeza disso?
— Já estamos ligados a um bom tempo. Não vejo motivo para dúvidas.
— Certo então. Tentaremos hoje à noite. Só dizer quando estará preparada.
— Pode deixar que avisarei, sem dúvida. Enquanto isso, vem, vou te apresentar o lugar.
Kaliel o puxou pela mão e começou a lhe mostrar a casa indo de cômodo em cômodo e a cada lugar ela explicava como os humanos faziam os objetos que haviam por lá.
Com todo o entusiasmo dela Zaven teve a ideia de trabalhar no mesmo ramo. Sabia que ela usaria as habilidades de cura para poder ajudar as pessoas. Essa era uma magia base dos anjos celestes, algo que todos nascem já tendo essa habilidade, mas precisando aprender a dominá-la, e ele, por ser metade celeste, também tinha magia de cura. Mesmo não sendo tão potente quanto a de Kaliel ele ainda poderia ajudar e decidiu também ser médico.
— Que ótimo! — Disse Kaliel quase gritando.  — Você vai gostar, mas antes precisamos falsificar alguns documentos.
— Por quê?
— Os humanos precisam de certos papéis para poder trabalhar. Nome, endereço, carteira de trabalho e alguns outros que informem que tem a capacidade de exercer aquela função. Se você somente for para uma entrevista sem nada nunca vão te chamar.
Kaliel esticou a mão esquerda e começou a mexer a direita em cima como se estivesse escrevendo algo. Depois de uns minutos inúmeros documentos falsos apareceram em sua mão.
— Pronto, agora você é um humano.
Ela lhe entregou os papéis e ele analisou meticulosamente.
— Jasper?
— Sim, seu novo nome. Iriam estranhar alguém chamado Zaven.
— Minha criadora me nomeou assim por ser amiga da rainha Zaliel e por terem ficado grávidas ao mesmo tempo.
— Eu sei. E por causa da rainha escolher Zalen como nome da cria dela a sua criadora escolheu Zaven para combinar. Você já me contou isso, mas você não pode falar isso para um humano, por isso a mudança.
— E você, como se chama agora?
— Aqui eu sou a Lara, mas dentro de casa pode continuar me chamando de Kaliel se quiser. Ah, não, melhor ainda. Os humanos gostam de usar apelidos carinhosos com quem eles se ligam, a gente pode fazer o mesmo.
— Apelidos carinhosos?
— Sim. Como, por exemplo amor, querido, querida, meu bem, minha linda, e por aí vai. Eu achei muito fofo quando li isso. A gente pode tentar.
— Acho que não sou muito bom nisso, mas tudo bem. Como quer ser chamada?
— Isso é você quem tem que escolher. O que achar melhor para mim.
— Vou pensar então.
— Enquanto isso podemos sair para ver uma entrevista para você.
Sem nem esperar a resposta Kaliel o puxa pela mão novamente e saem apressados de casa. Eles passaram por três clínicas onde Zaven exigiu fazer a entrevista no mesmo dia. Os recrutadores acharam a vontade dele fora do comum e lhe concederam a chance de mostrar do que era capaz. Na terceira entrevista ele havia sido aceito de imediato. Acharam ele bom até demais para a vaga. Kaliel ficou na sala de espera lendo uma revista e Zaven antes mesmo de chegar perto dela já anunciou a boa notícia.
— Consegui.  Começo semana que vem.
Kaliel se levantou animada.
— Ah que bom. E trabalhando aqui você vai ganhar bem por ser particular.
— Não precisamos ganhar bem, já temos uma mansão.
Eles começaram a andar em direção à saída e diminuíram o tom de voz.
— Aqui não é igual no nosso planeta, amor, precisamos pagar contas todo mês.
— Contas?
— Sim. Água, luz, telefone, gás.
— Nunca precisamos disso, porque precisaríamos agora?
— Os humanos não usam magia para fazer fogo. Ou tem um banheiro mágico que usa a água vinda das nuvens, e precisam de aparelhos para se comunicarem.
— Você realmente vê fascínio nisso? É tudo tão... Desnecessário.
— Sim. É o modo que eles arranjaram para sobreviver. Ah, e falando nisso, seria bom termos um carro. Não vamos poder ficar voando ou nos teletransportando aqui.
— Kali, estamos limitados nesse planeta. De que adianta passarmos anos estudando nossa magia se não podemos usar? Sabia que sou mais forte até do que vossa majestade? Poderíamos fazer tanta coisa melhor.
Kaliel perdeu seu sorriso, parou em meio a calçada e olhou diretamente para ele.
— Você não está satisfeito aqui?
Zaven não soube responder. A alegria dela era algo extremamente agradável para ele, mas só de pensar em como ele teria que viver já sentia vontade de voltar ao seu planeta.
Ela voltou a sorrir, mas falsamente e continuou a falar, já que ele não lhe respondia.
— Tudo bem se quiser voltar. Eu entendo. Eles precisam de você lá, mas eu vou ficar.
Zaven a abraçou e com a mão direita começou a alisar seu cabelo carinhosamente.
— Eu posso abandonar tudo da minha vida, mas jamais abandonarei você.
Kaliel sentiu uma sensação boa percorrer seu corpo com o gesto de seu marido e recuperou seu sorriso verdadeiro.
— O que acha de irmos comer então? Estou faminta. Usei magia demais para vir para cá, preciso recobrá-la.
— Algum lugar que queira ir?
— Não, mas a gente encontra algum bom.
Eles começaram a passear pela cidade e pararam em uma hamburgueria. Zaven pediu o “combo” que consistia em um hambúrguer, batata frita e refrigerante. Ao entregarem o pedido o anjo ficou revoltado.
— Essa mixaria é o combo? Consigo coisa melhor na lata de lixo. — Disse ele para o atendente.
— Amor, sem confusão vai. Somos novos aqui. — Disse Kaliel calmamente.
— Mas olha isso. Eu já fiz comida melhor para a gente.
— Amor... Por favor.
Zaven ficou quieto, pagou os lanches e se sentou à mesa com Kaliel.
— Não se parece nada com o da foto.
— Aqui nada se parece com a foto. É só para chamar atenção.
— Bom, já que você é especialista, eu tenho uma dúvida. Quando estava naquela entrevista a moça se interessou mais no que estava escrito no papel do que em mim especificamente. Por quê?
— É assim que eles escolhem. Lendo o que você sabe fazer ou o que já fez.
— É meio errado isso, não acha?
— Por quê?
— Meu papel era falso. Nada daquilo era verdade. Se eu pude falsificar, outros humanos também podem.
— E se descobrirem que é mentira eles são demitidos.
— Esse planeta é meio confuso, vou ter que me adaptar muito a ele.
— Você consegue. Não vai ser tão difícil.
O casal passou o resto do dia conhecendo melhor a cidade enquanto Kaliel explicava inúmeras coisas que Zaven ainda não sabia e quando chegou a noite eles fizeram o que haviam combinado.
O anjo retirou a camiseta de sua esposa, a sentou na cama e com muita delicadeza criou uma orbe cinza em sua mão fazendo-a atravessar a barriga de Kaliel. O DNA de Zaven foi introduzido diretamente no útero de sua esposa e assim que ele terminou lhe olhou nos olhos e lhe disse.
— Está feito. Você está grávida.
Como Kaliel estava cansada da mudança e de ter andando boa parte da cidade ela não conseguiu pular de alegria como sempre faz quando recebe alguma notícia boa. Apenas sorriu gentilmente para Zaven e o agradeceu por estar ao lado dela, mesmo que ele não gostasse do planeta.
O anjo vendo o cansaço de sua esposa pede para que ela se deitasse enquanto ele apagava as luzes da casa e trancava as portas.
Assim que ele voltou viu sua esposa já adormecida e com cuidado para não acordá-la ele se deita e também dorme com rapidez.
Dois meses se passaram e Zaven já estava mais acostumado com o planeta. Estava tão animado com sua cria que já havia preparado um quarto com berço, guarda roupa, vestimentas de cores neutras e brinquedos.
O anjo tinha uma habilidade ocular especial que o fazia ver quando alguém iria tomar uma atitude errada, e sua magia focava em fazer acidentes acontecerem. Era assim que ele matava suas vítimas.
Várias situações a sua volta aconteciam, situações que ele não estava acostumado ainda, e quando uma delas lhe incomodava ele resolvia da pior forma. Kaliel teve que pedir para ele se controlar, senão ele mataria mais do que deveria.
Em uma manhã ele acordou com o despertador e a viu se arrumando no quarto. Assim que olhou diretamente para ela viu algo o incomodou e de um pulo ele se levantou assustado. Ela olhou para ele com os olhos esbugalhados pelo susto que tomou.
— O que foi?
— Você não pode ir.
— Amor, o que foi?
— Fica aqui comigo hoje.
— Não. Tem gente que precisa de mim.
— EU preciso de você.
— Me fala o que você está vendo.
— Um anjo vai até seu trabalho, vai dizer que Celeste está te chamando. Vai acontecer uma guerra e você vai morrer.
Kaliel começou a ficar com medo.
— Você... Pode estar enganado.
— Eu nunca me engano Kali. Zalen teve uma cria e ela foi sequestrada. Por isso está acontecendo a guerra. Ele vai liberar o apocalipse para recuperar o bebê. Você vai estar lá, e vai morrer.
— Ele precisa da nossa ajuda então.
— Kali, por favor, não vá. Pode até ir para o trabalho, mas se te chamarem não vá.
— Eu sou uma celeste... Eu não morro.
— Você é só metade celeste, a outra metade é humana e por causa dela você pode morrer sim.
— Certo, vamos ficar calmos. Vai dar tudo certo. Eu vou trabalhar e quando o anjo vier eu falo com ele.
— Não aceite ir, estou te pedindo.
— Tudo bem, não vou aceitar.
— Promete?
— Prometo.
Zaven ainda via que ela ia tomar a decisão errada, mas confiou nela e a deixou ir. Em seguida se arrumou e também foi para o seu trabalho.
Durante todo o dia ele ficou inquieto. “Será que ela vai cumprir a palavra dela ou ela vai ajudar o novo rei?”, “Ela me prometeu, ela jamais mentiria para mim”.
Nesse dia ele tentou acelerar seus atendimentos, como se isso fosse fazer o dia acabar mais rápido, o que não aconteceu. Um de seus clientes era um anjo da morte que foi simplesmente com o intuito de chamá-lo para a guerra.
— Eu não vou arriscar minha vida, tenho uma família para cuidar aqui.
O anjo insistiu durante vários minutos, mas Zaven recusou até o último minuto.
Cinco horas depois finalmente seu expediente acabara e ele voltou o mais rápido possível para sua casa. Kaliel era quem usava o carro enquanto ele utilizava transporte público e quando chegou entrou pela garagem e não viu o automóvel estacionado. Mesmo chegando mais cedo ele sabia que ela já deveria estar em casa, afinal seu emprego era mais perto e seu meio de locomoção mais rápido.
— Ela deve ter se atrasado apenas. Pode ser devido ao trânsito. Ou ela quis dar carona para uma amiga.
Ele entrou e tentou ligar para o celular dela, mas estava indo para caixa postal.
— Deve ter só descarregado. Daqui a pouco ela chega.
Zaven se dirigiu até a cozinha e começou a fazer a comida. Depois foi ao banheiro, tomou banho e se trocou, por último voltou para a cozinha e ficou sentado esperando ela chegar. Finalmente a porta se abre e ele se levanta rapidamente para vê-la.
— Kali, até que enfim, eu estava ficando preocupa...
Suas palavras foram interrompidas quando viu quem era. Infelizmente para ele não foi Kaliel que adentrou o lugar.
— Guarda Zaven?
— Ex-guarda.
— Sou um anjo da morte, enviado pelo rei Xyriú.
— Zalen. O nome dele é Zalen.
— Venho informar que Kaliel veio a falecer em meio à guerra. Sinto muito.
Zaven não quis acreditar. Um misto de tristeza e raiva o assolou e quando tomou a palavra começou a falar em tom mais agressivo.
— Onde está o seu rei?
— Vossa majestade pediu para não incomodá-lo.
— Onde ele está?
— Em sua mansão. Trabalhando em seu quarto, mas repito, ele pediu para não incomodá-lo.
Zaven estava tão zangado que nem mesmo quis pensar antes de agir. Sem esperar que seu convidado se fosse ele se teletransporta para a mansão onde Hyrion morava e foi diretamente para o lado de fora do quarto real. Ele abriu a porta e dentro viu quatro fotografias, três eram mulheres e uma era de um homem. O quarto estava bem escuro, apenas a luz do corredor o fazia enxergar o interior do cômodo. Em um canto ele ouviu o soluço de um bebê e ao acender a luz ele viu um berço com uma criança e quatro bolinhas brancas junto e Xyriú sentando em frente a uma escrivaninha com inúmeros livros empilhados. Logo ele percebeu o que o novo rei estava fazendo.
— Vossa majestade vai reviver alguém?
Zaven perguntou com tom de esperança em sua voz esperando que o rei pudesse trazer Kaliel de volta e sua raiva por um momento se esvaiu.
— Quem é você? — Perguntou Xyriú se levantando.
— Eu era guarda real do rei Hyrion. Me chamo Zaven, em sua homenagem.
— Em minha homenagem?
— Sim. Sua criadora o nomeou Zalen e como nossas criadoras eram bem íntimas a minha colocou meu nome parecido com o seu.
— Meu nome é Xyriú, deve estar me confundindo.
— Não. O senhor iria ter uma cria com Kaÿa e ele iria se chamar Xyriú. O senhor estava tão animado que até mandou fazer uma espada especialmente para ele, antes mesmo de ele nascer. Tem o nome dele gravado.
Xyriú percebeu que aquele anjo o conhecia, talvez até mais do que ele mesmo.
— O que quer?
— Minha anjo morreu na guerra, íamos ter uma cria. Sei que não pode reviver o bebê, mas traga ela de volta, por favor. O senhor já vai reviver alguém mesmo.
— Não posso fazer isso.
— Pode sim. Eu posso reaver a alma dela com Miguel. Ela era metade humana e possuía uma.
— Se eu te ajudar terei que fazer com todos os outros que morreram. Não vou te ajudar.
— Mas e essas almas?
— Uma delas é minha esposa e a criadora de minha cria. Os outros são seus amigos.
— Quer dizer que pode revivê-los por pura conveniência, mas não vai me ajudar? — Perguntou Zaven com mais raiva do que quando chegou.
— Exatamente. Agora se puder me dê licença.
Xyriú voltou a se sentar e continuou o que estava fazendo. O anjo ficou revoltado com o novo rei e antes que fizesse alguma besteira e fosse preso disse sua última frase antes de partir.
— O senhor jamais será um rei tão bom quanto o rei Hyrion. Não vejo a hora de te ver morrendo.
Xyriú se levantou para atacá-lo, mas antes que o fizesse Zaven já havia se teletransportado de volta para a Terra. Viveria agora sem a animação de Kaliel.
— Se eu não posso ser feliz, ninguém mais será. — Pensou Zaven consigo mesmo no momento em que se viu sozinho em uma mansão.
Vitor Autor
Enviado por Vitor Autor em 08/06/2018
Código do texto: T6359250
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Sobre o autor
Vitor Autor
Ferraz de Vasconcelos - São Paulo - Brasil, 23 anos
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