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Fix You - Capítulo 31 [FIM]

Capítulo 31 - Você conhece a minha heroína, é aquela bem ali. Ela é apenas uma criança.

- Para de ser bobona, Nina! Monstros não existem! E se existissem eu os mataria, pois sou a...” – A menina de cabelos louros pulou na cama e fez uma pose de heroína. “Super Mari!”

Risos divertidos ecoaram até o quarto de Letícia e Sérgio. Os dois se olharam com um meio sorriso.

- Meninas! Já para a cama! – Exclamou a mulher, ajeitando o livro em suas mãos. – Mariana veio me perguntar se existe a profissão de “super-heroína”.

- Eu acho que Mariana daria uma atriz excelente. – Sérgio disse, sem segurar o riso.

- Essas meninas vão dar trabalho para nós dois, amor.

- Eu concordo.
                                           
                                       E no quarto das gêmeas...
- Nina?

- Oi.

- Está dormindo?

- Quase. Por que?

- Eu queria ver as estrelas, mas a mamãe me falou para não abrir a janela.

- Não abre, ela vai ficar brava.

- Ai, Nina! Você é tão medrosa!

Marine viu a sombra da irmã abrir a janela do quarto.  O brilho da noite brasiliense entrou pelo quarto das meninas junto com o frescor da primavera.

- Que lindo!

- Nossa, é mesmo! – Concordou Marine, com um meio sorriso. – Agora vem deitar ou a mamãe vai brigar conosco!

- Já vou...

Algum tempo depois Mariana deitou na cama, ajeitando-se confortavelmente entre seus ursos e bonecas. O quarto das gêmeas era um agradável mundo cor de rosa, com muita aventura e alegria. Marine dormiu primeiro e quando a outra gêmea estava prestes a dormir, a escuridão tomou conta de seu quarto. Não teve tempo de gritar, de pedir socorro a sua irmã que dormia e muito menos de lutar, como uma heroína. Fora golpeada de modo tão forte no rosto que desmaiou na mesma hora. Era uma heroína, mas também era uma criança indefesa. Tinha que lutar, não? Mas como?

E nada mais fazia sentido em seu mundo de super-heroínas.

(...)

- Não cuidaram muito bem disso aqui. – Francisco jogou as flores morta do túmulo de Letícia em uma sacola. – Esse cemitério é uma vergonha!
Marine, em choque, observava o homem cuidar com todo zelo do lugar que sua mãe fora enterrada. Ela sentia as primeiras lágrimas gordas descerem pelo seu rosto, mas tratou de limpar. Tinha que ser uma super-heroína, como sua irmã fora.

- Admiro a sua coragem em ficar aqui comigo sozinha.

- Você não vai me matar.

Marine pedira a Leah para espera-la do lado de fora. E mesmo sob protestos, a ruiva aceitou.

- Não. Eu nunca tive pretensão de machucá-la. – Eles se olharam. – Você é absolutamente perfeita, mas é como o seu pai. Eu nunca me interessei por vocês dois, somente por Mariana e Letícia.

- Minha irmã era uma criança... – Murmurou, trêmula e enojada com o amor nas palavras do homem. – Você destruiu a vida da minha família!

- A sua família já estava fadada ao fracasso. Sua mãe sempre soube disso, eu falei para ela.

- Você manteve contato com a minha mãe? - A conversa com sua tia voltou a sua memória, fazendo-a dar um pulo. – Você estuprou minha mãe!

- Eu a amei! – Defendeu-se ele. – Eu a amei desde quando a vi pela primeira vez, aos 10 anos de idade. Acompanhei a vida dela e a tomei em meus braços na hora certa. Ainda sinto o cheiro do corpo dela no meu e... – Marine, sem pensar, pulou na direção do homem e o estapeou.

- Você é um homem podre! Minha mãe era uma criança!

Francisco admirava a força daquela jovem assombrada por seu passado.

- Eu a esperei por todos esses anos, Marine. Esperei você voltar para poder me entregar a polícia. Você apagou aquele dia da sua cabeça e carrega uma culpa que não é sua.

- Do que você está falando?

- Quando a sua mãe se envolveu com o Sérgio eu disse a ela para não engravidar. Ela me pertencia e sabia disso. – A cada palavra o horror e desespero de Marine aumentava. – Mas Letícia era teimosa, difícil. Engravidou e não somente de uma, como de duas. Ela me desafiou e foi punida. Esperei 5 anos para ter Mariana para sempre. Não é culpa sua, acredite.

O homem massageou a bochecha onde fora agredido e continuou cuidando do túmulo de Letícia e Mariana, ignorando o de Sérgio. Era a cena mais bizarra da vida de Marine.

- Eu realmente sinto muito por tudo o que a sua mãe te fez passar. Ela foi corrompida por sua própria dor, pois sabia que tinha culpa. Eu disse a ela que a melhor coisa que poderia fazer por você e seu pai era morrer. Letícia se tornou um estorvo.

- Você falou com a minha mãe antes dela morrer?

- Sim, um dia antes. Não tinha mais o mesmo brilho no olhar. Era a sobra do que fora um dia.

Marine ouvia a cada palavra do homem sem conseguir acreditar que estava diante do responsável pela destruição de sua família. Ela colocou a mão no rosto, trêmula. Não conseguia parar de chorar.

- Você estuprou a minha mãe e matou a minha irmã. Como é que você consegue ser tão cínico a ponto de falar da vida delas como se tivesse feito um favor a todos nós?

- E eu fiz. – Ele deu de ombros. Marine então constatou que ele era algum tipo de débil mental, pois não parecia ter total consciência das coisas que fizera. – Sua mãe te odiava, Marine. Você a fazia lembrar de sua punição. O melhor remédio para Letícia era o descanso eterno ao lado de Mariana.

Embora soubesse daquilo, ouvir tais palavras a fizeram sentir a mesma dor que sentira quando criança. A ausência do amor materno na infância a transformou em uma mulher introspectiva, insegura e vulnerável.

- Eu indiquei a ela como se cortar corretamente. Pontos estratégicos para não ter risco de sobrevivência. Sua mãe foi em paz, você sabe disso.

- Eu quero que você fale da minha irmã.

- O que quer saber?

Marine esforçou-se para falar. Sentiu um aperto no coração, mas tinha que ser uma heroína, como Mariana.

- Eu não consigo me lembrar de como foi a morte dela. Tudo era escuro e muito frio...

Francisco se aproximou, mas não houve nenhuma reação de Marine. Ela o observou em silêncio.

- Eu as levei para um parque "Raio de Sol". As duas estavam desmaiadas, mas Mariana acordou primeiro. Era uma garota que tinha muita força na voz, mesmo com apenas 5 anos de idade. Ela lutou pela vida dela, Marine. -  E conforme ele contava aquele trágico dia, as memórias pareciam passar como um filme em sua cabeça. Depois de tantos anos, Marine enfim desbloqueara as lembranças da morte de sua irmã gêmea. – Ela gritou por você, um grito bem forte, o último dela antes de eu esfaqueá-la. Ainda me lembro que você sentou no chão, tinha acabado de acordar e a viu praticamente morta. Vocês se olharam com toda aquela cumplicidade de irmãs gêmeas e depois você desmaiou de novo. Choque, talvez. Eu levei Mariana para um lugar mais longe e te deixei ali. Achei que o frio te mataria, mas aí está você mais viva e forte do que nunca! Estou surpreso, confesso.

Marine sentiu a dor virar ódio e um ódio completamente desenfreado. Nunca sentira algo igual. Era como se tivesse um bicho selvagem dentro dela pedindo passagem. Ela pegou um pedaço de madeira encontrado próximo a um túmulo de um desconhecido e golpeou Francisco na perna, o derrubando na mesma hora. Os outros golpes foram descontrolados. Marine teve vontade de mata-lo. Um, dois, três. Várias vezes. Ela viu o sangue dele espirrar em sua blusa, mas só parou quando viu Leah segurá-la.

- PELO O AMOR DE DEUS, MARINE! NÃO!  - A ruiva segurou o rosto dela. – OLHA PARA MIM! SE VOCÊ MATAR ESSE VERME A JUSTIÇA NÃO SERÁ FEITA!

- ELE DESTRUIU TODA A MINHA FAMÍLIA, LEAH! – Leah ao mesmo tempo que segurava Marine, tentava pegar seu celular do bolso. – EU QUERO DESTRUIR ELE DA MESMA FORMA!

Marine cuspiu em Francisco, que agonizava de dor. Ela não queria que a adrenalina a deixasse, pois desabaria novamente. Estava cansada de ser assim. Queria ser má como as pessoas eram uma com as outras a troco de nada.

- Você não é disso, Nina... – Ela ouviu uma chorosa Leah dizer, enquanto discava o número da polícia. – Alô? Eu quero informar sobre um procurado muito antigo de vocês, ele está aqui no cemitério sagrado coração de Cristo (...)

Com os nervos a flor da pele, Marine sentiu uma dor de cabeça e uma queda brusca em sua pressão. A visão ficou turva e só conseguia ouvir uma voz chamando por ela. Caiu nos pés de Leah na mesma hora.
Leah estava certa. - As pessoas eram uma fábrica de crueldade, mentiras e poucas boas intenções. -  Marine não era disso.

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"Levantou, confusa e olhou em volta do parque. Não tinha ninguém. Mariana e a sombra estranha que as trouxera para cá haviam sumido.

- MARIANA? – Chamou, mas sem muita força. Não teve respostas. Ela se abraçou quando uma brisa fria arrepiou os pelos de seus braços. Tinha que ir embora.

Andou por algum tempo, sem ver a direção ou responder a olhares e chamados preocupados dos adultos na rua. Não lembrava de muita coisa, somente que um estranho levará a sua irmã. Para onde? Por que? Não sabia, mas precisava ver o pai. Ele saberia como ajuda-la. Parou, em frente à sua casa e tocou a campainha.
 
- Oi papai! Que saudades...

Ela sentiu o cheiro do próprio sangue escorrer por seu nariz e lábios, resultando em uma náusea daquelas. Tudo ficara escuro novamente. Marine desmaiou nos pés de seu próprio pai."


(...)


Marine acordou com uma voz a chamando suavemente, mas havia preocupação e zelo. Ela conhecia aquela voz, por isso abriu os olhos lentamente. Ele contemplou a beleza dos olhos azuis turquesa e tocou seu rosto frio da garota que parecia um bebê em seus braços.
 
- O que faz aqui, Leo? – Marine perguntou, sentando-se de forma rude. Ela limpou o rosto e lembrou-se que pedira a Leah para ir a sua antiga casa. – Cadê a Leah?

- Eu pedi para ela me deixar com você. Eu sinto muito pelo jeito que a tratei em São Paulo. Fui um babaca.

- É, você foi.  - Ela respirou fundo, muito cansada devido a todas emoções vividas. – A polícia realmente foi chamada?

- Sim, mas você se recusou a ir ao médico conforme foi orientada pela polícia e desmaiou de novo, pois queria vir para cá. A ruiva te trouxe e eu a encontrei há 1 hora aqui na porta. Você estava dormindo quando cheguei.

- Eu espero que ele seja preso.

- Vai sim. Pelo o que a Leah me disse ele assumiu todos os crimes.
Leo queria abraçar Marine, mas sabia que a sua última atitude o barrava desse benefício. Perguntou-se brevemente se merecia o amor que a prima de Renan tinha por ele.

- Foi horrível. – Murmurou Marine, com a voz trêmula. – Eu nunca pensei que passaria por esse tipo de coisa. O jeito que ele falava, sabe? Como se tivesse feito tudo aquilo pelo bem das duas. Tive vontade de matar ele, Leo. É uma coisa muito pesada e ruim. Já tive vontade de me matar, mas nunca tive vontade de matar outra pessoa.

Ele segurou a mão dela pensando que seria rejeitado, mas não foi o que aconteceu. Marine aceitou o toque e se aninhou nos braços dele.

- Eu senti a sua falta, Leo. – Disse, fazendo-o sentir um imenso peso em seu coração. – Achei que não conseguiria enfrentar aquilo tudo.

Leo beijou o topo da cabeça dela e a apertou em seus braços. Queria desesperadamente que ela o desculpasse.

- Você é uma mulher forte e... – Ele fez com que ela o olhasse nos olhos. – Eu te amo. Eu te amo muito. - Marine o olhou, surpresa. Não esperava pela declaração. – Por favor, não desmaia e nem chora. – Um sorriso nasceu nos lábios dela. - Sinto que você sempre soube, mas eu...

- Eu te amo, Leo.

- Me desculpa por não conseguir falar antes. Essas coisas, você sabe, são muito difíceis para mim.

- Eu sei. Estou feliz que tenha conseguido me falar. Depois de tudo isso, essa foi a melhor coisa que me aconteceu no dia de hoje.

Marine e Leo tinham, enfim, se entendido. O que antes os afastava, agora os uniam. O amor de um fortalecia o outro. A dor dele também era a dela e vice-versa. Do jeito que as coisas tinham de ser.

Passaram em torno de uma semana e meia em Brasília resolvendo as pendências burocráticas na polícia. Não houve nenhum tipo de dificuldade, pois Francisco relatou seus crimes abertamente e de forma bastante fria.

No dia que voltaram para São Paulo, Marine recebeu a mensagem de Leah informando sobre a prisão do assassino de Mariana e Letícia que fora noticiada nos jornais da TV do estado.

Marine tinha se libertado do monstro de seu passado.


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                                  Alguns dias depois...

- Leeeo, olha o arroz no fogo, vou atender a porta! – Marine gritou, seguindo até a porta de entrada da casa dele. Abriu a porta e surpreendeu ao ver Renan e Missaire. – Ei!

- Oi amiga! – As duas se abraçaram.

Renan apenas a observou em silêncio. Não se viam desde o dia que descobriu sobre o antigo relacionamento de Cris e Leo. Aos olhos da prima, ele parecia mais sereno e calmo e aos dele, ela nunca esteve tão feliz como agora.

- Oi Marine.

- Oi! Como você está?

- Estou bem. – Ele segurou a mão de Missaire e a olhou de soslaio. – Muito bem. O Leo está? Preciso falar com vocês.

- Sim, está! Entrem...

Ela deu passagem para os dois entrarem e os seguiu até a sala. Leo saiu da cozinha com um pano de prato nas mãos. O choque ao ver o melhor amigo o travou.

- E aí, cara. – Renan o cumprimentou. Não demorou muito e os dois se abraçaram. – Podemos conversar?

- Sim, claro, senta aí!

Todos se acomodaram nos sofás disponíveis na sala. Marine e Leo em um e Missaire e Renan em outro.

- Eu preciso mesmo entender como é que vocês dois estão juntos. – Marine disse, com um meio sorriso.

- Bem, basicamente eu fui a primeira namorada do Renan na época da escola, mas ele terminou comigo para ficar com a Cris. – Explicou Missaire, de modo bastante simples. – Quando a conheci, amiga, achei muita coincidência você ser a prima dele e ter um rolo com esse aí. – Brincou, fazendo todos rirem. – Desculpa não ter contado antes.

- Tudo bem. Eu estou feliz por vocês.

- É... – Renan começou, meio inseguro. – Não sei como começar a fazer isso, mas vou tentar. – Missaire discretamente segurou a mão dele, em apoio. – Marine, eu quero que você me perdoe por absolutamente tudo que te fiz. Tivemos uma coisa muito maluca, exagerada e intensa que me fazia achar ter algum tipo de controle sobre você, mas é claro que nunca tive. Eu sinto muito por todas as vezes que a humilhei e a fiz se sentir menos do que merecia. Você é uma pessoa incrível, prima. Muito mais guerreira e forte do que eu, mesmo tendo passado por tudo o que passou. Eu não poderia estar mais feliz por ver vocês dois juntos.

- Eu te perdoo, Renan.

Os dois levantaram para trocar um abraço que selava a paz entre eles.

- Leo... Você é meu irmão de coração, o cara que sempre apoiou a todas as minhas loucuras. A pessoa que eu olhei e falei “esse cara vai ser o meu melhor amigo para o resto da vida”. Eu não quero que isso se perca nunca, tá ligado?  Eu espero que possa me desculpar por aquela briga, por nunca ter parado para pensar e ver que na verdade você foi a vítima e principalmente por não ter me preocupado como deveria com as coisas que você passou. Eu te amo muito meu irmão.

- Eu também amo você, meu irmão. E te desculpo por tudo. Espero que você possa me desculpar por ter segurado essa história por todo esse tempo.

Os dois se abraçaram. Na visão de Missaire, ela viu dois adolescentes pentelhos e convencidos. Sorriu, nostálgica. Já Marine viu um recomeço para todos os envolvidos na sala. Sentiu-se realizada.

- Bom, aproveitando esse momento eu quero dizer algo... – Renan começou, com um meio sorriso. Missaire, distraída, olhava o celular. – Ow tonta!

- O que é? – Respondeu, espontânea.

- Quer namorar comigo?

Marine ficou ao lado de Leo assistindo ao momento dos outros dois. Eles se olharam com cumplicidade e viram quando Missaire, emocionada, deu um selinho longo nele.

- Aceito sim, seu idiota.

Foram comemorar almoçando na casa de Renan, com uma comida típica da mãe dele que voltara a morar em São Paulo. A vida reconstruía a família que Marine tanto sonhou em ter.

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Tem coisas que a gente nunca está realmente preparado para acontecer. E é engraçado como isso sempre acontece quando você pensa que tudo está sob controle. Marine fez 21 anos de idade, era responsável por si mesma e tudo o que fora deixado pelos pais, agora vivia em seu próprio apartamento e o nosso namoro nunca esteve tão bom quanto agora. Achei que nada nos separaria, mas no dia de seu aniversário ela recebeu o retorno sobre um estágio na França há 4 anos. Tinha sido aprovada.

Naquele momento eu confesso que me forcei a me manter feliz por ela, mas por dentro o egoísmo me fez ter vontade prendê-la num quarto e nunca mais deixa-la sair. Era um sentimento horrível. Lembrei, então da minha própria história familiar e me culpei por sentir tal coisa.

Minha mãe vivera algo parecido e lutou contra o machismo do meu pai.
Ela sempre trabalhou e foi independente, mesmo quando seu marido queria impedi-la de trabalhar. Eu assistia as brigas deles. Eu vi o que meu pai dizia. Via como minha mãe chorava. Como é que eu poderia ser como ele?

Tomei a minha decisão naquele momento.

- Você tem que ir, Marine. É o seu futuro.

Estávamos na sala, em seu apartamento. Ela me olhava, chorosa devido a toda discussão que tivemos no caminho. Confesso que falei coisas egoístas, já que na hora tudo aquilo parecia um divisor de águas em nossa vida, agora mais calmo, sei que é a vida dela.

- E nós, Leo? - Tomei Marine em meus braços e a beijei suavemente.  – Não faz isso, Leonardo! Não age como se estivéssemos nos despedindo.

- Amor, olha para mim... – Ela olhou, mas a contragosto. – Eu te amo. Eu te amo muito, mas nunca na vida que eu ficaria entre você e o seu futuro.

- Como você pode saber se é mesmo o meu futuro? Eu estou quase me formando, trabalho em uma empresa boa. Estou contente com o que tenho.

- Você sempre me disse que ama aprender. Essa experiência será totalmente enriquecedora, Marine. Não se arrependa de não ter ido.

- Você não me respondeu uma coisa... – Nos deitamos na cama. – E nós?

- Nós vamos terminar. – Ela se escondeu no meu peito e fungou muito alto. – Não vou te prender a mim, de forma alguma. Vai para a França, potencializa seus estudos e absorva tudo o que tiver para absorver e volta, se ainda me quiser. Eu estarei aqui Marine, eu sou seu.

- Mas e se você encontrar alguém?

Toquei seu rosto, carinhosamente. Olhei cada detalhe daquele rosto que me encantou desde que vi pela primeira vez. Mesmo que eu encontrasse alguém, seria impossível que me encantasse tanto quanto Marine.
Nenhuma história seria como a que vivi com ela ou sentimento algum seria como o que tenho por ela. Eu sentia uma dor imensurável por ter que apoiar sua partida, mas era o certo.

- Eu não vou encontrar ninguém como você, Marine. Nunca.

A nossa última noite juntos foi repleta de intensidade, juras, tristeza e amor. Do jeito que uma despedida tinha de ser.

Marine partiu uma semana depois da nossa última semana juntos. E com ela, o meu coração e todos os meus sentimentos juntos. Era definitivamente a mulher da minha vida.

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Os 2 anos de minha partida tornaram-se 4. Nesse tempo o meu contato com Leo fora reduzido, pois nossos caminhos naturalmente se distanciaram um do outro. Eu sabia dele através de Missaire, Renan e da minha tia. Inclusive, Missaire e Renan se casaram. Incrível, né? Como não estava no Brasil, eles escolheram Leo e uma prima dela para serem os padrinhos do casamento.

Leo se tornou gerente da empresa que trabalha há 3 anos, se mudou para um apartamento no centro há alguns meses e nas horas vagas dava aula em uma faculdade. Depois de todo esse tempo vê-lo de surpresa na festa de casamento de Missaire e Renan me trazia um frio na gigantesco na barriga.

Quando enfim pude vê-lo, Leo estava no bar do salão bebendo whisky. Me sentei ao seu lado, em silêncio. Na verdade, não sei como consegui me sentar, pois me tremia toda. Demorou alguns segundos para que ele me olhasse e quando aconteceu, tive vontade de me jogar nos braços dele.

Primeiro ele abriu a boca várias vezes, mas não conseguiu enunciar som algum. Depois apontou para mim, surpreso e olhou para trás. Missaire e Renan nos olhavam, emocionados.

- Oi Leo.

- Marine. – Ele sorriu. Naquele momento eu soube que o tempo não tinha passado para a gente.

- Espero ter chegado a tempo.

- Chegou sim. Eu sempre estive esperando por você.

Uma semana depois estávamos morando juntos no apartamento dele. Eu pensei que todo o tempo longe um do outro faria com que nos perdêssemos, mas na verdade a distância mostrou como era verdadeiro o que sentíamos um pelo outro e nada mudou, mas se recolocou. Essas recolocações tornaram o nosso relacionamento muito forte e seguro. Eu não tinha mais medo de perdê-lo, e ao meu lado, ele não tinha medo de sentir. Éramos a morada um do outro e tínhamos nos consertado de dores e tragédias do passado.
 
Talvez nosso relacionamento não fosse eterno, o que pode acontecer, mas era verdadeiro e intenso e todos os dias fazíamos valer a pena.

Era incrivelmente libertador ser eu mesma com alguém que amo e confio.

De coração? Espero que um dia vocês também descubram como é isso.


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Bem, a história foi repostada pois eu pulei capítulos feito a tonta que sou sempre kkkkk peço que me desculpem. Para evitar novos post's, coloquei tudo em uma coisa só e estou editando aos poucos.

Tamiris Vitória
Enviado por Tamiris Vitória em 08/09/2019
Reeditado em 08/09/2019
Código do texto: T6739947
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Tamiris Vitória
São Paulo - São Paulo - Brasil, 25 anos
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Tamiris Vitória