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A Cidade dos Corvos - A Dona da Casa

Ainda caminhando o Supremo me levou até o fim da floresta,em volta de toda ela, havia uma parede transparente que dava para ver uma região escura e densa e algumas árvores mas não dava para ver totalmente. Supremo parou em frente daquela parede lisa e transparente e falou:



-Bem Tom, aqui é que nos despedimos, basta apenas você passar, sua passagem já foi liberada. Boa sorte nessa jornada. Até logo Tom. -o supremo colocou as mãos nos meus ombros e então desapareceu.



Boo e Zoo me abraçaram, um de cada vez, e depois, os dois, foi o abraço mais sincero e honesto que eu já havia sentido. Eu não fazia ideia de que, mesmo por pouco tempo, eu sentiria a imensa falta dos dois, eram amigos do meu peito e eu iria lutar pensando em cada um deles.



-É meu amigo, é hora de partir. Obrigada por tudo . - falou Zoo me abraçando.



-Eu quem digo, obrigada pela coragem. - falei sorrindo fraquinho.



Eu sou péssimo com despedidas.



-Você me parece pronto, tenho certeza de que vai conseguir lutar contra a megera, e não se esqueça de nós hein?!-falou Boo.



-Como posso esquecer…..eu estou pronto. Chega de fugir. - fale sorrindo para os dois.



E nos abraçamos novamente.



-Bom, chega de abraços, agora, está na hora de partir. - falou Boo e Zoo se afastou de mim e ambos deram um aceno singelo.



Eu passei pela barreira transparente, e eu pude ver Boo e Zoo do outro lado, mas tenho certeza de que eles não me viam mais. Eu respirei fundo, e segurei o máximo possível de ar nos pulmões, como se isso fosse resolver alguma coisa. Comecei a caminhar entre as árvores, até que eu encontrei um caminho escuro, uma pista, não sei como aquela pista apareceu ali, eu só sei que ela estava, e olhando para trás, eu percebi que eu tinha saído da floresta e ido para a estrada,acredito que era para que não descobrissem a localização da floresta, só poderia ser aquilo. Continuei a minha caminhada, sem saber muito bem para onde que eu deveria ir, só continuei caminhando a minha frente,não sabia se o rumo era o certo, mas o meu coração e minha intuição me diziam que e deveria continuar.



Loucura né?!.



" Seguir o meu coração",



pareço até uma menina falando….



Continuei caminhando, quando eu olho para o céu,e uma fila de corvos passavam voando em cima de mim, corvos me indicavam o caminho certo. Quando cheguei no final da estrada, havia uma mansão enorme ali cercada por pinheiros altos, e o fim da rua dava de cada com a casa, ou seja, pelo visto, ali só havia aquela casa. Sem muita alternativa e nenhuma informação, fui caminhando até a mansão, quem sabe, a moradora não me dissesse exatamente o que eu precisava para encontrar Medusa,há alguns passos próximos da mansão, uma sensação estranha se apoderou de mim, por algum motivo eu não precisaria perguntar o morador onde ficava a casa de Medusa, porque na verdade, eu já havia encontrado a mansão.



Havia chegado próximo a casa,era bem alta, e certamente havia mais do que dois quartos no lote, ela era escura, era feita de madeira e havia pedras por volta dela e no jardim também,parecia uma mansão de filme de terror. Quando olhei para caixa de correios, eu tomei um susto enorme, nela havia escrito um nome : "Medusa S. M", e eu não tive a menor dúvidas de que ela estava em casa, as luzes estavam acesas, e parecia ter movimentos na casa, então era aqui que ela morava. Eu não sabia se eu deveria bater, tocar campainha, entrar em grande estilo, ou, sair correndo dali rapidamente, e no final, além de discutir comigo mesmo que a última opção era a melhor, eu decidi tocar a campainha e seja o que Deus quiser, e foi assim que eu fiz.



Me aproximei da entrada da casa, e naquele momento, só pude ouvir as batidas do meu coração e do meu sapato velho na rua, subi os degraus, eles rangeram, e todo o expert em filmes de terror e séries sabem que, se a escada ranger, é sinônimo de morte na certa. O capiroto ou demônio, ou coisa ruim, sempre mata aquele quem pisa nos degraus das escadas dele. Sem ter qualquer outra alternativa, subi o último degrau da escada e então, toquei a campainha, e de repente, pareceu que eu era apenas um vizinho novo trazendo um pedaço de torta como boas vindas. Ouvi alguns passos de salto alto vindo e depois parando, toquei novamente na campainha, e os passos vieram na minha direção, sem dúvidas era de uma mulher  (A não ser que hoje em dia seja comum um homem usar salto alto em pleno dia), quando a porta se abriu, o meu coração quase chegou a ser vomitado pela boca, para a minha surpresa uma mulher negra, com cabelos cacheados e uma maquiagem simples,(exceto pelo batom vermelho vivo no rosto), me recebeu com um belo sorriso branco no rosto, demonstrando pura simpatia e cordialidade. Para mim, aquela podia ser qualquer mulher, menos a Medusa, eu imaginei ela como uma bruxa,com uma verruga no rosto e olhos esbugalhados, mas tudo que eu tive foi uma bela moça negra, com cabelos soltos e cacheados e um belo sorriso com uns olhos azuis vivos que nesse momento, estavam bem vivos e intensos.



Alguém parecia estar feliz em me ver.



Depois de alguns minutos parado igual uma besta olhando para aquela mulher bonita, eu decidi finalmente falar:



-O-oi…..e-eu…..estou a procura da….da…...da….Sra…..Medusa. Ela mora aqui? -falei meio sem jeito.



Pareço um completo idiota!.....que vergonha!.....



-Tom!.....Meu Querido!….entre!...como você está imundo! -falou a mulher totalmente cordial e simpática.



Eu já estava achando estranho.



-Ahm….a Sra sabe se a Medusa vai estar em casa?.....quer dizer…..Quando….-falei ainda parado na porta olhando para ela.



A mulher gargalhou e a sua voz era doce, totalmente diferente da de Medusa, pelo menos era o que eu havia ouvido alguém falar.



-Tomas….sou eu Medusa! -a mulher abriu os braços na minha frente e o meu queixo caiu- agora, entre,é falta de educação fazer a dona da casa ficar plantada implorando para o convidado entrar. -falou Medusa sorrindo para mim.



E eu dei o primeiro passo pela porta, achando que o teto iria cair, uma rede cairia em cima da minha cabeça ou dardos com veneno sairia pelos quadros,mas no final, nada aconteceu. O corredor que dava na porta de entrada, era um marrom claro, havia um móvel com vasos de flores, e tudo tinha muita luz e a casa era perfumada, totalmente diferente da vista de fora. A casa não havia nada de rústico ou velho,tinha cheiro de limpeza e organização, o piso não fazia o menor barulho, e quando a porta se fechou atrás de mim, Medusa deu alguns passos e ficou na minha frente, ela estava usando uma capa preta que parecia um vestido, e uma calça preta com um corpete em cima por baixo da capa preta, o corpete havia pedras brilhantes por todo ele que brilhavam quando a luz do teto passava por eles.



Medusa foi caminhando e passando pelo corredor a minha frente, e pude sentir o seu perfume atrás de mim, dizem que o capiroto não fede……



-Bem Tomas, seja Bem Vindo a minha humilde residência,espero que fique confortável,eu reservei um quarto para você ficar, lá tem roupas limpas e um banheiro só para você. Sabia que você chegaria, só não sabia exatamente quando, mas mesmo assim eu deixei ele reservado para você. Nada que se passa aqui é escondido de mim, eu tenho olhos por todos os lados - ela deu um sorriso fino com uma maior prazer em dizer aquilo.



-Ahm…..então…..a Sra viu onde que eu estava?! - falei surpreso.



-Sim, todos vocês….eu vejo exatamente tudo o que vocês fazem,mas não posso tomar atitudes drásticas, até porque, eu não sou má sou apenas objetiva. Mas chega de papo! Vamos jantar? Estava esperando por você! -Sorriu ela se virando para mim e falando rapidamente: - mas antes, por favor Tomas, tome um banho. Seu quarto fica no primeiro corredor a direita, só subir as escadas, o número do seu quarto é o 5, espero que você curta. -ela deu uma piscadela para mim.



E eu me arrepiei todo.



Aquela mulher era realmente maligna.
Thatty Santos
Enviado por Thatty Santos em 06/01/2020
Código do texto: T6836023
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Sobre a autora
Thatty Santos
Praia Grande - São Paulo - Brasil, 21 anos
51 textos (240 leituras)
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Thatty Santos