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VIAGEM IMAGINÁRIA



Saímos às sete e meia da manhã, seguindo o mapa que eu carregava na mochila. Nos deslocamos do centro da cidade de Cordisburgo duas horas depois. Muitas pedras, mato escorregadio no percurso do sereno da noite. Paramos numa pedra para beber água e comermos. Descansamos um pouco e continuamos. Meio do caminho e já era noite. Levamos um cobertor e esticamos naquela grama molhada de orvalho, nos agasalhamos. Estávamos em Julho. Custamos passar a noite ali. Pegamos um atalho, uma trilha mais reta para encontrarmos essa gruta. No mapa que nos direcionava, dizia que dentro dela encontraríamos vidas com meio de vida diferente de nós. Ainda havia um bom pedaço de chão para caminharmos. A trilha era fechada pelas árvores e às vezes escorregadias pela água da mina que escorria da gruta. Caminhamos mais três horas e nem acreditamos no que vimos. Na gruta havia mesmo uma abertura enorme como a de uma caverna, mas não encontramos ninguém, mas alguém habitara ali. Havia um lindo Jardim muito bem cultivado e cheio de rosas de todas as cores misturadas às outras flores vistosas e coloridas. Creio que alguém nos vira subindo. Entramos devagar, lá dentro havia um lago azul de águas claras. Vimos várias pessoas escondidas por entre aquela vestes brancas penduradas naquele lugar paradisíaco, ouvíamos o sussurrar parecendo vozes conversando e provavelmente com medo de nós. Procuramos no mapa algum resquício do lugarejo para saber quem habitava aquele lugar. Mas não havia número de habitantes para aquela exuberância toda.
Continuamos adentrar e encontramos umas criaturas baixinhas, cabelos brancos, barbas compridas e outras pequenas criaturinhas com vestes verdes da cintura para baixo com coletinhos coloridos e adornados por colares de flores. Ficaram muito assustadas, mas foram chegando perto de nós sentindo nosso odor, talvez para reconhecer em nós algo comum ou não. Perguntamos de onde eles vieram e se assustaram com nossa voz. A fala deles era diferente da nossa. Eles olhavam uns para os outros, faziam gestos, acreditávamos que era um meio de comunicação que eles usavam. Aos poucos deixaram que nós os tocássemos. Eram seres dóceis. Uma mulherzinha fez um gesto para que abaixássemos a cabeça e nos adornou com seus colares de pétalas. Puxaram-nos pelas mãos e nos levou gruta adentro. Era surreal mesmo. Estalactites e estalagmites ofuscavam nosso olhar com seus brilhos. Todas suas vestes penduradas em tecidos feitos com folhas secas das árvores, a comida a base de frutas da estação. Castanhas, nozes e sementes e outros alimentos também exóticos da natureza no entorno. Tudo era colorido lá dentro. Tomavam banho no lago azul e se secavam ao vapor quente mais profundo da gruta. Enrolavam-se em folhas gigantes nativas daquele lugar. Ficamos encantadas. Havíamos conseguido chegar ali e ficamos felizes em descobrir seres de luz, nos mostrando a importância de se viver em grupo dividindo tarefas. Tudo era tão real se eu não tivesse caído da cama com meu livro na mão me despertando da viagem imaginária do sonho que naquela noite me fez resgatar a importância do caminho que fiz com minhas três amigas do coração. Como todo bom sonho é meio bruxaleante, encontrei aos pés da minha cama quatro pedras diferentes: Quartzo, Turmalina, Esmeralda e Cristal e nelas estavam as iniciais dos nossos nomes. Entreguei para cada uma delas e fizemos um pacto de amizade. Guardaríamos cada pedra em nossas caixinhas de músicas para que quando déssemos corda o som da gruta nos enchesse de lembranças onde não seriam apagadas pelo tempo. Assim fizemos. Hoje descobri que esta estória só existe porque minha lembrança foi um sonho que na grafia se materializou transmutando minha pedra em palavras. Aqui adormeci onde escrevi...

03/01/21


Sou confeccionada e costurada pelos sonhos...
Não me acordem antes do derradeiro tempo...
Meu inconsciente é viajante e eu sou a viagem...
Minha pedra é a lembrança de mim no tempo...

Ana Lúcia
Ana Flowers
Enviado por Ana Flowers em 05/01/2021
Código do texto: T7152415
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Ana Flowers
Betim - Minas Gerais - Brasil, 47 anos
113 textos (2183 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/01/21 04:40)
Ana Flowers