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(Socio) linguística: história e considerações

A Linguística tem início com o lançamento da obra póstuma intitulada "Curso de Linguística Geral", do suíço Ferdinand de Saussure, em 1916. É um estudo que se baseia na dicotomia langue/parole, pois o estudioso não considerava a influência existente entre linguagem e sociedade, embora reconhecesse a língua como um fenômeno mutável visto que não há "imobilidade absoluta" (SAUSSURE, 2006, p. 163). A corrente científica do linguista suíço ficou conhecida como "Estruturalismo", e via o funcionamento da língua como um produto homogêneo e sem interferências externas na sua formação, e por isso, é passiva de críticas e foi o estopim para novos estudos na área da linguística, principalmente, por uma vertente que relacionava linguagem e sociedade. E, foi a partir dessa inquietação, que surgiu a Sociolinguística, na década de 60. William Bright organizou um congresso na Universidade da Califórnia - UCLA, nos Estados Unidos, reunindo 25 pesquisadores com trabalhos com temas variados mas um ponto em comum: a influência social na linguagem. Pouco tempo após o congresso, foram publicados os trabalhos com o título de "Sociolinguistcs", surgindo assim uma ciência relativamente nova, instigante, e com um campo de pesquisa grandioso. No entanto, conforme Louis-Jean Calvet, a relação linguagem e sociedade já havia ganhado traços com os estudos do linguista francês Antoine Meillet (1866 - 1936): "[...] insistiu em numerosos textos no caráter social da língua, ou a definiu preferentemente como um fato social" (2002, p. 13). Considerado um seguidor de Saussure, veio se opor ao estruturalismo linguístico após a publicação da obra póstuma do suíço; ainda, o sociólogo inglês Basil Bernstein também trouxe uma concepção de interdependência entre o social e as manifestações linguísticas, "[...] que o aprendizado e a socialização são marcados pela família em que as crianças são criadas, que a estrutura social determina, entre outras coisas, os comportamentos linguísticos" (CALVET, 2002, p. 18). Contudo, só em 1964, a Sociolinguística ganha destaque e consolida-se como ciência, em decorrência do estudo acerca da estratificação social em Nova York, realizada com vendedores de lojas de padrões sociais diferentes pelo linguista norte-americano William Labov, e ficaria reconhecida como Teoria da Variação ou Sociolinguística Variacionista; ainda compõe-se de mais duas teorias, conforme Rebouças e Costa: "A sociologia da linguagem, a etnografia da fala ou da comunicação [...]" (2014, p. 2).
Quando falamos de linguagem sempre nos remetemos a sociedade, pois o primeiro modifica-se de acordo com o segundo. Assim, estudar as mudanças linguísticas compreende, também, um estudo acerca de sua comunidade de fala: costumes, etnia, religião, faixa etária, e demais fatores que caracterizam um grupo social. E são as características deste grupo social que acarreta o preconceito linguístico. Pois, as diferenças que se apresentam na linguagem é decorrente da situação social em que o falante habita, fato confirmado por William Bright (citado por Calvet, 2002, p. 21): "Uma das maiores tarefas da sociolinguística é mostrar que a variação ou a diversidade não é livre, mas que é correlata às diferenças sociais sistemáticas". Assim, mesmo com divisões teóricas dentro da Sociolinguística, linguagem e sociedade são unânimes nesta perspectiva científica.

Referências Bibliográficas:

CALVET, Louis-Jean. Sociolinguística: uma introdução crítica. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial, 2002, 160 p.

REBOUÇAS, Ângela Cláudia Rezende do Nascimento; COSTA, Ivandilson.  A sociolinguística variacionista: fundamentos, pesquisas, pontos críticos. Revista Interletras, vol. 3, ed. 19. Abril, 2014/ Set. 2014. Disponível em: <http://unigran.br/interletras/ed-anteriores/n19/conteudo/artigos/3.pdf> Acesso em: 23 dez. 2016.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. 27 ed. São Paulo: Cultrix, 2006. 278 p. (Obra Completa)
Daniel da Rocha Silva
Enviado por Daniel da Rocha Silva em 08/01/2018
Reeditado em 08/01/2018
Código do texto: T6220777
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Sobre o autor
Daniel da Rocha Silva
Tobias Barreto - Sergipe - Brasil, 29 anos
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Daniel da Rocha Silva