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A Verdade Sobre a Tradução – Quem Conta um Conto, Aumenta Um Ponto

“Quem conta um conto, aumenta um ponto” é um provérbio bem conhecido pelos tradutores e escritores literários, e na lição de hoje irei explicar como este provérbio revela algo deslumbrante no ramo da tradução.
 
Algo que me deixa muito perplexo é estudar a complexidade do que a tradução possa ser. De fato, a maioria dos tradutores dão definições diferentes para a tradução, e alguns deles afirmam que a tradução é um bicho-de-sete-cabeças, uma teoria que não pode ser ensinada e nem simplificada. Contudo, apenas pessoas com indescritível imaginação conseguem compreender a complexidade da transposição de uma língua para outra. Além disso, fez-se muitas pesquisas para se obter com precisão uma compreensão abrangente dos artifícios usados para se traduzir desde uma simples palavra ou frase até um texto complexo de uma língua para outra de forma que não haja inequívoco por parte de quem está traduzindo ou traduz. É isso que gostaria de deixar bem claro aqui neste estudo sobre a tradução. Uma verdade que talvez possa ajudá-lo a ter um bom entendimento da tradução, e de como ela afeta o público-alvo.

Com técnicas bem simples, irei ensinar aqui como entender os procedimentos complexos da tradução e como desvendar os mistérios que giram em torno da tradução, se é que há mistérios. Para mim, não uso o termo mistérios ou enigmas, mas sim termos como dificuldades, artifícios e complexidades que tornam o processo de tradução muito difícil para aqueles que não dominam a profissão de tradutor.  

 
Em minhas pesquisas, tenho bastante notado que tradutores lidam com termos chaves, isto é, palavrinhas que são elementos de coesão contextual que muitas vezes dificultam o entendimento de uma frase, e sua conversão para a outra língua. Outro problema que gostaria de relatar acerca da tradução está relacionada ao um procedimento que eu denominaria como acréscimos, omissões, empréstimos linguísticos e equivalência.  Por equivalência, gostaria de deixar bem claro aqui, que uso este termo não para se referir como “elemento semelhante ou igual a outro, mas que equivalência refere-se ao procedimento de tradução que tenta o máximo fazer com que palavras, grupos de palavras ou expressões se conformem com a ideia expressa pelos falantes da língua-alva, ou seja, para o idioma a ser traduzido. Para exemplificar este sentido novo de equivalência, compreende-se que mesmo palavras que são traduções aproximadas de uma língua para outra não seguirão um mesmo nível de igualdade porque a forma como dizemos (ou escrevemos) algo em português talvez não serão nas mesmas palavras quando forem traduzidas para o inglês. Em outras palavras, por exemplo, se eu disse: Já sei disso, e traduzi-lo: I already know that, soará chocante para um americano, ou pessoa de país de língua inglesa, sendo que não se coincidirá com You are telling me, que é uma maneira que um americano usaria. E aí, você diz: Mas não faz o menor sentido traduzir Já sei disso por You are telling me (literalmente: Você está me dizendo). É isso que tentarei desvendar por meio de explicações e pesquisas no decorrer deste texto.

Usando o Google tradutor para traduzir Já sei disso, você obterá a seguinte tradução: I already know that.

Ao comparar I already know that forma dita por um brasileiro com You are telling me vinda de um americano, você realmente nota a importância de levar em consideração a conversão de pensamentos por meio da tradução. São inúmeras frases que passam por interpretações sociolinguísticas no processo de tradução que para serem ditas na língua-alva precisam se distanciar de paridades lexicais ou semelhanças lexicais, e isto acontece mesmo quando há aproximações lexicais durante o processo de tradução como você verá em alguns exemplos aqui nesta abordagem sobre a tradução.

 
Mesmo termos simples como ser humano (human  being), ser vivo (living being), etc. passam por um processo chamado de inversão de ordem, onde um dos substantivos funcionará como qualificador do outro em português. Em inglês prevalecerá a ordem inversa: human being (literalmente: humano ser), living being (literalmente: vivo ser).
 
Mas não é só palavras ou grupos de palavras que requerem atenção especial, há muitas expressões e gírias que não podem ser traduzidas literalmente. Algumas expressões como ter alguém na palma da mão, ser da mesma opinião, fazer palhaçada, falar na lata e sair de si jamais devem ser interpretadas ao pé da letra. Ao fazer uma tradução destas expressões idiomáticas do linguajar brasileiro, vê-se a necessidade  de evitar a todo custo uma tradução literal. Para isso o tradutor precisará encontrar equivalentes em inglês que transmitam a ideia correta destas expressões conformem seriam ditas por um falante nativo de inglês (americano, britânico, etc.). Para uma pessoa que confia demais em dicionários de traduções, aqueles dicionários inglês-português e português-inglês o inequívoco seria muito grande. Veja nos exemplos, como ficariam as traduções destas expressões partindo de um brasileiro inexperiente em tradução e de um falante nativo de inglês.

Ao traduzir ter alguém na palma da mão para o inglês, uma pessoa inexperiente a traduziria to have someone in your palm, enquanto um falante nativo de inglês diria to have someone under one's thumb. Da mesma maneira, aconteceria com a expressão ser da mesma opinião que poderia até ser traduzido por to be of the same opinion, mas to be of the same mind é usado bastante por falantes nativos de inglês, por transmite uma ideia mais correta de unidade de pensamento, em que a mente é o foco, e não apenas as palavras que são proferidas. Se você acha que fazer palhaçada é to do clowning ou to make clowning, você se enganou, uma falante nativo de inglês usaria to act the fool, to monkey around. Se você quer traduzir falar na lata jamais o traduza por to speak in the can para não cair na gargalhada, pois um falante nativo de inglês falaria to put it on the line. Outra expressão que gostaria de usar como exemplo é sair de si, que traduzida literalmente será to go out of oneself, enquanto que um falante de inglês usaria to flip one’s wig. Consegue perceber que expressões idiomáticas não podem ser ditas à nossa maneira, mas sim corresponder a forma como seriam ditas por falantes nativos de inglês?

 
Mas como já comentado anteriormente, não é só expressões idiomáticas e gírias que são o problema em um processo de tradução, há inúmeras palavras ou grupos de palavras em português que não remetem as traduções fornecidas pelos dicionários inglês-português e português-inglês e você só conseguirá o equivalentes delas pelo contato com falantes nativos de inglês.
 
* Embora eu use aqui o termo tradução para se referir a tradução escrita feita por um humano, o termo se aplica aos diversos tipos de tradução.

The Truth About Translation – A Tale Never Loses In The Telling

A tale never loses in the telling is a well-known proverb used by translators and literary writers, and in today's lesson I will explain how this proverb reveals something striking in the field of translation.

What rather puzzles me is to study the complexity of what translation can be. In fact, most translators give different definitions for translation, and some of them claim that translation is a rocket science, a theory that cannot be taught or simplified. However, only people with unspeakable imagination can understand the complexity of rendering one language into another. In addition, much research has been conducted so that a comprehensive understanding of the methods used to translate from a single word or phrase to a complex text from one language to another in order to avoid ambiguity in the text to be translated may be understood by the target audience. That is why I would like clarify here in this translation study. A truth that can help you to have a good understanding of translation, and how it affects your target audience.
 
By using simple techniques, I will teach you how to understand the complex procedures of translation and how to unveil the mysteries which surround translation, if mysteries exist. For me, I do not use the term mysteries or puzzles, but terms such as difficulties, methods and complexities that make the translation process very difficult for those who do not master the profession of translator.
 
In my research, I have often noticed that translators cope with key terms, that is, words that are contextual cohesion elements that often make difficult the understanding of a sentence, and its rendering to another language. Another problem I would like to tell of translation is related to a procedure described as additions, omissions, loan words and equivalence. By equivalence, I would like to clarify here that I use this term not to refer to “an element similar to or equal to another, but that equivalence refers to the translation procedure that does its utmost to make words, groups of words or expressions be in harmony with the idea expressed by the speakers of the target language, i.e. the language to be translated. To exemplify this new sense of equivalence, it is understood that even words that are approximate translations from one language to another will not follow the same level of equality because the way we say (or write) something in Portuguese may not be in the same words when they are translated into English. In other words, for example, if I said: Já disse isso, and translate it: I already know that, it will be shocking to an American, or English-speaking person providing that it will not be the same as You are telling me, which is the way an American would use. And then you say: But it doesn't make any sense to translate Já sei disso for You are telling me. This is what I attempt to unveil through explanations and research throughout this text.
 
Using Google Translator to translate Já sei disso, you will get the following translation: I already know that.
 
By comparing I already know that as said by a Brazilian with You are telling me coming from an American, you really see the importance of considering the conversion of thoughts through translation. There are countless sentences that go through sociolinguistic interpretations in the translation process that to be said in the target language need to be separated from lexical parities or lexical similarities, and this happens even when there are lexical approximations during the translation process as you will see in some examples with this approach.
 
Even simple terms like ser humano, ser vivo, etc. go through a process called inverse order, where one noun will function as a qualifier of the other in Portuguese. In English the inverse order will prevail: human being (literally: humano ser), living being (literally: vivo ser).
 
But it is not just words or set of words that require particular attention, there are many expressions and slang that cannot be translated literally. Some expressions such as ter alguém na palma da mão, ser da mesma opinião, fazer palhaçada, falar na lata e sair de si should never be interpreted literally. When translating these idioms of Brazilian language, there is seen a need to avoid a literal translation regardless of reason. To this end, the translator will need to find English equivalents that convey the correct idea of ​​these expressions as they would be said by a native speaker of English (American, British, etc.). For a person who trust too much on translation dictionaries, those English-Portuguese and Portuguese-English dictionaries, mistakes are impossible. See in the examples how the translations of these expressions would be said based on translations made by an inexperienced Brazilian and a native speaker of English.
 
To translate the expression ter alguém na palma da mão into English, an inexperienced person would translate it to to have someone in your palm, while a native speaker of English would say to have someone under one's thumb. In the same way, it would happen that the expression ser da mesma opinião that could even be translated by to be of the same opinion, but to be of the same mind is frequently used by native English speakers, because it conveys a more correct idea of ​​unity of thinking, where the mind is the focus, not just the words that are spoken. If you think fazer palhaçada is to do clowning or to make clowning, you are wrong, a native speaker of English would opt out to say to act the fool, to monkey around. If you want to translate falar na lata never translate it to to speak in the can so as not to burst into laughter because a native speaker of English would use to put it on the line. Another expression I would like to use as an example is sair de si, which literally translated would be to go out of oneself, while a native speaker of English would prefer to say to flip one’s wig. Can you see that idioms cannot be spoken in our own way, but correspond to the way they would be spoken by native speakers of English?
 
But as mentioned earlier, not only idioms and slang are real problems in a translation process, there are countless words or set of words in Portuguese that do not cross-refer the translations provided by English-Portuguese and Portuguese-English dictionaries and you will only get their exact equivalents by contact with native speakers of English.
 
* Although I use the term translation here to refer to a human's written translation, the term applies to various types of translation.
Giljonnys Dias da Silva
Enviado por Giljonnys Dias da Silva em 20/08/2019
Reeditado em 30/08/2019
Código do texto: T6725095
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Giljonnys Dias da Silva
Lago da Pedra - Maranhão - Brasil, 33 anos
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Giljonnys Dias da Silva