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Influência Lexical, Sintática e Fonológica da Língua Nacional Umbundu no Português.


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A afirmação que a nossa Língua Portuguesa é Angolana é cada vez mais evidente e verfica-se frequentemente na fala dos próprios angolanos.o Português em Angola, vai assumindo estruturas das Línguas Nacionais - a depender da língua influente na região- a nível lexical, fonológico até sintático o que lhe torna uma variedade totalmente diferente em relação ao Português Europeu.
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A nível lexical ouve-se muito por aqui as seguintes sentenças:
- o Fernando é "Assanhado".
O Adjectivo "assanhado" está tão assente nas mentes dos falantes que até parece que não surgiu do Umbundu, uns até a partir deste adjectivo criaram o substantivo "assanhadice", repare " Flor, essa tua assanhadice me incomoda muito.", mas a verdade é que esta palavra assanhado ou assanhadice deriva do verbo Umbundu "okusanhala/okusanyala" ( Obs: as duas escritas para que nenhum falante do Umbundu se sinta menosprezado, estámos a alegrar os Gregos e os Troianos) e significa na língua de origem " estar agitado, não parar quieto", em UmbundU " Wasanyala (nhala) inene", estás muito agitado, assim, o nome "assanhadice" é sinónimo de "agitação".
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- O Fernando tem uns "atongocos".
Esta palavra até é engraçada pela forma como é expressada pelos falantes, ou seja, o famoso "afinar" é visível com esta palavra até como se não se tratasse de "Umbundu", mas é, repare "okutongoka" é um verbo cujo radical "tongoka" dá em " atongoko" em português com o significado de ter "à toa", assanhado, agitado, assim, quando se diz "- Tens muito atongoko." o falante quer dizer que tens muito à toa, ês brincalhão, assanhado.
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"- A minha bola ASSACOU na árvore." O verbo "assacar" nesta frase deriva de okusaka em UmbundU que significa "engatar, prender-se", assim quando um menino do Lobito/Benguela dizer " A minha bola ASSACOU na árvore ." ele quer dizer que ficou presa na árvore. A construção " A minha bola ficou presa na árvore" praticamente não se usa, pelo que pode em muitos casos não comunicar.
Além destas palavras temos outras, mas por enquanto ficamos com essas.
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A nível sintático a influência é visível, principalmente, nas frases interrogativas, sabemos que em português o normal é o pronome interrogativo aparecer antes repare " onde vais?" Ou " quanto é?", " como é" ou " o que é?" o que não se vê no Português falado em Angola, a nossa construção sintática obedece a estrutura das Línguas Nacionais, no meu caso do Umbundu, " vais onde?", " é o quê?", " é quanto/quando?", ou seja, o verbo antecede o pronome interrogativo repare wenda pi?(vais onde?), " ombolo yipita ciñgami/tchiñgami(o pão custa quanto?). Eci/etchi nye/nhe?( É o quê?) Cikapita/Tchikapita eteke lypi?( vai ser quando) isto implica dizer que a nossa construção sintática nas frases interrogativas é uma tradução literal da sintaxe da Língua Nacional Umbundu.
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No que tange o nível fonológico, a influência é muito mais visível e mais conhecida. As vogais nas LÍNGUAS NACIONAIS são todas abertas assim como as sílabas( Ataque e Núcleo, não existindo uma coda ex.: Ombembwa yitekavo) e isso influencia grandemente o nosso Português. O Português Europeu faz a distinção a nível da pronúncia as palavras homografas "acordo" forma verbal de "acordo" nome com sentido de pacto; avó feminino de avô, mas o nosso Português devido a influência das Línguas Nacionais não faz está distinção na pronúncia o que constitui o carácter distintivo é o contexto ou o nome a usar repare " Avô [a'vó] João foi " ou " Avó [a'vó] Joana chegou. Além dessa influência, há também um fenómeno que consiste em tornar uma sílaba fechada em aberta repare os verbos falar, vir, ir e pôr nas frases abaixo:
- o Vayenda está a falar [falari].
- o Ângelo está a vir[viri].
- Ir[iri] a Benguela?
- vais pôr [pori]?
Este fenómeno acontece, porque os falantes seguem a estrutura fonológica das Línguas Nacionais, Umbundu no meu caso, cuja a estrutura silábica como já afirmámos acima não permite uma coda ou consoante final, a estrutura normal é " ataque" mais"rima( Núcleo)" repare Mbokwetu ( Mbo- Kwe-tu) ou " ci-so-la". Há também algumas palavras paroxítonas em português que sofrem muito este fenómeno, repare " inegualável"[inegualáve/veu] ou ainda " invejável" [invejáve].
Ademais, há outras questões que justificam que em Angola o "Português" enquanto uma língua natural activou o seu sistema "mutável" e já não é a mesma que é falada em Portugal , mas ficamos com essas.
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A nossa Língua Portuguesa é Angolana.
Fernando Tchacupomba
Enviado por Fernando Tchacupomba em 01/06/2020
Código do texto: T6964831
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Sobre o autor
Fernando Tchacupomba
Lobito - Benguela - Angola, 22 anos
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Fernando Tchacupomba