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Preconceito linguístico – Ministro da educação

O Brasil, um país plural, mas confuso, ainda é uma nação que permanece regida por normas advindas de uma elite que não se atualiza em relação à situação do país, ou, de certo modo, intencionalmente, permanece com discursos arcaicos para favorecer  o próprio grupo. O ministro da educação, Abraham Weintraub, publicou em sua rede social, um pequeno texto que demonstra a existência clara de xenofobia, mas, não só isso, principalmente o preconceito linguístico que ainda não é tão nítido pela sociedade por ser algo sutil e ao mesmo tempo, intencional, visando interesses de um determinado grupo político, pois a língua também é poder.

Entretanto, quando pensa-se que um ministro da educação deve se preocupar com o que há de mais importante, como a própria educação, de como escolarizar os cidadãos brasileiros e brasileiras, ele busca, por meio de ofensas, denegrir um povo – nesse caso a China – por terem dificuldades normais ao aprender a língua portuguesa/brasileira, como todo estrangeiro terá ao aprender uma nova língua, como os brasileiros e brasileiras que também possuem. Weintraub, usando do suporte do gibi da Turma da Mônica, assim como do personagem Cebolinha que troca a letra “r” pela letra “l”, percebe-se o preconceito linguístico do agora atual ex-ministro Abraham Weintraub, e, como esse preconceito, agora discriminado, torna-se motivo para que possa retirar o direito de muitos brasileiros (as) em discordar de sua opinião. Quando ironiza a fala, ou seja, o modo como os chineses falam o português  do Brasil, comete o equívoco de não saber que os erros são cometidos para que se possa acertar, assim como saber que a cultura e a língua são as principais características de um povo, de uma nação. Se o mesmo demonstra preconceito e discriminação ao povo chinês, qual diferença o ex-ministro teria em tratar as variantes linguísticas de seu próprio país?

A ideia de padronizar a língua na cultura brasileira, não é de agora, a gramática normativa é uma gramática que distancia-se da fala, ou seja, da língua concreta, de como de fato ela é. O que ocorre é a não aceitação, por parte de uma elite que teve oportunidades de alfabetiza-se porque havia pessoas que pudessem guiá-la em sua formação, isto é, mais capazes, mais preparados e assim, formando, alfabetizando-a de acordo com o pensamento elitizado e que ainda há na cultura brasileira.

Weintraub demonstra em sua postagem, o preconceito linguístico, como pode se observar no extrato abaixo:

‘ "Geopolíticamente [sic], quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?", escreveu Weintraub. Para ilustrar a postagem, ele publicou ainda uma foto de uma capa de um gibi da Turma da Mônica, que mostra os personagens na China.’
Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/04/06/weintraub-publica-post-com-insinuacoes-contra-a-china-depois-apaga-embaixada-repudia.ghtml)

A intenção é ridicularizar um povo, provocando estigmas que podem alavancar guerras diplomáticas entre os países ou situações agravantes que conduzam uma nação que sentiu-se ofendida a tomar atitudes tão preconceituosas quanto a do ex-ministro da educação Weintraub.

Esse é um caso de uma figura pública que deveria ser um exemplo para com a educação, mas que demonstra, tendenciosamente, interesses políticos para agradar os seus eleitores com um discurso ríspido, desprovido de empatia com o próximo, alimentando uma cadeia de indivíduos que pensam que podem tudo e que nada devem.

Além de ser um discurso que apresenta o preconceito linguístico, convém salientar que o ex-ministro apresenta o preconceito linguístico em relação a um determinado povo estrangeiro – xenofobia - que tem como sua segunda língua – quando em solo brasileiro- a língua portuguesa brasileira, ridicularizando como o povo chinês fala – na perspectiva dele – o português “correto”.

Rodrigues (2014), em seu artigo “Língua no Brasil – variação  e multiliguismo, demonstra a intenção da classe dominante em buscar a ridicularização do dominado, eliminando a língua nativa de uma comunidade em prol da língua que deseja ensinar/catequizar, logo, elimina-se também a cultura. Não foi diferente com os nativos do solo brasileiro – os índios -, assim como os africanos que vieram para o Brasil e dos demais imigrantes.

Diversos povos, em pleno século XXI ainda sofrem preconceito linguístico em relação às suas variantes linguísticas, não sendo diferente na postagem do ex-ministro Abraham Weintraub  que busca uma unidade linguística que não há, quase que uma pureza de como deve se falar a Língua Portuguesa, esta que sofreu diversas modificações ao logo da história, foi utilizada para catequizar os índios em 1549 pelos jesuítas e sua Companhia de Jesus, assim como a Reforma Pombalina que oficializou a Língua Portuguesa como a única aceita na colônia, Rodrigues (2014).

Enfim, o preconceito linguístico causa estigmas, segundo Marcos Bagno, a sociedade brasileira vem sofrendo mudanças no âmbito educacional, mas ainda mantém estruturas hierarquizadas, perpetuando a ideia de uma língua pura por não aceitar as diversas manifestações linguísticas não só em solo brasileiro, como em terras estrangeiras. A língua dominante, com o efeito da globalização, provoca o extermínio da língua de um povo, levando ao genocídio de sua cultura, sendo fácil adestrá-lo quando não há mais memória dos antepassados, e mais fácil ainda em mantê-lo sob o domínio econômico, social e dos bens simbólicos.


Referências

Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/04/06/weintraub-publica-post-com-insinuacoes-contra-a-china-depois-apaga-embaixada-repudia.ghtml
Fonte: http://books.scielo.org/id/h5jt2/pdf/rodrigues-9788579835155-06.pdf
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=UbdSNWv9XDQ&list=PLR6LPlbTZA7w8HmOINX283Lkv2H6i9Vb8v=UbdSNWv9XDQ&list=PLR6LPlbTZA7w8HmOINX283Lkv2H6i9Vb8
Lourran Antonio
Enviado por Lourran Antonio em 28/06/2020
Código do texto: T6989998
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Lourran Antonio
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil
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Lourran Antonio