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DIA DOS AVÓS.

Mensagem escrita em comemoração ao dia dos avós.

 AVÓS

Hoje recebi muitos mails alusivos ao dia dos avós...
E falar de avós me traz uma doce lembrança com gosto de doce de leite feito em tacho de cobre, cheiro de doce de laranja ou mamão verde sendo fabricado lá na cozinha exalando o perfume do cravo que estará impregnado em meu cérebro pelo resto da vida.
A casa de avós é sempre grande, varandas enormes, muitas janelas, quintais cheios de árvores frutíferas, que para desespero de nossos pais são escaladas sem a menor cerimônia!
Almoços domingueiros ...crianças correndo, papai noel trazendo brinquedos no Natal, muitos chocolates na Páscoa ...
Ahhh como era tudo diferente na casa de meus avós. O pé direito alto de onde pendiam lustres que pareciam estrelas quando acesos...
Gargalhadas ecoando por todos os cômodos e por todos os rostos um olhar maroto e matreiro de cumplicidade entre netos por estarmos na casa de nossos avós. Como se ali houvesse um habeas corpus para o "pode tudo"
Dia de se lembrar dos avós? Não. Eles sempre são inesqueciveis, nem só pelo sabor do pudim de pão que minha avó paterna nos servia, nem o terno branco impecável de meu avô, com seu indefectível chapéu de panamá, com os quais desfilava sua elegância pelos corredores e salões da Casa de Itália.
Essas coisas todas me trazem perfumes de flores cultivadas no sítio e transformadas em buquês na loja de flores que pertencia ao meu avô, e em cujo lago nadavam peixinhos ornamentais que nos hipnotizavam assim como as luzes coloridas da fonte luminosa no mesmo local
Uma viagem no tempo com cheiro, sabor e som.
Som de marchinhas de carnaval, de músicas italianas, de ópera e de tudo o mais que naquele momento estivessem com vontade de entoar ou ouvir.
Som de rádio Nacional,novelas, programas de auditórios e,posteriormente, visão do Circo do Arrelia às segundas feiras,onde todos os netos reunidos em frente a televisão viam o brilho e os malabarismos de um picadeiro ou até mesmo de artistas até então conhecido apenas pelos sons que o rádio nos trazia.
Casa de avós é isso aí... amor, carinho, sorrisos, lembranças, lágrimas, aconchego, cheiro, gosto,sons deliciosamente impregnados em nossas almas que nos trazem sorrisos largos ao escrevermos esse texto, mas também nos enchem os olhos de lágrimas emocionadas com tantas coisas boas que nos chegam.
Ahhhh mas acabo de me lembrar!!!! Eu hoje sou avó!!!!!!
Um dia talvez, meus netos falem de mim e de minha casa ...mas acho que as gelatinas que eu faço, não terão muito cheiro para que eles se recordem ...
Nem vão se lembrar dessa avó lhes costurando roupas, ou fazendo blusas de tricô, ou toalhas de crochê.
Creio mesmo que eles se lembrarão de uma avó cibernética, que fazia midis e adorava músicas, que manuseava computadores com a mesma destreza de um guri imberbe, que os desafiava a jogar games e até os deixava vencer às vezes...
Que os liberava para ficarem vendo DVDs até mais tarde do que permitiriam seus pais, que lhes trazia chocolates e pipocas de "isopor", que detestava filmes de " Iá Iá", mas que mesmo assim os deixava assistí-los...
É mas acho sobretudo que meus netos vão se lembrar de uma avó sonora que os amava ...e embora já com o corpo que não acompanhasse as corridas ...voava com eles pela fantasia.
Que embora as rugas sulcassem o rosto não a impedia de sorrir, mesmo quando as coisas não andassem bem.
Afinal, como diz Leco, amigo meu querido:"o corpo é o rascunho onde se escreve a história"
Tomara que esse rascunho esteja sendo feito com uma ótima qualidade porque eu detesto reescrever as coisas, porque sempre me esqueço de fazer back ups e deleto inexoravelmente o que não me agrada.
Quero que meus netos olhem para o meus rabiscos transformados em rugas ou cabelos brancos que insistem em surgir em baixo da natural mistura farmacêutica e se lembrem apenas de que:
Minha avó adorava a vida, gostava de rir e gargalhar, era maníaca por músicas, tinha amigos leais que a companharam a vida inteira, cinco filhos que a amavam e respeitavam, pais maravilhosos, enfim ... uma capricorniana teimosa e valente que enfrentava a vida como ela viesse.
E diriam: essa avó VIVEU CADA MOMENTO DE SUA VIDA INTENSAMENTE, e amou a nós os netos, como se cada momento dessa vida fosse se esgotar em seguida!!!Uma avó cuja alma era adolescente, que dançava e cantava pela casa enquanto brigava com a máquina de lavar e a televisão que teimavam em desobedecer-lhe!
Quero mesmo que meus netos se lembrem com carinho dessa mulher de óculos ...olhando por cima deles e dizendo: meu neto, você é o anjo que o Universo me enviou!!!
Beijos sonoros aos avós amigos que tenho e ainda terei!
Vera Ciuffo
Enviado por Vera Ciuffo em 08/08/2007
Código do texto: T598731


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Sobre a autora
Vera Ciuffo
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil
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Vera Ciuffo