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Boca, o vespeiro

Na época em que ainda se pedia esmola por, de fato, necessidade e não por charlatanismo, morava em uma cidadezinha o seu Sebastião, um homem que, de tão sovina, havia conseguido ter uma vida sossegada.
Sua casa era a melhor do bairro. Seus filhos, eram cinco, e sua esposa — dona Laurinha — viviam sempre arrumadinhos, porém com roupas surradas.
Certo dia, numa manhã fria de inverno, bate em sua porta uma senhora baixa, de ombros arqueados, avantajada em banha e com sacolas às costas.
— O senhor tem uma ajudinha pra essa pobre infeliz? Serve qualquer coisa. — pediu ela resignada.
— Não estou pedindo porque não tenho capanga, dona! — respondeu ele com aspereza.
A pobre fitou-o ternamente e, como se o abençoasse, profetizou:
— Deus há de lhe dar quantas capangas forem suficientes. — disse e saiu entristecida.
Os anos passaram, e os ventos começaram a soprar em outra direção para o seu Sebastião. Um acidente lhe tirou dois filhos já adultos. A doença se encarregou de uma terceira. A mulher o abandonou levando os últimos, por causa do vício. Vendeu a casa, ficando sem eira nem beira.
                     Com duas capangas, saiu perambulando por esse mundão de meu Deus, alimentando-se de migalhas divididas com os cães.


José Augusto G. de Almeida em: http://amoraspalavras.zip.net
José Augusto
Enviado por José Augusto em 27/10/2007
Código do texto: T712838
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Sobre o autor
José Augusto
São Paulo - São Paulo - Brasil, 43 anos
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