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Dona Benedita

Eu mal podia espera chegar a segunda-feira para ver aquela imagem angelical. Entrava na sala, saudava a todos com um quê tão especial que nos envolvia. Não havia um aluno que não quisesse um abraço e um beijo seus. Sua voz, maviosa, sabia conduzir cada situação como se estivesse regendo uma orquestra desafinada, a qual aprenderia os primeiros acordes em breve.

Certamente não haveria outra professora que nos consquistaria como o fizera Dona Benedita. Ela era jovem, no entanto, todos a chamavam assim. Não sabíamos muito de sua vida particular, no início. A única certeza já naqueles primeiros dias de aula era que, pela maneira como éramos tratados: com aquelas mãos de fada, aquele espírito evoluído, aquela pedagogia que nenhuma sala de faculdade ensina, só dava pra deduzir que Dona Benedita tinha amor à profissão e, acima de tudo, a nós, alunos da primeira série.

Nenhum dos vinte e cinco alunos da sala relutava às falas de nossas genitoras dizendo que Dona Benedita deveria ser considerada como nossa segunda mãe. Desde o primeiro dia de aula não tivemos dúvida de que nossa primeira mestra seria mais que uma professora, seria nosso porto seguro durante aquele ano todo de trabalho e, para nossa felicidade, ela nos acompanhou até a quarta série. Criamos um laço de amor mútuo que jamais seria rompido. Dona Benedita feqüentava nossas casas a convite de nossos pais, que não aceitavam um não como resposta, já que aquele anjo estava fazendo tão bem aos seus filhos.

Infelizmente, quando chegamos à quinta série, tivemos que nos separar. Não teríamos mais aulas com nossa amada e amável mestra-amiga. No entanto, todos os alunos daquela turma tinham uma certeza: o lugar que Dona Benedita ocupou em nossos corações não seria ocupado por mais ninguém.


José Augusto G. de Almeida
José Augusto
Enviado por José Augusto em 18/11/2007
Reeditado em 18/06/2008
Código do texto: T741633
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Sobre o autor
José Augusto
São Paulo - São Paulo - Brasil, 43 anos
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