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ASSOCIATIVISMO: O CHOQUE DE LIDERANÇAS

(a Leinecy Pereira Dorneles, em Cassino, Rio Grande/RS)

Saúde. Paz. Fraternidade. Muito entendimento familiar, para que isto possa se estender ao plano das relações pessoais, no associativismo.

Reitero que não venha a ser motivo de preocupação o tal lançamento do livro de poemas na tua cidade.  Não há necessidade de que ele ocorra. Agora ou posteriormente. É plenamente dispensável, na verdade. O autografante precisa perceber se há ruídos na comunicação entre as lideranças locais.

É necessário avaliar se o pedido de espaço para fazer um lançamento de livro, na comunidade, atende aos critérios de conveniência e de oportunidade. Trazer um livro à luz é sempre conveniente, mas nem sempre é o momento de tal ocorrer. Às vezes tem de se dar tempo ao tempo.

Um lançamento de livro é visto pela mediania como um evento de brilho para o seu autor, porque a mediocracia somente vê os eventuais e efêmeros 'brilhos, honrarias e homenagens'.

Dificilmente a mediania se abre para o fato de que um ato de autografação de uma obra é um espaço para o brilho da entidade, quando o autor provém do associativismo literário. A entidade vai ser posta na vitrina pública por obra de seu produto final: o livro.

Quase todos aqueles que militam na área de criação literária sabem que é necessário o enfoque específico de jornais, emissoras de rádio e de TV para pôr em evidência a sessão de autógrafos. O objetivo tem de ficar inconfundível: mostrar o livro para que se logre êxito nas vendas.

Acontece que muitas pessoas não se apercebem de sua subserviência à mídia, principalmente os autores novatos e inexperientes dirigentes da área de divulgação das entidades culturais.

O lançamento de um livro é uma maneira de congraçar os associados. Por isso a necessidade de editar coletâneas, obras coletivas que unam o grupo de “diletantes literários” em torno de uma tarefa, os quais acabam envolvidos com a responsabilidade de produção de obra coletiva.  Os diletantes citados são aqueles que ainda não são escritores, mas se entendem como tais e não abrem mão de ‘estarem famosos’.

A edição de livros, no Brasil, é sempre coisa que demanda muito dinheiro. Aqui não há editores dispostos a fazer o investimento inicial: apresentar um autor novato aos leitores. Se este é autor de poemas, muito mais difícil de que haja interesse dos editores. Estes só apostam no retorno financeiro. Isto quer dizer: autor novato não venderá o seu livrinho no balcão da livraria porque ninguém o conhece!

No caso de publicações, quem aparece é o pequeno grupo de editoração da obra, prêmio pelo seu ativismo, denodo e empenho para poder vencer as adversidades que sempre ocorrem nesta empreitada, cujos custos são normalmente vultosos.

Mas o medíocre se acha o dono deste eventual enfoque societário. Confunde o “nós” com o ego. E procura tirar proveito da situação que o coloca eventualmente na vitrina aos olhos da comunidade. Confunde-se e prejudica a sua entidade, semeando a discórdia no seio da associação. Ninguém quer perder espaço de mídia, de brilho junto à sua comunidade. Esta é regra observável em toda a dinâmica associativo-cultural.

Não se discute o mercado para o livro e, sim, se trata de buscar brilho pessoal, e se acaba fomentando a “fogueira das vaidades” existente em todas as ações onde se trabalha muito e se ganha muito pouco. Nestes casos, o balanço de bens é sempre desfavorável, no plano material.

Isto ocorre muito comumente no seio da comunidade escolar, envolvendo autores que ganham a vida como professores do ensino público, reconhecidamente mal pagos pelo governo.

É preciso que o promotor do ato de apresentação de livro tenha em conta de que não é o eventual brilho de quem quer chamar a atenção de sua escola ou comunidade e sim o reflexo natural das ações do dirigente que sabe que está fazendo a história associativo-literária de seu povo, da gente de sua terra natal, principalmente nas pequenas cidades.

As visitas de cortesia da coordenação da POEBRAS NACIONAL têm a destinação de discutir o serviço feito e preparar o caminho para a administração futura. Também para estimular a criação de projetos peculiares, específicos para a comunidade local.

Como os grupos envelhecem, criando vícios de fazer tais ou quais ações “assim ou assado”, a discussão traz novas luzes.  Daí sobrevirão novas orientações, principalmente quando há troca de dirigentes nas unidades associativas. É a falação em busca de possíveis ações do novo grupo chegado ao poder.

É sempre assim, "quem foi ao ar perdeu o lugar", diz a sabedoria  retratada no refrão popular. A liderança substituída não aceita bem o retorno da antiga, no caso de diretorias lideradas por ativistas que já estiveram preeminentes em executivas anteriores.

Aliás, se há problemas locais, melhor resolvê-los com o tempo que se fizer necessário. Um livro a ser lançado não pode atravancar a discussão da própria entidade. Arre! Sempre as vaidades!

Acho que teremos de enfrentar e execução de “Oficinas de Criação Poética”, pra que possamos crescer enquanto “grupo”, se não seguirá a mesmice de sempre.

Aquela que ocorre quando as lideranças não se renovam.

– Do livro CONFESSIONÁRIO – Diálogos entre a Prosa e a Poesia, 2006.
http://www.recantodasletras.com.br/mensagensdeamizade/134549
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 06/04/2006
Reeditado em 15/09/2008
Código do texto: T134549
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
3717 textos (925332 leituras)
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Joaquim Moncks