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Refúgios de sonhadores

     Aquela música que você me mostrou... tocou por acaso. E um turbilhão de sentimentos povoou meu coração. Quando leio um poema que tenhas escrito para mim é uma sensação indescritível. Prova concreta de carinho. Fecho os olhos. Toco tuas mãos em agradecimento. Beijo a tua face.
     O frio já vem chegando novamente e as últimas chuvas são frias e demoradas e silenciosas. E os cobertores, meias de lã e abraços vão se tornando mais necessários e indispensáveis. As paineiras de flores brancas e róseas com seus alvos troncos ainda colorem a paisagem. E a vida vai nos trazendo novos personagens e surpresas; Outras pessoas aprendendo a viver e buscando novas descobertas sem terem muita certeza do que realmente querem. A vida é como um virar de páginas de um livro. Nem sempre estamos ansiosos com o que surgirá, mas é preciso. E vamos nos surpreendendo e enquanto houverem surpresas sempre será maravilhoso.
     Percebo os caminhos de pedra suados como se a natureza estivesse se banhando antes de ir dormir. A névoa já começa a fazer suas danças e os montes no horizonte se ocultam aos poucos. Um beija-flor marrom me solicitou néctar. Realmente noto que as flores naturais estão escasseando na paisagem. É provável que mantenhamos uma relação até que elas retornem...
     Vou aproveitar que a Páscoa está chegando para testar algumas receitas de chocolate com conhaque. Podemos ir experimentando juntos até escolhermos a melhor, ou até ficarmos rindo à toa. O que vier primeiro. Hahahaha!
     Amor, eu já desconfiava, mas recentemente tive certeza: Existem sonhadores como eu que levam os sonhos bastante a sério. E são de todas as idades: jovens, adultos e idosos que correm atrás dos seus sonhos diariamente. E é revigorante sabê-los. Contra tabus e preconceitos vão lá e se arriscam, se mostram, interagem e vão colecionando histórias de vida bem vivida. E que apesar da violência, das enchentes, das estradas esburacadas, dos mapas desatualizados dos GPS, das pontes interditadas e da última fuga em massa do presídio vão lá e viajam, e se preciso for dormem em seus carros em postos de gasolina em cidades que nem sabem o nome. São olhos que brilham no escuro de pessoas que de alguma forma perceberam que a morte está sempre à espreita, mas nem por isso a temem. Veem o risco de morte como um motivo a mais para celebrarem a vida todos os dias, com paixão plena e intensa. Sem preconceitos e sem julgamentos. Não vão te avaliar pela sua riqueza, mas sim pelo seu caráter. E vão ser humanos interagindo com outros humanos, dando atenção e carinho de maneira tão natural que a gente até se envergonha de não ser assim também. E os corações vão perdendo o peso de carne sofrida e dolorida e tornam-se papéis coloridos de origami onde cada um vê uma nova criação, uma nova emoção, única, singular e efêmera. É como se cada um de nós fosse um pôr-de-sol, um arco-iris, uma chuva de verão, nuvens no céu, ondas no mar. Belezas sem preço. Como se cada um de nós fosse uma flor, única em suas características e complexidade. Obras de arte vivas. Lindas, simplesmente lindas.
Nicola Di Fiori
Enviado por Nicola Di Fiori em 15/04/2019
Reeditado em 15/04/2019
Código do texto: T6624176
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Nicola Di Fiori
Teresópolis - Rio de Janeiro - Brasil
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Nicola Di Fiori