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A você, minha Frozen!

De madrugada levanto pra ir banheiro, aproveito, vou ouvir sua respiração enquanto você dorme. Em pé na porta do quarto, admiro a delicadeza da sua face a cada suspiro que dá. Tão linda, tão serena. Falando assim, parece coisa de mãe, eu sei.
Mãe é que tem isso de ir ver se a cria estar respirando, se está viva. Eita loucura!
Eu não sou sua mãe, e nem quero ser, ainda bem. É só aquela velha ideia de que o primogênito precisa cuidar do caçula. E cuido, como irmã, prefiro assim.
Precisei a duras penas aprender a te proteger sem te sufocar, a conversar sem julgar, a entender que você é diferente de mim, fazia tudo ao contrário achando que poderia te perder pra uma de suas amigas. Ô que fantasia besta da minha cabeça imatura.
Ainda bem que gente cresce, amadurece, e passa a questionar o lugar do outro na nossa vida, um lugar que precisa ser de laço que acolhe, e não de nó que amarra.
Pensando com meus botões, pressuponho que te amo mais hoje do que quando você nasceu. Na verdade, nem me lembro do dia que você nasceu, só lembro do que me contaram.
Participar da sua vida, das conquistas, das preocupações, das tristezas e alegrias, é um privilégio sem tamanho. Das mais de 47.183 mensagens que já trocamos por diversos aplicativos, nos diálogos intermináveis, estão registradas além das palavras, o amor, o respeito e a liberdade que cultivamos diariamente.
Foi preciso desconstruir a relação de uma vida, pra aos poucos recomeçar, construir juntas o que vivemos hoje,  o que é muito melhor agora, fala a verdade. Dois corações de gelo que  acabaram derretendo, falando assim, parece até o filme Frozen.
Sinto saudade das nossas quarta-feiras em que saíamos pra comer, andar, ir ao cinema, era nosso ritual sagrado semanalmente.
Talvez, na melhor das hipóteses, o amor que tenho por você, que não cabe no “eu te amo”, seja feito de palavras que ainda não foram ditas. Embora, por mais que se fale de diversas maneiras, ninguém consegue dizer tudo, sempre falta alguma coisa, e sempre vai faltar.
Refletia que ao escrever as linhas acima, o quanto ao longo da sua vida você mudou, tem se tornado uma linda mulher, que alguns até te vêem ainda como uma menininha, só que você não é mais. Há muito tempo está fazendo sua passagem de menina a mulher, e que mulher!!! Está sendo magnífico acompanhar esse processo, no seu tempo, no seu ritmo, e da maneira como desejas, que é o mais importante.
Como sempre te digo, voa Frozen, voa!!!
Que eu, Elsa, estarei sempre aqui pra você!
Let it go!!
Jéssica Gualberto
Enviado por Jéssica Gualberto em 22/06/2020
Código do texto: T6984810
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Jéssica Gualberto
Jaboatão dos Guararapes - Pernambuco - Brasil, 31 anos
30 textos (353 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/08/20 09:23)
Jéssica Gualberto