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5. LPE - UM VAGALHÃO MAIOR

Este texto foi escrito em 20 de Maio de 2002

Thomas Jéferson, ex. presidente dos Estados Unidos, quando pressionado a criar leis que favorecessem às religiões, dizia que uma boa religião não precisa do poder do Estado para se fazer valer. Devemos, portanto estar atentos aos acontecimentos atuais. Não é inteligente afogar-se no mesmo mar duas vezes. Parece-me que estamos na eminência de repetir o erro do passado e entregar o poder do estado à religião. Percebo que os poderes religiosos, sem demonstrar pretensão, ascendem aos postos políticos tanto em nosso país quanto no mundo. Nos EUA, por exemplo, os conservadores, que são a Direita Cristã (os evangélicos, donos das grandes multinacionais), que dominam também o Partido Republicano que domina, pelo menos, uma dúzia de estados, falam que o Papa é o homem mais indicado para estabelecer a harmonia, a paz e a segurança no mundo. A própria Igreja Luterana, herdeira do reformador Martinho Lutero, manifesta o desejo de que o Sumo Pontífice seja o governante mundial. Ou seja: Pregam, na linguagem religiosa, o estabelecimento do Reino de Cristo através do Papa e na linguagem política a igualdade social. Entrementes, o povo tem a memória curta e logo esquece a própria história. Os cristãos norte-americanos lutam pela unificação religiosa e pedem a união da Igreja com o Estado a fim de moralizar a política e a nação, acabando com os conflitos religiosos, não só nos EUA como também no mundo, o que resultará, segundo eles, invariavelmente na solução dos problemas políticos, sociais e, principalmente, econômicos. O próprio Papa arroga-se, não como alternativa, mas como única saída para a humanidade, o mais perfeito mediador e conciliador, o homem que pode harmonizar todas as diferenças religiosas e estabelecer a paz. Mas saiba que a Igreja não recuou em nada de seus antigos princípios de intransigência.
Diante das calamidades em seu país e no mundo, nos EUA as pessoas já consideram que um governo moralizador e socializador cristão pode ser a saída. Por outro lado, vemos pelo mundo o forte movimento de unificação das religiões, outrora divergentes. Esse é um movimento das massas. Ou seja, “o mar grande.” São judeus descaracterizando-se reunindo-se com cristãos descaracterizados e juntos fazendo cultos com místicos orientais, espiritualistas e islâmicos que também se descaracterizam. A voz popular nos fóruns sociais é “Ecumenismo Irrestrito”. Parece que logo todos se renderão à máxima de que uma única religião é o caminho para a paz, o que será o mesmo que vestir o paletó sem vestir as calças, mas as massas, também os intelectuais, viciados em um único ponto de vista, entendem que as diferenças religiosas são as causas de conflitos, ignorando que o egoísmo inerente do ser humano, independente de credo, é que tem sido na o grande vilão, a raiz do mal, e, inclusive, o mesmo que cria as diferenças religiosas. E essas águas agitadas, a exemplo daquelas de 538 d.C., pensam que estão com a razão.

Wilson Amaral
Wilson do Amaral
Enviado por Wilson do Amaral em 31/01/2007
Reeditado em 01/02/2007
Código do texto: T364568

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Sobre o autor
Wilson do Amaral
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 54 anos
119 textos (27084 leituras)
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Wilson do Amaral