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Jesus chorou

Em João 11:35 esta um intrigante verso da Bíblia, Jesus chora.
O que levaria Jesus as lagrimas?
Temos nesse capitulo uma descrição curiosa de uma situação onde pessoas sofrem uma perda.
“Jesus, pois, quando a viu chorar, e chorarem também os judeus que com ela vinham, comoveu-se em espírito, e perturbou-se”
É importante lembrar que Jesus tinha plena convicção do que viria a fazer ali, ele não tinha duvidas e sim, tinha um propósito especifico de ressuscitar a Lasaro, Jesus ali estava diante de um sentimento único e doloroso; a perda.

O sentimento de perda de alguém querido é uma dor quase insuportável. Uma dor cega e desesperadora que leva Marta a não compreender as palavras dele que Lasaro ressurgiria (verso 24).
A dor cega, a dor desespera.
As palavras: “ se estivésseis aqui meu irmão não teria morrido” é de desespero, é dor sem rumo, é a face da morte diante das pessoas ali.

Jesus contempla essa dor e as assimila.
Ele participa da dor de cada um naquele lugar.
Ele sente essa dor.
Ele chora.

Ele chora pelo que estão sentindo, pelo que ele poderia evitar, mas ele não podia evitar essa dor para ensinar algo maior, mas aquela dor o incomodava, o comovia, era a dor de um pai quando castiga o filho, é a dor de um pai que precisa punir ou deixar o filho sofrer pelo bem maior.
Jesus não sentiu prazer nas lagrimas deles, sentiu dor, afinal ele poderia não ter feito isso, poderia ter ido como disse Marta, antes assim ele não morreria, mas a lição estava acima desse momento, porem isso não elimina a dor, isso não elimina o sofrimento de Jesus ao presenciar a dor de cada um ali.
Jesus chorou por se sentir de alguma forma punido com a dor daqueles a quem ele ensinava com aquele momento.
“Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?” (Mat 7:11).
Jesus usou muitos exemplos humanos para falar sobre a relação de D´us com os homens, o foco sempre foi em tudo o que ele dizia as emoções, os sentimentos, “ se desejardes...” ; o sentimento verdadeiro é o que sempre importou na mente de Jesus.
E exatamente isso é o que ele É; sentimento.
Essa é uma das razoes dos sentimentos ali naquela situação o moverem, emocionar e o levar as lagrimas.
Nós ao deixarmos nossos filhos sofrerem nos sentimos mal, pois conseguimos conter os sentimentos devido a não participarmos do interior de quem realmente sofre. Temos uma breve noção ou idéia do que acontece com a pessoa que sofre, assim sendo é fácil punir o filho, pois compreendemos o sofrimento, mas não participamos.


“Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também que este não morreste?”
“Jesus, pois, comovendo-se outra vez...” (João 11:37,38a).

As pessoas não conseguiam ver que ele não tinha barreiras, eles não compreendiam e questionavam como quem diz: poxa por que o deixou morrer?
Elas olhavam para o fato mas não enxergavam alem dele, assim somos todas as vezes em que nos deixamos levar pela situação, não vemos alem desses limites dados pela razão pessimista que nos assola.
Nosso desespero trás a cegueira que dói, e essa dor Jesus deixou evidente que ele participa ele sofre, cada lagrima de cada pessoa, cada sentimento formando um tornado de emoções puras ali, nele, o fazendo chorar.
Se os ali presentes conseguissem olhar adiante da morte de Lázaro poderiam dizer apenas:
“ o Mestre chegou, vejamos o que ele fará.”
Esperariam, estariam consolados com a presença dele e o que ele fizesse estaria aceito.
Esquecemos que a presença de Jesus é o importante.
Tudo o mais é movimento de tudo o que deve acontecer para que algo maior venha após a dor.
Aprender com a dor e o sofrimento.
Quando D´us criou o mundo, em onisciência Ele sabia que nos falharíamos.
Sempre soube, e mesmo assim nos fez. Por que?
Pela mesma razão que nos casamos; o casamento é uma soma de alegrias e sofrimento, temos plena convicção disso e mesmo assim um dia nós nos casamos.
Ao longo desse relacionamento iremos perder e ganhar tudo em nome do desejo de convivência. Alguns suportam por toda vida o fardo do casamento, outros não. Assim o relacionamento pode ser duradouro, eterno ou passageiro, porém todos valeram a pena, e por que? No fim a experiência, o conhecimento permanece.
Essa é uma lição para a vida.
Olhar adiante do problema é ficar em paz para receber o futuro, seja ele como gostaríamos ou não.

Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir.
Disse-lhe Marta: Sei que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia.
Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?
Respondeu-lhe Marta: Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.
Tendo, pois, Maria chegado ao lugar onde Jesus estava, e vendo-a, lançou-se-lhe aos pés e disse: Senhor, se tu estiveras aqui, meu irmão não teria morrido.

Jesus foi claro, simples e direto, ele afirmava claramente que nada aconteceria, ele estava tentando colocar nas mentes ali que não foi nada, o fato só servira como sinal do Poder dele.
As pessoas não conseguiam ver nem ouvir.
Sabe quando uma criança toma um susto, esse susto é tão grande que mesmo você a abraçando e afirmando que passou ela não para de chorar?
E você afirma que não foi nada e ele só consegue chorar e contar o que aconteceu?
As pessoas ali eram as crianças, nós somos as crianças.
Aprender enxergar as palavras de Jesus faz a diferença.
Aprender ver além da dor.
Aprender sentir além do momento.
Aprender a paz de esperar.

Lembrei-me de quando eu tinha 17 anos:

Estávamos na casa de meu vizinho, e um deles estava falando sobre a arma que ele tinha e gostaria de vender para comprar uma melhor.
Ele então trouxe a arma para nós darmos uma olhada, era uma pistola calibre 38 ou 32 algo assim.
Quando ele chegou, eu tinha alguma idéia de como proceder então retirei a munição e ficamos a ver e avaliar a arma.
Estávamos em 5, olhada e avaliada, feitas algumas perguntas e piadas ele pegou a pistola e municiou para levar para casa.
Então me virei e fiquei conversando com um dos colegas dali, foi aqui que houve um disparo.
Segundos de susto vem a pergunta:
O que aconteceu? Ele explica q faltava uma bala e ao fechar o tambor ele achou que passando a vaga ficaria mais seguro para o caso de precisar usa-la. O problema que não sabíamos naquele exato momento e percebi com mais alguns segundos é que a bala no disparo atingiu meu joelho.
Claro o desespero tomou conta de mim que gritei de pavor, eu não tinha dor alguma mas estava tomado pelo completo desespero, eu não tinha a menor idéia do que fazer.
O rapaz dono da arma saiu correndo pela rua tentando achar alguém para nos ajudar, o desespero dele era tão grande que em uma quadra ele caiu rolando duas vezes por correr descordenadamente.
Com certa frieza que me tomou e um dos moradores da casa ofereceu o carro, caminhei ate a minha casa (com ajuda de outro rapaz) que ficava ali na frente e chamei meus pais.
Fui atendido e correu tudo dentro de um padrão de atendimento medico.
Durante duas semanas só uma coisa me desesperava. A idéia de não poder mais caminhar normalmente. A bala havia atravessado meu joelho exatamente ali sobre a rotula que não parecia com nada por estar inchada. Eu não conseguia me apegar a um fato simples desde de minha entrada no hospital, a bala que atravessou meu joelho ao meio (pois ela entrou e saiu) não atingiu nenhum único osso nem ligamento, nem parecia ter sido meu joelho um alvo de disparo. O raio X estava ali em minhas mãos provando que não aconteceu nada. O medico afirmou que tudo ficaria bem, mas durante mais de dois meses eu não conseguia ficar tranquilo, eu tinha medo, eu estava cego. Eu só conseguia ver o joelho, a ferida.
Eu chorava todos os dias e pedia a D´us para que eu não ficasse invalido ou coisa parecida, minhas lagrimas ali derramadas por meses não precisavam acontecer.
Eu precisava apenas conseguir ver alem de minha dor e medo.
Eu precisava enxergar a Graça de Cristo ali no dia do ocorrido, no raio X, na afirmação medica que não parecia ser meu joelho vitima de um tiro, salvo o buraco e o sangue.
Eu chorava pedindo ajuda, eu recebi a Graça no momento do disparo.
Essas pessoas ali com Lazaro não conseguiam entender as palavras de Jesus, pois estavam tomadas pelo mesmo sentimento, desespero.
Judas Iscariotes tomado pelo desespero ao trair Jesus esqueceu que ele seria perdoado se assim pedisse para Jesus o seu perdão e enforcou-se.
A única coisa que me lembra que um dia levei um tiro no joelho é a cicatriz que me lembra a guarda das mãos de D´us no ato, no momento, no exato segundo de perfuração da bala as mãos dele já estavam ali direcionando o ocorrido para ser apenas uma lição, uma lição que me gerou aversão a armas.
Ele sabe a razão que nunca compreenderei plenamente disso tudo.
Eu aprendi que a dor é desesperadora quando não conseguimos enxergar além dela.
Eu não tinha consciência que eu sempre fui e serei Filho de D´us.
Eu não conseguia ver que ele sempre soube daquele momento, eu não consegui ver na radiografia o milagre, nas palavras dos médicos, nos meus primeiros movimentos, nos primeiros passos.
Eu só via o medo, o desespero e a idéia de não poder caminhar normalmente.
Essas são as lagrimas de Jesus, lagrimas de alguém que sofre com você, com sua dor, com sua falta de visão, com seu desespero.
Lagrimas geradas pela participação com o problema e os sentimentos contidos nele.
Lagrimas de uma amigo, irmão e pai.
Só posso concluir lembrando que, ficar atento ao todo, tentar ver além do cotidiano pode reservar um pouco menos de dor para nosso dia a dia. Tentar compreender a dor da vida e suas razoes pode ensinar muito sobre D´us pai guiando e guardando nossos dias, afinal esta tudo dentro do previsto, nada é imprevisto nas ações Divinas. O capitulo 11 do livro de João tem ainda muitas lições para nosso deleite.
Aprender a estar atento as palavras de Jesus pode aliviar muita dor.

Rick Mc.
Ricardo J Schneider
Enviado por Ricardo J Schneider em 07/11/2007
Reeditado em 10/02/2015
Código do texto: T726759
Classificação de conteúdo: seguro

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