“Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno. Isso faremos, se Deus permitir. É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.” [Hb 6: 1-6]

 

O que significa a exortação do texto “deixemo-nos levar para o que é perfeito”, senão o progresso em santificação pelo qual somente se pode garantir que somos de fato, salvos e pertencentes a Cristo?

E mais do que isso, em assim sendo santificados, estejamos cumprindo o propósito de Deus em nossa eleição, tendo a firme certeza de que alcançamos de fato, o objetivo da nossa fé em Jesus, que é o da salvação da nossa alma? [I Pe 1: 9]

Muitos que haviam se unido à igreja visível dos hebreus, aos quais o apóstolo dirige sua epístola, estavam confiando que pelo simples fato de terem chegado ao conhecimento nocional da verdade, conforme foi pregada a eles, referindo-se a Cristo, segundo a iluminação e convencimento do Espírito Santo, inclusive sobre a condição de serem pecadores, todavia não passaram disso, nem chegaram a uma real conversão de suas almas, pelo que se encaixavam na condição temerária a que se refere o apóstolo neste capítulo, de estarem se autoenganando, pensando serem salvos, quando na verdade não o eram de fato, pois lhes faltavam as evidências, que só podem ser fornecidas por um viver santificado pelo Espírito Santo.

 

Agora, ao olharmos para a história da igreja no mundo desde então, principalmente em nossos dias; quantos que se professam cristãos, não se encaixam nesta condição abordada pelo apóstolo em sua epístola?

Quantos não se encontram apenas sob a influência de uma iluminação e convicção, sem serem de fato convertidos, uma vez que não receberam a operação da graça salvadora, que nos purifica de todo pecado e nos faz progredir no crescimento da graça e no conhecimentno da pessoa, e caráter de Jesus, tornando-nos cada vez mais semelhantes a Ele?

Assim, somos exortados a fazer progresso em santificação, conforme as seguintes palavras do apóstolo no mesmo capítulo:

“Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança”; “para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas.”

[Hb 6.11,12]

 

A salvação é somente pela graça e mediante a fé, mas é pela diligência no exercício dos meios ordenados por Deus, e pela transformação cada vez maior de nossas vidas, segundo a Palavra da verdade, que podemos ter a plena certeza da esperança, de que a promessa que foi feita, de sermos salvos por Cristo, diz respeito a nós, porque Ele viveu e morreu aqui embaixo, para que pudéssemos ser tornados santos - e se este efeito não está sendo produzido em nós, não temos qualquer participação em Jesus.

Portanto, “os que caíram” que são citados no texto, não caíram da fé salvadora, nem mesmo da união real com Cristo, mas da posição em se manterem congregados na Igreja, desviando-se para o mundo, revelando assim, a falta de eficácia do batismo que eles haviam feito nas águas, e da profissão de terem crido em Cristo - isto tornaria extremamente difícil um futuro arrependimento deles, ou seja, a mudança de suas mentes e corações, voltando-se de fato, para o Senhor a fim de serem salvos e santificados por Ele, uma vez tendo tido toda aquela experiência inicial com as coisas do evangelho, e não tendo tirado qualquer proveito real delas, porque não haviam se rendido realmente ao Senhor Jesus, pela fé, para serem regenerados e santificados pelo Espírito Santo, assim quão dificilmente voltariam atrás na decisão que tomaram, de viverem segundo o mundo, para se converterem de fato a Jesus. 

Silvio Dutra
Enviado por Silvio Dutra em 26/11/2021
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