SOBRE A POESIA

Poema,

Retrato em Raio X

Levíssima pele que se desprende do corpo

Incendiado pelo amor.

Ruptura,

Filho expulso em hora extrema

Inevitável força da natureza

Gerada em si mesma entre dores de parto.

Às vezes, é mal a ser drenado para

Que a febre ceda.

Outras, unguento da paixão, bálsamo sagrado...

Gozo clandestino dos amantes

Eternizado em rouca canção francesa,

Na orelha salivada,

Antes da realidade chegar.

É farpa na garganta,

Que sufoca a voz dos desvalidos,

Transmutada em espada:

Grito das dores cidadãs

No ar fétido dos becos propagadas

Pelos meninos que brilham

Nos palcos do metrô da grande cidade

Onde a verdade nua baila

E beija a boca

dos ouvidos indiferentes.

(Stella Motta)

Stella Motta
Enviado por Stella Motta em 02/02/2019
Reeditado em 03/02/2019
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