GERAÇÕES - PARTE I - CAP. V

GERAÇÕES

PARTE I

CAPÍTULO V

Beto Antunes convidou a alta sociedade da cidade de W para os 15 anos de Peter. A festa dar-se-ia em um clube campo de sua propriedade. Inúmeros carros chegavam, gente demais. Cada convidado que buscasse mostrar-se mais elegante e mais bonito. Importaram roupas da Europa para que o aniversariante usasse em suas quinze primaveras´, inclusive sapatos e meias. Trouxeram o mais famoso cabeleireiro da cidade, funcionário em de um dos salões do Grupo. O menino, realmente, ficou trajado de forma perfeita, sem defeitos. Aliado aos paramentos da ele-

gância, Peter possuía beleza incomparável. Era loiríssimo, olhos verdes, pele alva... Tinha um nariz muito afilado, orelhas nem grandes, nem pequenas e uma boca em torno de uns lábios bem desenhados e carnudos. Para muitos era um “deus grego” e isso chamava a atenção tanto de garotas, como de garotos os quais guardavam em seu íntimo intensa inveja de Peter.

A orquestra iniciou os primeiros acordes às 22 horas. Logo o salão estava apinhado de dançarinos. Peter não chegava para quem queria, todos desejavam apertar suas mãos ou, simplesmente, beijar-lhe as faces rosadas e de pele profundamente macia. Uma garota assanhada, muito bela, filha do Prefeito do município, arriscou pedir a Peter o prazer daquela música e ambos rodaram o salão, dando um verdadeiro “show” no que foram aplaudidos por todos os presentes. Após algumas músicas, Peter retirou-se em companhia da beldade para respirar um pouco visto que

suara e precisava de ar fresco. Levou a donzela para os bancos dos jardins e entabularam conversação.

- Com quem aprendeu a dançar tão bem, Peter? – Perguntou Priscila, o nome da jovem.

- Ora, com minha mãe, ela é exímia dançarina e nos ensinou a rodar todos os ritmos.

- Seus irmãos têm o mesmo tratamento musical? – Outra vez inquiriu Priscila.

- Sim, todos são educados dentro dos mesmos parâmetros, todos na mesma medida. Por que pergunta? Peter indagou.

- Ah... É que meu irmão Juan pensa em tirar sua irmã para dançar... Por sinal Vanusa está belíssima dentro daquele vestido francês.

- Agradeço em nome dela. Você tem namorado? Peter arriscou.

- Não. Estou livre no momento. Pergunta isto por qual razão? Está interessado em mim?

- Digamos que interessado para começar um relacionamento não, porém para “ficarmos” por esta noite. Que acha?

Os olhos de Priscila brilharam... Que oportunidade, não poderia jogar distante este momento...

- Eu aceito ser sua dama por esta noite, com muito prazer...

Não disse mais nada, porque os lábios de Peter já buscaram os seus e o beijo foi profundo e sensual.

- Ninguém nunca me beijou desta maneira... tão eloquentemente. – Priscila falou.

E, sem dizer palavra, Peter novamente a estreitou nos braços e de novo a beijou. A moça, a partir daqueles instantes, viu-se perdidamente apaixonada por Peter Antunes.

Lá do outro lado, Juan aproximou-se da mesa onde Vanusa distraidamente dialogava com algumas amigas. Chegou junto e pediu que lhe fizesse a honra da música. Educadamente, Vanusa solicitou licença e adentrou o salão com Juan. Dançaram várias canções, posteriormente, Juan igualmente a levou até os bancos dos jardins.

- Permita-se perguntar, Vanusa, qual sua idade? – Juan questionou.

Vanusa, pega de surpresa com aquela interpelação, respondeu:

- Um cavalheiro nunca pergunta à sua dama sobre sua faixa etária...

- Peço-lhe desculpas, todavia esta pergunta tem um motivo muito sério. – Juan justificou-se.

- E posso conhecer o lado místico desta seriedade?

- Pode. Quero que seja minha namorada, por isso a razão do questionamento.

- Ah...Eu tenho 13 anos, cavalheiro e aceito sim, sem reservas, seu pedido de namoro. E a sua idade, qual é?- Inquiriu Vanusa.

- Tenho a linda idade que seu irmão completa hoje...

E foi Vanusa que tomou a iniciativa. Suas mãos colocaram o rosto de Juan diante do seu e um longo beijo foi o resultado desta ação.

Juan e Vanusa estavam tão distraídos que não perceberam que, dois bancos adiante, estavam Peter e Priscila, que a tudo assistiram.

- Veja só, Peter, meu irmão está a beijar sua irmã... – Colocou Priscila.

- Vanusa é muito nova, mas bastante assanhadinha...Vou até lá, ela não pode se expor desta forma. – Frisou Peter.

- Ah, não? E eu posso? – Queixou-se Priscila. – Se não me engana a memória, Vanusa é apenas um ano mais nova que eu, portanto, é uma mocinha e tem o direito de namorar ou de “ficar”, sim. Não seja intolerante!

- Está bem – disse Peter – vamos dançar.

E a levou de retorno ao salão onde voltaram a dar espetáculos, com passadas certas e ritmadas.

A noite foi bela, a festa encantadora. Às 5 horas da manhã, os convidados começaram a despedir-se e os dois mais novos casais lamentaram bastante.

- É uma pena... Estava tão bom! – Lamentou-se Priscila.

- Também acho... – Concordou Vanusa – mas, venha comigo ao Toalete, preciso dizer-lhe algumas coisas.

- Sim, vamos – aceitou Priscila – e vocês, rapazes, esperem aqui.

Ao longo da noite, os dois casais se aproximaram e Juan ficara amigo de Peter.

- Interessante – falou Peter – eu com sua irmã e você com a minha...

- Pois é – somos cunhados duplamente. Gosto disso, você não? – Juan colocou.

- É... um caso raro. Sejamos, além de cunhados, bons amigos. Precisamos estar unidos contra as fofocas destas duas beldades.- Peter explicou.

- Concordo com você. Ah, você gosta de pescar? – Interrogou Juan.

- Adoro – retrucou Peter – mas são mínimas as oportunidades que tenho.

- Convido você para irmos domingo ao Lago da Imensidão... Por incrível que pareça, é um local tranquilo e quase que não é frequentado, podemos passar boas horas e fazer uma boa pescaria.- Propôs Juan.

- Aceito – Peter asseverou – Em que horário iremos?

- Passo em sua casa às 8, está bem?

- Ótimo! Mas como iremos? Andando? - Peter preocupou-se.

- Não! Iremos em minha motoca. Leve sunga de banho por baixo da roupa, toalha e pente, pois, é um lugar convidativo para um bom banho.

- Combinado. Esperarei por você. E nossas namoradas? Ficarão em casa?- Peter perguntou.

- Trata-se de um passeio só nosso, uma oportunidade para nos conhecermos melhor e estreitarmos os laços de uma amizade que profetizo bastante profícua. Segredo nosso, certo?

- Perfeito.

E deram-se as mãos. Neste momento as garotas retornavam do toalete e, igualmente, os pais chamavam para ir embora.

O domingo nasceu lindíssimo. Um belo dia de sol. Peter levantou-se às 7 horas, fez as devidas obrigações matutinas e ficou à espera de Juan. Este não se fez esperar, ainda faltavam dez minutos quando chegou à residência do amigo, que já o esperava no portão de sua casa. Peter mon-

tou na motoca que seguiu para o destino previamente combinado. Levaram uns quarenta minutos para que chegassem ao Lago da Imensidão. O local estava deserto, nem uma viva alma, nem pelas redondezas. Aportaram, desceram da moto e, à beira do lago, cada qual tinha uma varinha de pesca às mãos. Algumas horas se passaram e nada de obterem sucesso na pescaria. Isto irritou um pouco Peter:

- Peixe aqui está difícil, melhor ficarmos de sunga e aproveitarmos o banho, talvez seja muito mais gostoso, não acha?

- Concordo. – Respondeu Juan.

Tiraram as roupas, ficaram de sunga e mergulharam na água, que estava morna devido ao sol.

- Você já tomou banho aqui? – Interpelou Peter. Não é perigoso?

- Não, não faz perigo, o lago não é profundo, não chega nem a nos cobrir e se você sabe nadar, está mais protegido ainda. – Juan explicou.

- Aí é que faz perigo para mim... eu não sei nadar... – Peter disse.

- Não fique aflito – Juan afiançou – sei nadar muito bem e darei proteção a você.

Brincaram um longo tempo na água, depois saíram e ficaram a dialogar sentados na relva, às margens do lago.

- Peter, como você pode perceber, aqui não vem ninguém, é um lugar praticamente deserto...

- Sim – concordou Peter – já percebi – por isso quer ir mais cedo, não é isto?

- Que nada! É que tive uma ideia... Não sei se você vai aceitá-la...

- Se você não me disser, jamais poderei saber... – Peter emendou.

- O sol está uma delícia e dará a nós dois um belo bronzeado... porém, ficaremos com as marcas das sungas no corpo, e as partes que a sunga cobre, ficarão brancas... acho tão feio... Juan falou.

- Você está me propondo que tomemos banho nuzinhos para evitar as marcas?

- Isto. Que acha? Teria vergonha?

- Não sei... Não gosto muito de ficar nu em frente dos outros... – Peter desculpou-se.

- Tolice! Ninguém chegará aqui, só nós mesmos... e somos iguais!

- Se você tirar sua sunga primeiro, eu retiro a minha... – Peter prometeu.

E Juan imediatamente tirou a sunga e ficou nu em pelo.

- Corajoso você, hein? – Indagou Peter.

- Corajoso não, digamos, prático... vai, tira a sua e vamos mergulhar...

Peter tirou. Nuzinho mergulhou no lago e ficou a brincar com Juan, que o ensinava a nadar. Saíram da água e outra vez estavam sentados na relva, a deixar que o sol os bronzeasse. Voltaram ao lago e as brincadeiras prosseguiam... De repente, Juan sentiu falta de Peter e desesperou-se:

- Peter! Peter! Peter! – Gritava, alucinado. Resolveu mergulhar e, por sorte, deparou-se com Peter se debatendo, sem conseguir chegar à tona. Foi com grande esforço que conseguiu trazê-lo até as margens e o retirou da água, deitando-o na relva e fazendo respiração boca a boca. Deu certo, logo Peter vomitava grande quantidade de água e Juan mais e mais repetia o procedimento e mais e mais água Peter botava fora.

- Ufa, que sufoco! – Disse Juan – contudo você está salvo. Como se sente?

- Estou bem agora, mas ia me afogando... você salvou minha vida com a respiração boca a boca que me fez... Obrigado! – Agradeceu Peter.

- Que é isso? Não há de quê... Eu não poderia deixar que o “deus grego” de minha irmã morresse, não é? – Juan explicou.

- Só de sua irmã? – Peter aventurou perguntar.

- Não entendi...- Retrucou Juan.

- Agora entendo o porquê de minha irmã está maluquinha por você. – Peter afirmou.

- Por que? – Juan quis saber.

- Pela respiração boca a boca que me fez percebe-se que sabe beijar muito bem...

- Você acha que é isto?

- Que é um dos motivos, não há dúvidas. Não gostaria de repetir o procedimento? Talvez eu ainda tenha água para colocar para fora... – Peter pediu.

- Você quer?

- Quero...

Juan repetiu o procedimento... só que não foi respiração boca a boca...

Era tarde. O relógio marcava 16 horas. Resolveram enxugar-se e se prepararam para deixar o local.

- Foi um dia maravilhoso! – Confessou Juan.

- Também acho. – Concordou Peter. Voltaremos aqui?

- Certamente... agora somos muito mais que simples amigos e cunhados...

AMANHÃ - CAPÍTULO VI DESTA I PARTE

Ivan Melo
Enviado por Ivan Melo em 12/01/2015
Código do texto: T5099596
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