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LEONEL II - AMNÉSIA - CAP. 5

                             CAPÍTULO 5 – AMNÉSIA
                   
                                                  Cristina foi para o quarto de Leonel, depois que Floyd foi embora. Bruno estava junto do filho, com a mão dele na sua e olhava pensativo para o rapaz que continuava desacordado. Quando viu Cris aproximar-se da cama, Bruno falou:
- Eu não quero você aqui também...
  Cristina estranhou.
- Bruno!
- Eu falei que não te perdoaria, não falei? Fique longe dele você também. A culpada de tudo isso é você.
- Isso não é justo!
- Eu digo agora o que é justo ou não! Não é justo meu filho estar deitado nessa cama, todo machucado por dentro e por fora, depois de passar por uma violência monstruosa como essa que ele passou! Até ontem ele era um garoto normal que estava quieto na casa dele e tinha um futuro lindo todo desenhado à sua frente. Você o deixou confuso de um jeito que ele saiu de casa e foi se refugiar na casa de um desajustado e acabou vindo parar aqui.
- O Floyd não tem culpa de nada!
- Sai desse quarto, Cris! Se vai continuar defendendo ele, sai daqui!
   Ofendida, Cristina saiu do quarto e começou a chorar no corredor. Não podendo mais ficar ali, voltou para casa.
   Ao chegar em casa, encontrou Leandro sentado na sala com Helena. Ao vê-la entrar, Helena se levantou rapidamente e quis saber:
- Cris, como está o Leonel?
- Ele está internado no Hospital Central de Serra Negra. Está desacordado ainda, mas está bem...
- Mas o que foi que aconteceu com ele?
- Helena, eu estou morrendo de dor de cabeça. Eu falo com vocês depois. Vou subir, tomar uma aspirina e me deitar um pouco.
- Cadê meu pai? – Leandro perguntou.
- Ele ficou no hospital com seu irmão. Acho que vai ficar lá com ele.
- Por que você não ficou? Essas coisas quem tem que fazer é uma mulher...
- Seu pai... preferiu assim. Você sabe como ele ligado no Leonel...
- O Jorge ligou pra você, ele disse. – Disse que vem aqui à noite.
- Obrigada, Leandro. Eu ligo pra ele depois. Com licença, crianças.
  Cristina sentiu vontade de chorar, mas não queria fazê-lo na frente deles. Subiu. Entrou em seu quarto e foi encostar-se no piano. Começou a chorar novamente. Pelo sobrinho e pelo irmão que nunca tinha se indisposto tão seriamente com ela.
   Olhou para o quadro de Leo Torres e perguntou:
- Quem fez isso com você, meu amor? Quem? Queria tanto estar perto de você, agora!

  Bruno passou a noite com o filho no hospital. Leonel teve febre forte e delirou a noite toda e a enfermeira que estava de plantão cuidando dele fazia de tudo para acalmar a febre com a intervenção do médico, doutor Xavier, que era responsável por ele.
  Durante os delírios, Leonel chamou muito por Cristina. Bruno segurava sua mão e chorava, desesperado, preocupado pelo estado do filho.
   A febre foi ceder de madrugada e, pouco antes das cinco da manhã, Leonel acordou.
- Graças a Deus... Bruno sussurrou, ao ver o rapaz abrir os olhos.
  Leonel olhou para o pai, mas pareceu confuso. Passou a mão pelo rosto e fechou os olhos novamente.
- Filho...
  O rapaz parecia não reconhecê-lo e olhou em volta, assustado.
- Onde eu estou? Que lugar é esse?
- Você está no hospital, filho. Você... sofreu... um acidente... mas vai ficar bom.
  Leonel olhou mais uma vez em volta e para as ataduras no braço que estava enfaichado. Voltou a olhar para o pai.
- Cristina... Cadê a Cristina?
- Ela... foi pra casa.
- E quem é você?
  Bruno ficou surpreso com a pergunta.
- Eu sou... seu pai. Sou Bruno, seu pai, filho...
- Meu pai? Você não é meu pai...
   Ele segurou a cabeça com força entre as mãos, aflito.
- Onde é que eu estou? Eu preciso sair daqui! Eu quero sair daqui!
   Leonel começou a se debater na cama, gritando para sair dali. Bruno tentou segurá-lo e apertou a campainha para chamar a enfermeira e foi preciso mais duas para aplicar um sedativo no rapaz para que ele dormisse outra vez.
   Bruno ficou no canto do quarto, esperando que elas conseguissem acalmar o rapaz. Não sabia o que fazer. A enfermeira se aproximou dele.
- Ele está calmo agora. Acho melhor o senhor ir pra casa e descansar. Ele só vai acordar de manhã. Está tudo sob controle. O senhor volta amanhã e pode falar com o médico.
- Ele não me reconheceu! Meu filho não me reconheceu!
- Seu filho está ainda sob o estresse da violência que sofreu, é normal. Ele está em choque ainda, senhor. Vamos dar mais algumas horas para ele. Vá pra casa. Vai ser bom pro senhor também. Ele está sob os cuidados do hospital. O senhor não pode fazer mais nada por ele aqui.
  Bruno olhou para o filho e disse:
- Eu quero ficar... Por favor, eu pago o que for preciso, mas me deixe ficar.
- Eu vou ter que chamar o doutor Xavier. Espere aqui, por favor.
- Espero...
   O doutor Xavier ficou penalizado com o pedido de Bruno e o deixou ficar com o filho e ele dormiu num sofá no quarto dele.
   
                      LEONELEONELEONELEONELEONELEONELEONEL
                                       LEO (REENCARNAÇÃO)
                                                 CAPÍTULO 5

Velucy
Enviado por Velucy em 03/12/2017
Reeditado em 03/12/2017
Código do texto: T6188692
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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