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LEONEL II - SUSPEITA - CAP. 9

                                 CAPÍTULO 9 – SUSPEITA

                                         Cristina saiu do quarto de Leonel e viu Floyd sentado na sala de espera. Ele se levantou. Ela se aproximou dele e ficou olhando para seu rosto como se visse outra pessoa.
- Você veio...
- O seu irmão está mesmo desesperado. Ele mesmo ligou pra mim. Disse que o Leonel quer me ver...
   Cristina o abraçou, emocionada. Ele estranhou, mas aceitou o abraço.
- Por que você voltou assim? - ela perguntou, quando se afastou dele.
   Floyd demorou um pouco para entender a pergunta, mas entendeu e mesmo assim procurou desconversar. Mesmo sabendo que Cristina tinha uma sensibilidade muito aflorada, não sabia até que ponto podia se abrir com ela.
- Do que você está falando?
- Eu tenho que te falar uma coisa. Quem está lá dentro não é o Leonel.
- Como assim?
- É o Leo Torres. Eu não consigo explicar como, mas o trauma de ter sido... violentado deve ter desencadeado nele algum distúrbio na personalidade dele e o Leo voltou.
- O avô do Leonel, reencarnado nele?
- Isso mesmo... Ele me disse que você... também está de volta pra ajudá-lo... Meu pai, Haroldo Marques... É verdade?
- Não me pergunte mais nada, Cristina. É coisa antiga. Muito antiga. Deve ficar adormecido... é melhor assim. O motivo de eu estar aqui é porque... o Leonel me chamou e porque... eu devo muito a ele.
- Foi o Leo quem te chamou.
- Que seja... Mas quando eu terminar de fazer o que eu tenho que fazer, vou procurar mudar o meu caminho.
- Mudar seu caminho? Como?
- Isso não importa agora, Cris. Se é o Leo que está lá dentro, ele precisa da gente.
- Queria tanto contar pro Bruno quem é você...
- Não! Não pode! Eu sou o Floyd e é isso que eu quero que ele pense. O ódio que ele tem por mim é justo, é previsto. Não se pode mudar isso. Era isso que eu queria. Ele tem que me aceitar e me perdoar sozinho.
- Como você pode dizer que o ódio dele por você é justo? Você foi o pai dele! Meu pai!
   Floyd colocou a mão sobre seus lábios.
- Não repita mais isso e não se meta nisso, Cristina, por favor! Eu não fui o pai dele. O Leo foi o pai dele. Um destino que eu ajudei a desviar.
- Pra ajudar a minha mãe!
- Sua mãe não precisava de ajuda. A Gilda nunca quis se casar com outro homem que não ele. Ela apenas se sacrificou por mim, não eu por ela. Ela se casou comigo porque o pai obrigou. Porque eu quis. Eu a amava. Mas o destino dela era ficar com ele... e com o filho... e...
   Leandro e Helena entraram no corredor e aproximaram-se deles. Leandro olhou para Floyd e disse:
- Cara de pau a tua, hein? Que é que você está fazendo aqui?
  Floyd olhou para Cristina e depois de novo para o garoto e respondeu:
- Quando você me disser por que eu tenho cara de pau, eu respondo.
- Meu pai não gosta de você e o meu irmão acabou aqui por estar no seu apartamento.
- Isso não quer dizer nada. Não implica que eu o tenha colocado do jeito que ele está.
- Se não foi você, foram seu amiguinhos, falou o rapaz com ironia. – E a gente está cansado de saber que são todos da mesma laia.
   Floyd respirou fundo, contendo-se e olhou para Cristina. Depois falou:
- Eu não tenho que me explicar com você, Leandro. Se não tenho medo de estar aqui, não é das suas acusações sem sentido que eu vou fugir. Você não sabe o que diz e não me interessa nem um pouco a sua opinião. Só acho que você devia pensar um pouco mais nas coisas que diz, elas podem se voltar contra você.
  Leandro não respondeu. Afastou-se deles e entrou no quarto, puxando Helena pela mão. Cristina tocou o braço de Floyd e pediu:
- Tenha paciência com ele.
- Você me pede pra ter paciência com ele? Ah, Cris, tenha dó! Esse garoto é perigoso e...
- Não! Não é você que tem que julgá-lo. Se o Leonel o perdoar, ninguém tem o direito de acusá-lo.
   Floyd ponderou a respeito e concordou, ainda com restrições.
- Claro... Se o Leonel o perdoar... Mas será que vai? Eu preciso conversar com ele sobre tudo isso que aconteceu. O Leonel pode ser um santo, mas será que vai perdoar quando souber que corre o perigo de ter Aids por culpa dele, mesmo ele sendo seu irmão caçula?
- Aids? – perguntou Cristina, assustada.
- Se o Gil estava no meio de quem o violentou, ele corre esse risco. O Gil tem aids. Mas eu preciso conversar com o Leonel primeiro.
- Essa suspeita é muito grave e só o Leonel pode dizer o que aconteceu realmente. Entre lá.
- Não quero cruzar com o Leandro de novo.
- O Leo chamou por você. Deve estar sendo bem difícil conversar com o irmão, sabendo o que ele fez, se é que ele é culpado mesmo. Ser a reencarnação de Samuel Torres não é prova de nada. Ninguém vai acreditar.
- Tem razão. Mesmo assim eu só vou entrar quando o Leandro sair.

                  LEONELEONELEONELEONELEONELEONELEONEL
                                LEO (REENCARNAÇÃO)
                                      CAPÍTULO 9
Velucy
Enviado por Velucy em 05/12/2017
Reeditado em 05/12/2017
Código do texto: T6190442
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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