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LEONEL III - PIVETE DE CLASSE MÉDIA - CAPÍTULO 1


                            CAPÍTULO 1 – PIVETE DE CLASSE MÉDIA

                              Floyd terminou de fechar a mala e ia saindo do quarto, mas Gil ainda o chamou:
- Floyd!
  O rapaz voltou-se.
- Não fui eu que fiz aquilo com o Leonel...
  Floyd sentiu sinceridade na voz do ex-amigo. Não havia mais ironia no seu jeito de falar.
- Como não foi? Então quem foi?
- Quer dizer... eu estava com eles... mas eu não fiz nada. Ao contrário do que possa parecer, eu não tinha nenhum interesse em prejudicar o garoto. Se eu tivesse feito alguma coisa com ele... é óbvio que agora ele seria mais um aidético, mas eu não fiz nada. Não gosto dele, admito, mas não desejo pra ninguém o que está acontecendo comigo. Esse garoto tinha uma vida limpa. Não sei nem como ele se meteu com você, mas ele não merecia isso.
- Você não tem nada com isso. Se ele se aproximou de mim foi... Eu não tenho que ficar me explicando pra você. E não ter feito nada não te isenta de culpa. Ter assistido e não ter feito nada pra evitar é conivência. Também é culpa.
- Eu só abri o apartamento pros caras! Eles foram pagos pra isso!
   Floyd largou a mala e aproximou-se de Gil.
- O quê? Pagos por quem?
- O pivete, irmão dele. O tal de Leandro. Aquele carinha é um assassino profissional em potencial. Ele odeia o irmão e foi ele quem pagou pra fazer tudo. A grana não foi muito alta, mas os caras estavam precisando e fizeram a coisa toda sem muito trabalho. O Leonel foi presa fácil. Eram dois contra um... três comigo. Não foi muito difícil dominar.
- Isso foi covarde demais! Como... como você pôde?
- Eu estava com raiva de você... Eu não falei sério quando disse que quase me arrependi. Eu me arrependi mesmo, mas da burrada que fiz. Mas minha vida já está tão ferrada que... um pecado a mais...
- Você sabe onde encontrar os outros dois?
- A essa hora eles devem estar bem longe. Foi determinação do mandante mesmo. Ele exigiu que eles sumissem depois que o trabalho estivesse feito.
- Leandro... Eu sabia... falou Floyd, com uma sensação horrível de culpa.
- Por que você diz que sabia?
- É uma longa história que não te diz respeito. Eu vou embora e não quero nunca mais ver a sua cara, entendeu?
- Eu poderia ter fugido também, sabia? Mas fiquei aqui, me arriscando a ser preso pra colocar essa sujeira toda em pratos limpos pra você. Fiquei pra não acusarem você.
- Muito digno! – ironizou Floyd.
- Sabe que eu posso virar a mesa? Você nunca me deu mesmo muito valor.
- Provou agora que nunca teve.
- Eu tive meus motivos! – gritou Gil. – Sempre fui seu empregado aqui dentro. Cozinhava, lavava, arrumava sua bagunça e curava sua fossa quando você ficava mais de uma semana sem ver seu Leozinho querido. Nunca entendi porque você chamava ele de Leo, mas também nem era tão importante.
   Floyd sentiu pena dele e resolveu ser mais paciente.
- Tudo bem, Gil. Esquece. Já aconteceu mesmo.
- Como é que ele está?
- Está vivo e, se Deus quiser, vai ficar bem. O Leonel é um garoto saudável e forte, apesar de ingênuo. Ele tem um grande anjo da guarda também só por ter tido a sorte de não ter sido tocado por você.
- Não foi por falta de vontade... Ele é uma gracinha...
- Não me provoca, Gil, ou eu me esqueço do que você acabou de dizer e te dou outro murro nessa sua cara.
- Não! Chega! Já parei! – Gil falou, erguendo os braços em sua defesa.
- Você sabe se os caras que...
- Não. Eles estão limpos. O garoto não precisa nem fazer o HIV. Espero que ele se recupere emocionalmente logo.
   Floyd apanhou a mala e foi para a porta.
- Pra onde você vai?
- Pra casa do Caio. Pego o resto das minhas coisas depois, quando achar um lugar definitivo pra mim... ou melhor... pra você. Isso aqui ainda é meu. É um buraco, mas é meu! Mas fique tranquilo... Não dá mais tempo pra pedir divórcio. Você ainda é meu carma. Eu volto.
- Você vai me entregar pra polícia?
- Quem tem que fazer isso é a família do Leonel.
- Se você sabe e não diz nada, faz o papel de cúmplice.
- A gente está nessa vida pra isso, não é? Pra ser cúmplice das burradas dos outros e tentar consertá-las. A sua não vai ser a pior delas. Eu assumi o risco quando me liguei a você. Já fiz coisas bem mais sujas... Tchau. Tenha uma boa morte.
   Floyd abriu a porta de saiu.


                     LEONELEONELEONELEONELEONELEONELEONEL
                                      LEO (REENCARNAÇÃO)
                                                 CAPÍTULO 1

Velucy
Enviado por Velucy em 07/12/2017
Código do texto: T6192338
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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