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A Rosa vermelha e seus espinhos .4

                         - O quê está acontecendo aqui?
     Ouço um grito rouco mas bem alto. O suficiente para eu me assustar e cair da ca
     ma e olhar para a porta. Ainda estou vestida. E me levanto ao ver um senhor de bi
     gode folhudo me olhando da porta com ar de reprovação.
     - Seu ex-sogro me entregou seu destino.
     - Como ele pode entregar o meu destino.- pergunto me recompondo.
     - Ele teme pelo futuro brilhante de seus filhos e o próprio futuro! Me deixou você
     de presente. E eu vou precisar de você.
     - Mas eu não estou presa a ninguém mais! - protesto - estou livre .
     - Mas ele ainda teme que possa haver investigação! E quer se prevenir mandando
     para uma missão em outro país .
     - Quê país ?- pergunto espantada - Não quero ir para lugar nenhum !
     Fico esperando a resposta dele que se aproxima e empurra o oficial dali. E eu fico
     sentada na cama esperando a resposta. E ele   co
     loca o oficial para fora e depois fecha a porta e vol
     ta-se para mim falando:
     - Temos negócios em vários países e sei que fala
     muito bem a língua portuguesa...vai para o Brasil.
     - Fazer o que na América do sul?
     - Negócios! E você servirá de noiva de negociante.
     - Por quê eu ?
     - Será o tempo de conhecer novos ares e esquecer
     todo o acontecido.
     - E minha mãe sabe disso?
     - Sabe e concordou conosco
     - E quando vamos ?
     - Amanhã mesmo.
     - Como pode preparar minha viagem em cima da
     hora?
     - Vai substituir outra pessoa !
     - Oi ! - disse minha mãe entrando no quarto - vim
     falar que será uma boa vida que você terá, filha.
     - Vou para o meu quarto pensar sobre tudo isso!
     E saio do quarto deixando os dois conversando.
     Vou para o meu quarto e me jogo na cama com
     vontade. Fico olhando para o teto branco-amarela
     do e respiro fundo. Estou pensativa e meio nervo
     sa com os novos e vindouros acontecimentos.
     Não sei que horas dormi mas, acordo com minha mãe praticamente se despedindo
     de mim. Olho para a janela e vejo que ainda é noite.
     - Se arrume logo, menina ! Disse minha mãe muito apressada - tem que pegar o
     avião às 6 horas em ponto.
     Agora entendo porque ainda é noite. Vou para o banheiro e faço minhas necessida
     des e depois tomo um belo banho.
     - Ande logo  com isso, menina! - gritou minha mãe .
     - Quanto tá ganhando com isso, mãe .- pergunto ironicamente.
     - Muito bem para viver dois anos na vida boa, filha.
     Então entendo a pressa toda. Sorrio com a situação e logo me visto . E pouco
     depois estou à caminho do aeroporto e me vejo embarcando à frente de alguns
     homens de cara fechada. Dentre eles , um se sobressai pela verba cerrada e tem
     os olhos verdes e uma cicatriz abaixo do olho direito. Este se coloca a meu lado
     e então solta um sorriso amigável.
     - Meu nome é Josep Alder ! - me estende a mão esquerda-  é minha noiva !
     Olho para ele com desconfiança e ele para de sorrir e solta minha mão .
     - Só precisamos conversar em Natal, cidade do nordeste  Brasileiro. Ninguém vai
     te incomodar até lá!
     Entramos no avião e me sento ao lado da janela. Josep a meu lado abre um livro
     em francês e fica lendo. Parece nem ligar para  a minha presença. Me ignora de toda a forma . E eu
     não tou nem aí. Quero mais é cumprir minha mis
     são e seguir minha vida. Espero não ter mais nada
     para cumprir depois dessa nova missão. E fico
     olhando o aeroporto. E pouco depois as nuvens.
     Pego no sono pelo silêncio fúnebre que está den
     tro do avião. Não quanto tempo passa mas, me
     oferecem uma refeição. Como com vontade. Refei
     ção leve a base de verduras e carne leve. Tomo
     um suco e depois relação e quando acordo me
     oferecem outra. Vou ao banheiro apertado e me
     alívio. Depois vou para a poltrona e durmo. Estou
     cheia de sono.
     - Hora de levantar, menina !
     É Josep de pé a meu lado. Está sorrindo e fala :
     - Coloquei um relaxante no suco para não ficar
     fazendo perguntas sobre onde paramos e por quê
     paramos e o que carregamos. E, já é dia 17 de
     julho de 1936. E logo vai amanhecer.
     
Gerda Maria Leuenberger
Enviado por Gerda Maria Leuenberger em 07/01/2018
Reeditado em 13/03/2018
Código do texto: T6219501
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Gerda Maria Leuenberger
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Gerda Maria Leuenberger