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A Rosa vermelha da Schutzstaffel .5

                    17 de julho de 1935 . Repito em minha mente. Olho a meu lado e não vejo
     as poltronas de avião. Apenas caixas e a minha poltrona que não é da aeronave.
     - Onde estou? - pergunto me levantando o mais rapidamente possível - que lugar
     é esse?- como resposta ouço as gargalhadas dos presentes - que foi ?
     - Tem mais ou menos 1 hora que chegamos e já estamos fora da cidade.
     Sinto solavancos e então me dou conta que estou dentro de um caminhão. Olho
     para os lados e vejo negros, mulatos e brancos. Todos bem armados.
     - Vou esclarecer as coisas -  disse Josep sentando em um caixote a meu lado -
     Vendemos armas para pessoas daqui é ganhamos muito com isso. A polícia local
     nós encomenda e nós trazemos . Por debaixo do pano ganhamos mais. E para os
     renegados da lei ganhamos mais ainda.
     - E o que eu tenho a ver com isso tudo ? - pergunto com raiva.
     - Chegar com mulher fica mais fácil. Não fazem grandes revistas. E sempre vem
     uma comigo. Alguém pediu para substituir Madeleine por você. Não me custava
     nada é, ao contrário, me deram um dinheiro à mais. Trouxe você e será minha
     companheira por uns meses.
     - Meses? - pergunto assustada - por quê meses ? - tento levantar e quase Caio.
     O veículo sacode mais que barco velho em mar revolto - isso é punição...
     - Falaram que é para você esquecer umas coisas !
     Tiros e mais tiros e todos se jogam no assoalho do caminhão. É uma freada que
     faz caixas caírem sobre nossas cabeças.
     - Fiquem quietos ! - disse um negro forte em português - são volantes !
     - À partir de agora só falem em português ! - disse um senhor de meia idade.
     Os tiros cessam e escuto gritos vindo do lado de fora.
     - Se reagirem não pensaremos duas vezes em atirar !
     E dentro do caminhão todos obedecem.
     E entram homens esquisitos de fuzil que nos retiram do caminhão à força .
     Sou jogada no chão e alguém me segura pelos cabelos.
     - Uma vagabunda aqui! -  e me olha dentro dos olhos - Europeia porca. Alemã !
     - Como eu disse ...- falou o negro de pistola Alemã que estava conosco no cami
     nhão - iam vender armas para os bandidos !
     - Recebia ordens ! - disse Josep olhando para o que parece ser o comandante do
     grupo de policiais - mas podem ficar com elas ! Só me deixem ir embora . Fiquem
     com a vagabunda ! Ela faz parte da missão e é filha de um dos comandantes do
     envio das armas.
     - Mentira ! - grito em português claro - me colocaram nessa missão por maldade!
     Recebo um tapa tão forte que sou jogada no chão. Grito de dor e falo um palavrão.
     - Miseráveis excrementos de porco ! - Sou segura pelos cabelos - seu merda !
     O negro tapa minha boca e me joga no chão com força. Me levanto e corro. Atiram
     à minha frente e paro de braços abertos.
     - Mais um passo é estouro sua cabeça ! - gritou alguém - amarrem-na !
     É o que fazem comigo. Passam uma corda em torno dos meus pulsos enquanto
     vejo Josep conversando com os policiais. Nós colocam no caminhão e logo segui
     nós adiante. Para onde eu não sei. Mas vejo muitos dos que estavam comigo
     amarrados. E o caminhão segue seu rumo. Parece cumprir seu destino. E por cerca
     de 1 hora andamos aos solavancos. Estrada ruim e vejo muitas árvores secas e
     muito mato ressecados. E vejo a claridade do dia esquentar e com ela vem o pavor
     que se segue: Muito tiro e os homens saltam do caminhão às pressas. Vou tentar
     me levantar e me jogam para o lado.
     - Josep ! - grito a plenos pulmões - me ajude ! - e me levanto e me preparo para
     pular. Volto atrás pois, vejo 5 policiais mortos e Josep indo ao longe . Vejo o oficial
    do grupamento correr com seus soldados para trás de uma grande pedra e se defen
    der com bravura. Mas vejo dois de seus homens tombar e vejo que batem em retira
     da. Fico ali sozinha escutando tiros que depois encerram. Eu fico sozinha sentada
     no chão do caminhão. Minhas mãos permanecem amarradas. Escuto barulhos de
     cascos de cavalos e de notas e sapatos. Mais algum tiro e depois surge um ho
     mem estranho que sobe no caminhão. A princípio me aponta uma pistola e, com
     os olhos esbugalhados , sorri e grita :
     - Olha o que tem aqui dentro! Muito mais que armas.
     E, de repente surgem novos rostos com chapéus estranhos e todos me olham
     como se vissem algo de outro mundo. Um deles toca meus pulsos amarrados.
     - Por quê está amarrada ? - perguntou-me um negro alto e forte com jeito de líder-
     Estava aprisionada ? - e se aproxima saltando dentro da carroceria e puxa de uma
      faca - por quê está amarrada?
     - Estavam me levando presa . .. não sou daqui ! Vim com as armas !
     - Por quê ? - insistiu ele me puxando pelos braços e me empurrando para fora do
     caminhão - queriam se livrar de você !
     - Vão me levar para um aeroporto para eu ir embora ?
     Solta uma gargalhada e todos fazem o mesmo.
     - Moça....- me toca com suas mãos grossas minha cabeça - se quiser ir embora
     pode ir que não vamos impedir.
     - Mas eu não conheço nada aqui ! Como farei para ir embora ?
     - Não faço a mínima idéia, moça ! Mas pode ir embora !
     Vejo descarregarem o caminhão e dividirem as armas e munições.
     - Se eu ficar vão me prender e ...
     Tiros em sequência e todos começam a correr. E eu vou atrás e procuro me escon
     der entre as pedras junto com eles. É um deles me puxa e me joga em um cavalo
     negro. E quando vejo, a tropa de cavalos avança em velocidade mato à dentro .
     Sou levada junto para não sei onde. Mas escuto muitos tiros e, a medida que
     avançamos mato à dentro, o barulho dos tiros ficam mais fracos, longe . E eu na
     garupa nem olho para quem me leva. Sinto medo de cair e o deixo me apertar.
Gerda Maria Leuenberger
Enviado por Gerda Maria Leuenberger em 07/01/2018
Código do texto: T6219790
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Gerda Maria Leuenberger
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/01/18 17:05)
Gerda Maria Leuenberger