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LEONEL X - PROCESSO OU PRISÃO? - CAPÍTULO 1

                       CAPÍTULO 1 – PROCESSO OU PRISÃO?

                                       Ulisses terminou seu solo de piano, retirou os fones dos ouvidos e saiu da cabine, satisfeito, certo de que tinha feito um bom trabalho. Joca, o engenheiro de som, sorria satisfeito. Levantou as mãos abertas onde Ulisses bateu animado.
- Toca muito! – disse Joca. – Só precisa melhorar um tiquinho na disciplina. O Vicente já está cansado de repreender você por causa dos seus atrasos. Aliás, vocês! A CR5 já está desfalcada sem o líder da banda, não pode ficar sem o pianista também. Presta atenção, cara!
- Está falando do que, bobão?
- Que ele só não dispensa vocês porque o Caio não deixa e porque vocês tocam muito e a banda precisa de vocês, mas ele já está se cansando de bronquear por causa dessa mania de vocês de saírem sem avisar aonde vão e voltarem a hora que querem.
- Não é tanto assim. A gente já parou de fazer isso, não é, Saara?
  O rapaz não respondeu. Parecia estar em outro mundo, pensativo e distante.
- Não é, cara? Onde você está, na lua?
  Saara pareceu acordar e disse:
- Preciso falar com você, Ulisses... Vamos até ali fora. Joca, a gente vai tomar uma água.
- Não demorem. A gente vai ouvir o trecho que acabamos de gravar pra ver se todo mundo aprova. Um pé lá e outro cá, hein?
- É só um instante.
   Saara puxou Ulisses pelo braço e o levou para o corredor fora do estúdio.
- Que foi, cara? Parece que não sei!
- Pintou sujeira, Ulisses. O Leonel Marques esteve aqui!
- Quem?
- O amigo do Floyd! O cara com quem a gente aprontou no apartamento do Floyd há alguns meses!
- Como esteve aqui? Ele mora em Serra Negra. O que está fazendo aqui?
- Ele veio ver o Floyd! O cara não ficou doente? O Caio não está com ele no hospital, tonto?
   Ulisses encostou-se na parede e passou a mão pelo rosto, medindo o tamanho do problema.
- Como é que você soube disso?
- Você estava na cabine gravando e o Vicente entrou no estúdio pra avisar o Joca que teria que sair pra levar o Leonel no hospital em que o Floyd está.
- Pode ser outro Leonel, rapaz!
- Não acho que existam dois Leonel Marques, amigos do Floyd, no mundo, Ulisses. Se liga, cara!
- Ele falou o nome inteiro?
- O cara é pianista também. O Eddie ficou todo assanhado pra conhecer o cara como se ele fosse o Beethoven! É o mesmo Leonel Marques, sim! E ele está aqui em São Paulo! Talvez o Rocco o traga aqui ao estúdio amanhã!
- Amanhã?
- A gente não pode encontrar com esse cara. Você lembra que o Floyd disse que a gente é procurado em Serra Negra? Eu não quero ser preso, Ulisses! Mal comecei minha carreira de músico. Estamos prestes a lançar o nosso primeiro disco. Eu não quero ser preso e nadar pra morrer na praia! Não quero e não vou!
- E vai fazer o quê? Fugir?
- Não sei... Eu não sei... Saara disse, passando as mãos pelos cabelos, aflito.
- Vai dar no mesmo, não vai, não? Talvez o Leonel nem pense mais nisso, afinal.
- Como não pensar numa coisa dessas, Ulisses? O cara foi agarrado por nós dois a força e pelo Gil, e a gente... a gente violentou o cara! - ele baixou mais a voz para dizer a última frase. - Isso não é coisa que se esqueça facilmente assim!
 Ulisses pensou por um momento e disse:
- O caso já não é mais flagrante, Saara. Polícia nenhuma pode prender a gente agora. Nem a de Serra Negra, nem a de São Paulo, nenhuma, amiguinho!
- Mais vai dar em processo de qualquer jeito! Dá no mesmo!
- Não dá, não. Naquela época a gente não tinha onde cair morto, por isso aceitamos a grana do irmãozinho barra pesada do Leonel.
- Continua quase do mesmo jeito. Não mudou muita coisa...
- Claro que mudou. Você parece tonto! A gente faz parte de uma banda, esqueceu? Querendo ou não, estamos na metade das gravações do nosso primeiro trabalho e logo que ele saia, ou antes mesmo, a gente vai receber algum por isso. Se a gente for processado, paga a quantia que ele determinarem e ficamos livres desse Leonel de uma vez por todas.
- Tão simples assim?
- E por que não seria? Pra cadeia a gente não vai mais.   Eu não tenho mais medo nenhum desse Leonel.
- Não sei se tenho coragem de olhar pra ele, Ulisses. A gente quase acabou com a vida dele. Deixamos o cara quase morto na cama do Floyd! Todo ensanguentado!
- Mas a gente já sabe que ele não morreu, acabou! Para de lembrar disso, que saco! A gente encontra o cara, pede desculpas pra ele e vai ficar tudo bem.
- E como fica nossa cara diante da banda? O Caio é amigo do Floyd e deve ser desse Leonel também. Ele vai expulsar a gente da CR5! Já pensou nisso?
   Ulisses parou e pensou naquilo. Realmente era um caso pra se pensar.
- Não... Se ele quiser continuar o sucesso que fez com a nossa colaboração, não pode dispensar a gente assim... do nada.
- Não é bem do nada, Ulisses. Ele vai ter ótimos motivos pra isso. A gente barbarizou com a vida do amigo do namorado dele! Porque... não sei se você percebeu... o Caio está namorando o Floyd!
 

                     LEONELEONELEONELEONELEONELEONEL
                                   LEO (REENCARNAÇÃO)
                                            CAPÍTULO 1

                               RESPEITO, SEMPRE! OBRIGADA!
                                  DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!
Velucy
Enviado por Velucy em 14/01/2018
Reeditado em 14/01/2018
Código do texto: T6225576
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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