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RP - LUCILA - PARTE 3


                                             LUCILA
                                           PARTE III
                                                   
                                       Cláudio respira fundo e segurando a mão de Mônica, chega até o portão e toca a campainha na parede.

   Karen não consegue ficar na cama. As ordens do doutor Glauco foram taxativas: descansar o máximo que puder e se alimentar bem com a dieta que ele deu a Lucila. Mas ela estava insatisfeita e ansiosa que Cláudio fosse vê-la logo e vai para a cozinha ajudar Lucila com a ceia de Natal. Lucila tenta convencê-la a voltar para cama, mas tudo em vão.
- Eu estou ótima, Lucila. Estou só preocupada se o Glauco entregou o endereço ao Cláudio.
- Ele deve ter dado. E, se a senhora estivesse mesmo ótima, doutor Glauco não teria recomendado que a senhora ficasse na cama.
- Ele só vai saber, se você contar.
- É claro que eu não vou contar, mas ele pode resolver vir até aqui de surpresa só pra ver se a senhora está cumprindo as ordens dele.
- Não vem porque eu não o convidei. E chega de falatório. Me ajude a rechear essa carne. Eu estou sentindo que hoje é um dia muito especial pra mim.
- A senhora parece gostar muito desse rapaz... o... doutor Cláudio.
- E gosto. Eu o amo como amava o André se estivesse vivo. Ele é mesmo com um filho pra mim. É filho da minha melhor amiga. Pena que ela tenha morrido de maneira tão triste.
- Ele... é o único filho dela?
- Não, depois de Cláudio, ela teve mais um menino. Está com vinte anos agora. Era um bebê lindo quando nasceu. Parecia um anjinho. Pobrezinho, nem a conheceu. Christy viveu só mais seis meses depois que ele nasceu. Deve se parecer muito com ela agora. Você nem ficou no quarto pra conversar com Cláudio. É um excelente rapaz. E acho que deve ser um excelente médico também, mas você vai ter essa oportunidade, se ele recebeu o endereço que Glauco ficou de entregar.
   Karen está tão ocupada em temperar a carne do tender que nem repara que Lucila está sentindo a garganta arder e não consegue mais ficar ali.
- Com licença, senhora. Eu vou... até meu quarto por um momento.
- Que foi? Aquela dor de cabeça não está te incomodando de novo, está? Você precisa ver isso, mulher. Tome um analgésico.
- Não, senhora... Eu estou bem. Já venho pra continuar lhe ajudando. É só um instante... Com licença.
   Lucila vai até seu quarto e fecha a porta, começando a chorar. Coisa que vem fazendo muito, desde que viu Cláudio pela primeira vez. Gostaria de acreditar que ele não é o mesmo Cláudio que ela deixou bebê ainda, nos braços de Wagner Valle, há vinte e sete anos, mas só o fato de que ele é de Casa Branca transforma tudo em verdade. Não pode ser outro rapaz. É seu filho voltando para ela.
   Lucila se assusta quando a campainha toca. Karen grita da cozinha.
- Lucila, atenda, por favor! Estou com as mãos sujas de tempero!
   Ela enxuga o rosto rapidamente, ajeita os cabelos e se olha no espelho se recompondo. Sai do quarto e vai atender a porta com o coração aos pulos. Procura ser o mais natural possível ao abrir a porta e tenta sorrir quando o vê de novo diante do portão da casa. Com as chaves na mão, vai abrir o portão com as pernas tremendo. Abre o portão para ele, mas Cláudio não entra, apenas pergunta:
- A... senhora Johnson está?
   Lucila não consegue responder na hora. Abre caminho para os dois entrarem e pede:
- Entrem, por favor. Ela está sim.
   Cláudio e Mônica entram e Karen já vem vindo da cozinha enxugando as mãos num pano de prato.
- É ele, não é? - pergunta ela ansiosa e abrindo os braços para abraçá-lo. – Eu sabia que era.
- Você está fora da cama? - ele pergunta, abraçando-a. – Eu podia fazer você voltar pra lá agora.
- Mas eu não vou. Hoje não. Hoje eu fico fora daquele quarto nem que seja pra morrer amanhã.
- Não diga bobagens, Karen.
- Deixa eu olhar de novo pra você...
  Karen segura o rosto dele entre as mãos e o beija várias vezes. Depois, ainda segurando as mãos dele, olha para Mônica e pergunta:
- Essa é a sua Julieta?
- Mônica, essa é Mônica, ele diz, sorrindo.
   Karen se aproxima da moça e segura também suas mãos.
- Que boneca! Como vai, filha?
- Bem e a senhora?
- Ela é ainda mais bonita que... bom, desculpe. Eu ia cometer uma indelicadeza. Vamos entrando. Eu estava na cozinha, às voltas com um tender, mas estou preocupada com uma coisa...
   Karen se enrosca no braço de Mônica, entrando com ela na casa.
- Você sabe fazer ra... bada, Mônica?
- Rabada? - ela pergunta, com uma ruga de estranhamento na testa.
- Eu sempre me confundo com o nome... É uma iguaria brasileira feita com pão francês amanhecido e... ovos... açúcar...
- Rabanada! - ela conserta, sorrindo.
- Isso... ra... banada. Eu ainda me complico com muitas palavras aqui no Brasil.
   Cláudio ri também.


                    RETORNO AO PARAÍSO – LUCILA
                                        PARTE 3

                  OBRIGADA E TENHA UM ÓTIMO DIA!
                       DEUS ABENÇOE A NÓS TODOS!
Velucy
Enviado por Velucy em 11/05/2018
Código do texto: T6333218
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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