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RP - LUCILA - PARTE 9


                                            LUCILA
                                            PARTE IX
                                                   
                                     Quando estão quase chegando à fazenda, Wagner pergunta:
- Mãe, eu não vi o Ivan depois que cheguei. Cadê ele?
- Ele foi para Campinas hoje cedo e ainda não voltou. Está tão misterioso... Não quis me dizer o que foi fazer lá.
- Eu arranco dele. Pode deixar.
- Eu quero mais é que você fale com seu pai.
- Está certo. Já que você faz questão. Por falar em arrancar, o que tem de gostoso pra noite de Natal esse ano?
- Eu estou tão desanimada que nem fiz nada especial. A Matilde se juntou com a Diana na cozinha e as duas estão aprontando alguma coisa lá, mas eu mesma não sei.

   O carro entra pela porteira da fazenda e em minutos estão estacionando na frente da casa grande. Os dois saem do carro e Wagner beija a testa de Magda.
- Obrigado por ter ido comigo, linda. Eu te amo.
- Eu também, amor. Quando você vai levar pra ele?
- Depois de amanhã. Não vou nem tirar do carro. Amanhã, coloco no dele e dou descanso pro Aston. Ele já participou de muita aventura no Brasil. Chega de viver perigosamente.
- Vou ver minha filhota.
- E eu vou ver meu pai.
   Eles entram juntos na casa e Wagner vai direto para a biblioteca. Respira fundo e abre a porta. Leonardo está sentado no mesmo lugar com a cabeça apoiada nas mãos postas.
- Posso entrar, pai?
   Leonardo ergue os olhos e ao vê-lo, consente. Wagner entra, fecha a porta atrás de si e se senta em cima da mesa, diante do pai.
- Que é que você tem, seo Leonardo?
- Nada... o velho responde, com um sorriso forçado e triste.
- O Cláudio está bem, pai. Ele está melhor do que eu esperava, apesar dos pesares. Eu não gosto de ver você sofrendo. Você tem que se desligar dele um pouco.
- Ele demonstra estar bem como fez a vida inteira. Como é que um homem... um médico respeitado na cidade inteira pode estar bem, sendo alvo de boatos e comentários maldosos do jeito que ele está?
- E você se importa com isso?
- Quando você for pai, vai entender do que eu estou falando. Eu tenho que me importar. Eu tinha orgulho da posição que ele ocupava no hospital, no orfanato e na cidade... Era respeitado, querido... Agora, pode até ser preso, se voltar pra cidade em que nasceu...
- Agora ele é feliz como nunca foi com essa notoriedade toda...
   Leonardo entende a observação. Levanta-se e vai até diante do quadro do filho, dizendo:
- Eu não quis dizer nada a ele, mas... não acredito que esse caso dele com a filha do Jairo vá chegar muito longe. Ele está procurando nela o que não encontrou em Tânia. Ela é uma criança. Esta felicidade é passageira e é isso que me preocupa. Ele só vai estragar a vida dele, a carreira... tudo, por nada. Não vai dar certo.
- Você está enganado. Eles não estão tendo um caso, pai. Ele ama a Mônica de verdade. Eles vão ter um filho.
- Um homem maduro como ele não pode amar uma criança, Wagner. Eu tiro isso por mim. Eu também pensei que amava a mãe dele...
   Leonardo passa as mãos pelos cabelos e dá alguns passos na direção da janela.
- Ele vai cometer o mesmo erro que eu.
- Não acredito nisso. Há muita diferença entre os dois casos. Você nem tentou fazer nada pela mãe dele e o Cláudio só não assumiu o bebê da Mônica desde o início porque ela não deixou.
- Ele está assumindo justamente porque sabe o que aconteceu comigo. Ele está querendo mostrar pra mim que havia solução também naquele tempo. Que eu fui um irresponsável. Quer jogar na minha cara tudo que eu fiz.
- Não é isso. Você não pode comparar o Cláudio com você.
- Claro que posso. A situação é a mesma.
- Não é, pai! O Cláudio perdoou você. Ele não quer te dar lição de moral. Ele não iria usar a Mônica pra fazer uma coisa tão baixa assim. Pensa bem. Ele se apaixonou por ela. Não fez o que fez e nem faria por vingança. Você parece não estar se lembrado de quem seu filho é.
- Não... Não chamo de vingança... É só uma punição do céu. Uma punição que eu mereço... e que está vindo pra mim pelas mãos dele.
- Você ainda vai mudar de opinião. É você que está se culpando. O Cláudio não faria isso. E se você acha que Deus está te punindo, essa punição está vindo na forma de uma menininha que vai nascer em maio. Sua neta.
   Leonardo olha para ele e seus olhos se enchem de água.


                               RETORNO AO PARAÍSO – LUCILA
                                                    PARTE 9

                                OBRIGADA E TENHA UM ÓTIMO DIA!
                                             FELIZ DIA DAS MÃES!
                                        DEUS ABENÇOE A NÓS TODOS
                                                E A TODAS ELAS!
Velucy
Enviado por Velucy em 13/05/2018
Código do texto: T6335076
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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