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RP - LUCILA - PARTE 10


                                          LUCILA
                                         PARTE X
                                                   
                                Leonardo olha para o filho e seus olhos se enchem de água.
- Neta?
- É, pai, e eu quero ver o dia em que você vai pegar a Maria Cecília no colo e apagar todas essas besteiras que você tem na cabeça agora quando ela sorrir pra você.
   Leonardo volta a se sentar em sua poltrona e emocionado pergunta:
- Você sabe onde eles estão? Vai voltar pra lá ainda?
- Sei, mas é um lugar provisório. Eu vou voltar depois do Natal. Eu tenho que levar pra ele as roupas e o talão de cheques que ficaram aqui na casa dele. Acabei de vir de lá.
- Você já foi... na casa do Cláudio hoje?
- Fui. A Magda me ajudou. Deu tudo certo, não se preocupe. Amanhã eu vou até a Santa Casa pegar o carro dele. Ele vendeu pra mim.
- Vendeu?
- É. Ele está com o meu lá em São Paulo.
- E pra que você quer dois carros? Você não gosta de dirigir.
- Não comprei pelo carro, pai. Comprei porque ele precisa do dinheiro.
- Vai ter que ir pra Londres pra conseguir esse dinheiro?
- Não. Meu bisavô já tinha providenciado tudo antes. Já estava na minha conta aqui no Brasil. Eu fui descobrir quando puxei meu saldo lá em São Paulo.
- Esse velho continua mandando mais em você do que eu...
- É... digamos que sim, Wagner diz sorrindo. – Não fica com ciúme não, vai.
   Leonardo continua sério.
- Não fica com essa cara, pai. Sorria. Faz uma cara que eu não vejo você dar uma risada. E o pior é que você começou a ficar assim desde que eu voltei da Europa. Eu não quero ser um dos motivos da sua tristeza. Não quero ser um reflexo da minha mãe na sua vida. Já basta eu me parecer com ela. Eu sei que ela morreu te odiando, mas eu te amo.
   Wagner desce da mesa e se aproxima do pai abaixando-se junto dele.
- Eu quero que você saiba que... se eu estou mexendo no passado é... justamente pra tentar entender melhor certas coisas que me deixaram confuso antes. Coisas sobre você, sobre o Cláudio... e sobre mim mesmo. E porque eu tenho uma dívida com uma pessoa que eu aprendi a amar meio tarde, que foi muito legal comigo e... que sofreu muito com tudo isso também.
- Seu bisavô...
- É... Eu estou tentando me colocar na pele de todo mundo pra poder entender as atitudes de todos e não julgar de maneira errada. Ainda mais porque isso tudo já não me afeta mais. Eu sei que... ele amava a neta demais e fez o que achava que deveria fazer para defendê-la. Você pode até achar que ele estava errado, mas tem que concordar comigo que ele tinha razão. Você também não estava muito certo e futuro que minha mãe teve com você foi terrível.
- E você ainda quer que eu sorria? Ouço meu próprio filho dizer isso pra mim e... você quer que eu fique feliz?
- Eu não falei nenhuma mentira, muito menos pra te magoar, pai. Se minha mãe tivesse sido feliz com você, talvez ela... estivesse aqui com a gente ainda.
   Uma lágrima rola teimosa pelo olho de Wagner e ele a enxuga rapidamente.
- Eu estou dizendo tudo isso com a cabeça limpa, livre de qualquer julgamento a você ou a ela. Eu não tenho nada contra você, muito menos contra ela que já está morta, nem contra ninguém...
- Ele conseguiu o que queria...
- Pai... Wagner diz, colocando a mão sobre a do pai. – Ninguém que esteja vivo aqui nessa terra quer fazer nada contra você. Se o vovô quis isso... ele se deu mal, porque... eu não quero. Eu te amo.
- Então não procure saber mais nada sobre essa história. Esqueça tudo que você ouviu da boca de Stanley Russel. Esqueça até que você já esteve com ele em Londres.
- Você sabe que eu não posso fazer isso. E se você tem ainda alguma coisa pra dizer, fala agora. Abre teu coração pra mim e despeja logo tudo que está te apertando. O que você não quer ainda que eu saiba? Que a mãe do Cláudio... é filha do Salomão?
   Leonardo olha para ele surpreso e se levanta, afastando-se dele.
- É isso, pai?
- Como... como você descobriu?
- O próprio Salomão me contou.
   Leonardo vai para perto do quadro de Cláudio e, em seguida, se volta para ele, em pânico.
- Eu não quero que Cláudio saiba!
- Por que não?
- Não envenene meu filho contra mim, Wagner.
   Wagner cai das nuvens. Ele se ergue lentamente.
- O quê? Envenenar?
- Se você sabe onde ela está, não quero que diga a ele... por favor.
   Wagner se senta na mesma poltrona em que o pai estava sentado, decepcionado.


                           RETORNO AO PARAÍSO – LUCILA
                                            PARTE 10

                            OBRIGADA E TENHA UM ÓTIMO DIA!
                                     FELIZ DIA DAS MÃES!
                              DEUS ABENÇOE A TODAS ELAS!
Velucy
Enviado por Velucy em 13/05/2018
Código do texto: T6335077
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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