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RP - UM NATAL ATÍPICO - PARTE 4


                                      UM NATAL ATÍPICO
                                                PARTE IV
                                                   
                                       Lucila enxuga o rosto ainda molhado e sorri; respira fundo.
- Eu nunca me senti tão bem, tão... aliviada. Afinal... nem tudo saiu tão mal como eu pensava. Eu posso lhe fazer... duas perguntas de certo modo... invasivas?
- Pode.
- Você é feliz como eu senti que é... com essa moça, a... Mônica?
- Sou sim, muito.
   Ela olha para o chão, pensativa.
- Qual a outra pergunta?
  Munindo-se de uma imensa coragem, ela ergue os olhos para ele e o olha nos olhos.
- O que você pensa a meu respeito... agora que me conhece?
- Eu ainda não te conheço. Eu conheço o meu passado. Ainda não posso te julgar. Não posso te absolver nem te condenar. Não foi pra isso que eu quis falar abertamente com você. Mas... se serve de consolo... você é exatamente como eu imaginei, depois que soube que estava viva e que poderia ver você. Acho que, quando jovem, você deve ter sido muito frágil e ainda demonstra ser, mas teve forças pra se levantar e continuar vivendo, apesar de tudo. Só que você devia ter usado essa força há vinte e sete anos. Agora eu não estaria olhando pra você como se nós dois fôssemos totalmente... desconhecidos.
- Me perdoa...
  Ele sente o coração querer sair do peito e uma lágrima rola por seu rosto.
- Já disse que eu não estou aqui pra te julgar... mas não adianta nada eu te perdoar... se você não fizer o mesmo.
   Lucila recomeça a chorar, mas agora de alegria.
- Então... você não me odeia?
- Não... Mas não posso lhe dar esperanças de sentir algo mais do que respeito por você e um imenso carinho. Procure compreender.
- Eu compreendo. Não te peço nada, além disso. Meu pesadelo constante nos últimos dias era... um dia chegar a sentir que você me odiava. Não sei nem se eu merecia, mas Deus ouviu minhas preces. Posso... lhe dar um beijo?
   Ele balança a cabeça consentindo. Lucila aproxima o rosto do dele e o beija docemente. Cláudio não consegue se contentar só com isso e a abraça chorando. Ela se deixa ficar nesse abraço com o coração explodindo de alegria. Ele lhe beija a testa e se afasta dela.
- Boa noite...
- Boa noite, meu amor. Durma bem... meu filho.
- Foi a noite de Natal mais bonita que eu já tive. Obrigado.
  Ela acaricia o rosto dele, enxugando uma lágrima e ele beija sua mão.
- Até amanhã.
   Lucila vai para seu quarto e ele também vai para o seu. Entra no quarto bem devagar. Mônica está sentada na cama, recostada num travesseiro. Ao ver seu rosto molhado, ela estende a mão para que ele vá se deitar a seu lado. Cláudio se ajoelha no chão do lado dela e abraça sua barriga, encostando o rosto nela.
- Não se afaste da nossa menina por nada nesse mundo.
   Mônica acaricia seus cabelos.
- Nunca... Que ideia é essa? Eu nunca faria uma coisa dessas, meu amor. Por que isso agora?
- Aconteça o que acontecer. Promete?
- Cláudio...
   Ele levanta o rosto para ela.
- Promete, por favor.
- Claro que eu prometo, mas ninguém vai separar nós três. Nunca. Não fique assim.
   Ele a beija e Mônica pede:
- Fica calmo. Se troca e deita aqui do meu lado. Conta tudo pra mim.
   Ele o faz e, minutos depois, deitado ao lado dela, ele a faz recostar em seu peito.
- Vocês falaram sobre tudo?
- Tudo... Foi... difícil ouvir, mas imagino que foi muito mais difícil dizer. Mas acho que... quase acabou.
- Quase? Como assim? O que falta ainda?
- Karen não sabe que ela é minha mãe. Ainda pensa que eu sou filho de Christy Russel.
- Meu Deus! E por que ela não contou?
- Medo da reação de Karen se soubesse que a amiga morreu por causa dela.
- Mas não foi diretamente por causa dela...
- Foi o que eu tentei dizer, mas ela ainda está com muito medo de perder a amizade da patroa.
- E o que você vai fazer?
   Cláudio respira fundo e fecha os olhos, abraçando-a com mais força.
- Eu vou dormir...
- Mas você vai contar?
- Eu confio na Karen. Ela não vai ficar contra Lucila por ela ser minha mãe. Eu confio no coração dela.
   Mônica sorri.
- Eu também.
  Ela ergue a cabeça e olha para ele.
- Está feliz?
- Aliviado é a palavra.
- É uma forma de felicidade, mas eu estou feliz por você.
   Cláudio a beija e em seguida pergunta:
- Está feliz com nosso cantinho?
- Muito... Você não disse que ia comprar uma casa e colocar no meu nome. Que ideia foi essa?
- Eu tenho medo que aconteça alguma coisa comigo e você e Maria Cecília fiquem desamparadas. Eu não ia me perdoar nunca.
- Não vai acontecer nada com você. Agora pouco você me fez prometer não desamparar nossa filha. O que você imagina que possa acontecer, justamente agora que está tudo ficando tão bem?
- Não sei... É por isso mesmo. Está tudo dando tão certo que... eu chego a desconfiar de tudo.
   Ela o beija demoradamente.
- Não pensa assim. Relaxa e vamos dormir. Já são quase quatro da manhã.
   Cláudio começa a escorregar na cama até se deitar puxando o cobertor para cobrir os dois. Apaga o abajur do criado mudo ao lado e já no escuro diz:
- Boa noite, Feliz Natal, eu te amo.
- Boa noite, amor. Feliz Natal.
   Eles trocam um longo beijo.


                   RETORNO AO PARAÍSO – UM NATAL ATÍPICO
                                              PARTE 4

                                OBRIGADA PELA COMPANHIA!
                        BONS PENSAMENTOS NOS ACOMPANHEM!
                             DEUS NOS ABENÇOE A TODOS NÓS!
Velucy
Enviado por Velucy em 16/05/2018
Código do texto: T6338184
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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