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Dasein (Prólogo)

"A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero." Victor Hugo

                      

                    

As ruas estavam cheias de pessoas comemorando. A Copa do Mundo no Brasil, tinha seu vencedor. A seleção brasileira se tornarva hexacampeã do mundo em sua casa. Mas Mikael não estava prestando nenhuma atenção em toda comemoração. Ele estava fugindo em desespero. Os seus perseguidores eram homens perigosos. Na realidade apenas um. O líder desse grupo.

"Realidade!" pensou Mikael. O que era realidade? O que era real? Tudo não passava de um sonho? Um sonho extremamente ruim. Em outro "mundo", aquelas pessoas não estavam comemorando. A seleção tinha tomado 7x1 dos Alemães na semifinal. Isso era a realidade? Quem sabe? Quem se importa?

Enquanto corria, desviava de vários torcedores com rosto pintado de verde e amarelo. Esbarrou num vendedor de espetinhos com carne de procedência duvidosa. O vendedor soltou um palavrão em resposta. Mikael não se importou. Continuou correndo. Atrás dele, ouviu um grupo correndo também. Ele não quis ver quem era. Ele sabia. Invadiu uma casa que estava aberta. Se fosse num mundo real, a casa estaria obviamente fechada. Não ali. Ali estava aberta. Aquele mundo parecia perfeito, exceto pela arma em cima de uma mesa. Até ali tinha armas! Ele pegou o revólver que já estava carregado e continuou a fuga.

Aquele mundo com todos os seus estilos e comportamentos estranhos para a realidade, podia guardar problemas sérios. E foi o que aconteceu quando se viu numa rua sem saída. Em outros mundos, a rua era maior e dava para uma avenida movimentada. Não ali. Ali a única coisa que viu, foi uma enorme parede na frente. Tentou voltar. Viu que foi cercado. Não teria mais como fugir.

- Olá, Mikael!

O homem em sua frente se chamava Victor. Era um cara alto e forte. Estava sempre sorrindo como se fosse um constante vencedor. E era. Se orgulhava de sempre conseguir o que queria.

- Não deveria ter aceitado o emprego! - Mikael falou.

- Infelizmente aceitou. - Victor respondeu. - E aqui estamos nós. Você tem algo que quero muito. E invés de me entregar, fugiu..

- Eu não estou fugindo. Você que está.

Victor parou de sorrir. Sua fisionomia séria era mais assustadora que a alegre.

- Tudo acaba aqui! Não tem pra onde correr. Vai pedir ajuda pra quem? Eu sempre venço, não é mesmo? Acho que você percebeu isso naquele dia..

- Não! Aqui é apenas o começo. Infelizmente, vi no que tudo isso vai dar. E o que vi foi que o destino foi traçado, antes mesmo que nós nascessemos. Você irá perder, Victor. Esse jogo não tem como vencer.

O ódio tomou conta do rosto de Victor. Mikael pegou o revólver que tinha encontrado na casa, Victor se assustou. Mas Mikael não atirou nele e nem nos seus homens ali presentes. Mikael atirou na própria cabeça.

Victor então sorriu novamente. Chegou perto do corpo de Mikael e se ajoelhou. Uma poça de sangue se formava perto do morto. Victor então se levantou. Olhou para um de seus homens e disse:

- Procurem o Dasein...

- Mas ele..

- Não está morto. Procurem por qualquer prédio, casa, bueiro... Qualquer lugar. Ele tem o que quero.

O homem baixou o rosto e se virou pra cumprir a ordem. Victor voltou para olhar o corpo de Mikael no chão. Uma aparente tristeza tomou o seu rosto. "Deplorável!" Foi o único pensamento que teve no momento.

Perto do local, um homem assistia tudo. Teve um real sentimento de luto, pelo morto. Não era o que queria, não era o planejado. Mas foi o necessário. Infelizmente as vezes é melhor morrer, para que se possa vencer no final. Alguém bateu na porta. O homem não se assustou. Apenas autorizou a entrada. Era uma empregada com o pedido dele.

- Aqui está seu pedido, Sr. Mikael!

- Obrigado, Amanda!

- Deveria usar o seu nome real. Acho bem charmoso.

- Agradeço teu conselho, Amanda! Só que acho que no momento ainda não.

- Entendi, Sr. Miguel, então?

- Sim, Amanda!

A empregada sorriu e foi embora. Mikael estava sozinho de novo. Ao longe, alguns homens vasculhavam algumas casas. Mikael pegou algo no bolso. Porém antes comeu o que Amanda tinha trazido. O hotel já estava pago. Minutos depois desaparecia por um portal materializado perto dele.

Apenas uma hora depois, Victor estava no mesmo quarto. Alguns homens reviravam tudo. Victor sabia que não encontrariam nada. Mas não custava tentar.

- Ele não está mais aqui! - Exclamou.

- Nesse hotel? - perguntou um capanga.

- Talvez esteja. Mas não nesse mundo. Vamos! Temos bastante trabalho.

Victor saiu com seus homens, passou por cima do corpo de uma mulher. Ele não gostava de matar, mas as vezes era necessário. Ela seria uma ameaça. Era o destino. Por isso deveria morrer.

- Amanda! Belo nome. - Falou pra morta antes de sair.
Maicon de Capreo
Enviado por Maicon de Capreo em 12/07/2018
Código do texto: T6387826
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Maicon de Capreo
Restinga Seca - Rio Grande do Sul - Brasil, 30 anos
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