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MI - UMA GAROTA MUITO ESPECIAL (DOZE ANOS DEPOIS) - PARTE 16

                       MI – UMA GAROTA MUITO ESPECIAL
                                           PARTE XVI

                            André apanha a colher e começa a retirar pequenas porções do sorvete e colocando devagar na boca como se fosse a última coisa que fosse comer em anos. Seus olhos se fecham a cada porção.
- Você nunca tomou um Sunday, tomou? - Wagner pergunta.
 André balança a cabeça e nega, sem conseguir nem falar. Wagner sente a garganta apertar ao pensar que seu próprio filho não deve levar uma vida muito fácil onde mora, vivendo com a mãe.
- Eu sei que você não é de Casa Branca. Onde você mora de verdade?
- Ribeirão Preto, com minha tia Rosana. Se bem que ela não é minha tia, é tia da minha mãe. Irmã da minha vó que já morreu.
- Sua tia/avó.
- É, mais ou menos isso. A gente só veio pra cá, porque a bisa está doente.
- O que a dona Joana tem?
- Como você sabe o nome dela?
- Já disse que eu moro aqui desde que nasci e a dona Joana está aqui desde então. Que parte você não entendeu que eu conheço sua mãe há muito tempo? Só não conheci bem sua avó porque eu era criança quando ela morreu.
- Você enrolou, enrolou e não disse nada sobre isso. Quer que eu pense o quê? Você conheceu minha mãe quando?
 - Eu estudei com ela o ginásio e o colégio.
- Poxa... Que massa. Ela era boa aluna?
- Você é?
   O menino coloca um bocado grande se sorvete na boca e responde.
- Mais ou menos...
   Wagner entrega um guardanapo a ele.
- Nunca te disseram que é feio falar de boca cheia?
   André limpa a boca e torna a responder.
- Mais ou menos. Não gosto muito de escola não.
- Em que série você está?
- Sexta...
- Já repetiu algum ano?
- Não, senão minha mãe me tirava o couro e fritava feito bacon. Se ela não fizesse, tia Rosana fazia.
   Wagner sorri, mas fica sério em seguida.
- Você... apanha da sua mãe?
- Umas vezes, mas a tia Rosana não deixa na maioria das vezes que ela tenta. Quando eu apanhei, ela estava com a razão. Eu não sou muito fácil. E você? Já repetiu? – André revida.
- Não, meu pai pensava do mesmo jeito que sua mãe. Eu só parei de estudar depois que fiz o colégio, mas continuei dois anos depois.
- Estudar o quê? Tem alguma coisa pra estudar depois do colégio?
- Claro que tem. Você pode fazer faculdade.
- Do quê?
- Do que você quiser. Você tem que estudar no ginásio e no colégio primeiro pra decidir que faculdade quer fazer depois. Com que matéria você se identifica mais?
- Educação Física. Adoro jogar futebol.
   Wagner ri.
- Qual a graça?
- Todo menino adora Educação Física.
- Você também?
- Não muito. Eu gostava de... cavalos e depois passei pras motos.
- Você tem moto?
- Tenho, mas faz um tempinho que não ando mais.
- Eu podia andar nela qualquer dia? Onde você mora? É longe?
- Um pouco. Eu não moro na cidade. Moro numa fazenda a alguns quilômetros daqui.
- Numa fazenda? Então você é rico.
   Wagner fica sem jeito de responder. Quando ia fazer isso, ouve Janete gritar perto da praça.
- André!
   André também ouve e começa a tomar o restante do sorvete com mais rapidez.
- Minha mãe está me chamando...
- Toma devagar. Eu vou falar com ela.
   Wagner se levanta e vai até a porta da sorveteria.
- Janete, ele está aqui!
   Ela se volta e olha para ele, ficando muito aborrecida. Atravessa a rua a se aproxima dele.
- O quê?!
- Seu filho está tomando sorvete ali.
   Ela olha para o menino e ele também para ela, sorrindo e acenando com a boca cheia de sorvete. Nervosa, ela vai até ele e segura seu braço com força, puxando-o com certa violência.


        RP – MI - UMA GAROTA MUITO ESPECIAL (DOZE ANOS DEPOIS...)
                                                   PARTE 16


                                         OBRIGADA! BOM DIA!
                                 DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Velucy
Enviado por Velucy em 06/08/2018
Reeditado em 06/08/2018
Código do texto: T6410735
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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