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MI - UMA GAROTA MUITO ESPECIAL (DOZE ANOS DEPOIS) - PARTE 17

 
                         MI – UMA GAROTA MUITO ESPECIAL
                                              PARTE XVII

                                    Janete olha para André e ele também para ela, sorrindo e acenando com a boca cheia de sorvete. Nervosa, ela vai até ele e segura seu braço com força, puxando-o com certa violência.
- Ai, mãe! Eu não terminei ainda...
- Vamos pra casa. Você não tinha nada que estar tomando sorvete aqui. Você pagou isso com que dinheiro?
- Ele pagou pra mim, mãe. Eu não roubaria um sorvete.
  Janete puxa a mão do menino e o leva para fora da lanchonete.
- Você não precisa fazer isso, Janete. É só um sorvete. Deixa só ele terminar.
- Eu já disse que não quero nada de você. Deixa meu filho em paz.
- Ele não é só seu, Janete!
- Cala essa boca! – ela diz, cerrando os dentes e com os olhos acesos de raiva.
   Ela se afasta praticamente arrastando o menino dali. Wagner fica impotente diante da situação. André consegue se virar para ele enquanto segue a mãe e diz:
- Valeu! Obrigado! Você não me disse seu nome!
   Wagner não consegue dizer. Janete e o menino viram a esquina e desaparecem. Ele pensa em seguir os dois para que ela não brigue mais com o garoto, mas acha melhor não provocar Janete ainda mais. Tem que arranjar outra forma de convencê-la a deixar que ele tenha mais contato com o filho de outra forma.
   Entra na caminhonete e volta para a fazenda, repassando em sua cabeça tudo que aconteceu naquele dia. Vai o caminho todo chorando e chega ao pátio da fazenda, queimando pneus ao estacionar. Desce da caminhonete, bate a porta com força e entra na casa correndo, nem percebendo que Maria Cecília está com Elis na sala. Elis está penteando e colocando presilhas no cabelo da sobrinha. As duas o vêem subir correndo e Maria Cecília pergunta:
- Nossa! Que será que o dindo tem?
- Deve ter brigado com alguma namorada, Elis diz, sorrindo, sem parar de mexer com os cabelos da menina.
   Maria Cecília continua preocupada e olha para o topo da escada.
- Não se mexe, garota, eu estou quase terminando.
   Ela termina o trabalho e pega o espelho de mão sobre o sofá, deixando que ela se veja.
- Ficou bom? Gostou?
   Maria Cecília se olha rapidamente e confirma com um sorriso sem vontade.
- Ficou, tia. Obrigada.
- Você tem o cabelo tão lindo. Sua mãe teria o cabelo assim também, mas ela nunca deixou crescer. Só quando estava esperando você. Chegou a ficar nos ombros, mas depois que você nasceu... e seu pai morreu... ela cortou de novo e não deixou mais crescer. Sempre deixa curtinho, até hoje.
   Elis fica melancólica por um momento e Maria Cecília percebe, mas a moça logo volta ao seu estado normal e sorri.
- Você é uma bonequinha, Mi. Se parece muito com meu irmão.
- Eu também acho, tia. E sei que ele também gosta do meu cabelo assim. Obrigada. Acho... que eu vou ver o que o meu dindo tem.
- Não deve ser nada. Ele deve estar voltando do banco. Teve algum problema com alguma coisa da fazenda.
   Magda vem da cozinha.
- E aí, madames? Terminaram com esse cabelo? Venham almoçar logo. Seu pai não vem almoçar hoje em casa, Elis. Ele foi até Rio Pardo resolver um problema. Viram se o Wagner já chegou?
- Chegou e subiu batido.
- Vó, o meu padrinho chegou nervoso. Ele não estava legal. Você não quer ir falar com ele pra saber o que foi?
- Nervoso?
- Não deve ser nada, diz Elis. - Algum pepino da fazenda, mãe.
  Magda olha para o topo da escada.
- Eu confio mais no sexto sentido da Maria Cecília do que na sua indiferença com seu irmão, Elis. Você não se preocupa com ele.
- Ué! Um marmanjo daquela idade sabe se cuidar. Ele deve estar bem. Vocês se preocupam demais. Eu vou almoçar logo. Tenho que fazer meu trabalho de Biologia pra segunda.
  Elis vai para a cozinha. Maria Cecília olha para a vó, preocupada.
- Vai falar com ele, vó. Eu sinto que tem alguma coisa acontecendo.
   Magda se aproxima dela e acaricia seus cabelos.
- Seu pai está te dizendo alguma coisa?
- Não... Mas eu sinto. Vai falar com ele, por favor, vó.
- Eu vou. Vá almoçar com a sua tia.
   Magda beija sua testa e sobe. Maria Cecília se senta no sofá e olha para o pequeno porta-retratos sobre a mesinha de centro com a foto de Cláudio.
- Tomara que não seja nada. Cuida dele, papai, por favor.


        RP – MI - UMA GAROTA MUITO ESPECIAL (DOZE ANOS DEPOIS...)
                                                PARTE 17

                                      OBRIGADA! BOA TARDE!
                                   DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!
Velucy
Enviado por Velucy em 06/08/2018
Código do texto: T6411251
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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