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AMANDA III - RUBENS E ALBA II - PARTE 2

                                   II – RUBENS E ALBA

                                      Alba se levantou e saiu da carteira, zangada, indo sentar em outro lugar mais à frente. Rubens ficou sem ação.
- Ih, cara, parece que ela está uma fera! - disse Eugênio.
- Acho que dessa vez a bronca é pra valer... falou Helena, com ar de quem concordava com a amiga.
- Que diabos há com ela? - Rubens perguntou, passando a mão pelos cabelos. – Pô, Marco, a culpa é tua, hein?
- Minha!? - perguntou Marco.
- É! Desde o seu casamento, ela anda esquisita, me cobrando.
- Calma aí, o Marco não tem culpa de nada disso, português, defendeu Chu. – Você é que está enrolando a Alba há um tempão. Vocês namoram há seis anos! Há três ela está com a aliança na mão direita e você não se decide!
- Eu não posso me casar ainda!
- Por que não? - Helena perguntou.
- Ah, porque... a gente não tem nem uma casa ainda!
- Então diz isso pra ela, disse Helena. - Mas que a gente nunca nem vê nem ouve você falar que tem planos de comprar ou alugar uma casa pra vocês morarem, isso não vê mesmo. Você nunca fala no assunto, cara. O Chu está certo. Você está enrolando a Alba.
- Olha, não se mete não, tá, Baixinha? Você não sabe de nada. Não se mete! - ele disse, afastando-se do grupo.
- Ele ficou zangado... disse Marco.
- Esse cara não vai se casar nunca, falou Chu. – Pelo menos não com a Alba. Ela que não se cuide não ou vai acabar ficando solteirona por causa dele.
- Eu já disse isso pra ela, mas a coitada é apaixonada por ele, disse Helena.  - Se fosse eu já tinha deixado ele há séculos.
- Mas por quê? - perguntou Marco. - Ele é um cara tão legal.
- Mas não nasceu pra casar, explicou Eugênio.
- Como assim? Por quê?
   Ninguém respondeu. O professor Viana entrou na sala e não se falou mais no assunto. No final do período, Rubens e Alba já não estavam mais na sala. Helena e Eugênio despediram-se de Chu e Marco, e foram embora. Marco levou Chu de carona até sua casa no Brooklin e, no carro, perguntou:
- Será que o Rubens ficou mesmo zangado comigo por causa daquele papo de casamento com a Alba?
- Não, você é o que menos tem culpa nessa história.
- E quem tem?
   Chu não respondeu e ficou girando na mão os anéis que tinha nos dedos.
- Chu, uma vez a Cleo me disse que todo mundo na turma tinha um problema diferente e... me falou por alto de cada um deles, inclusive dela própria, aquela história dela com o padrasto e... você sabe...
- A Cleo é fogo. Espero que o Teo dê um jeito nela e coloque juízo naquela cabeça.
- E vai, eu tenho certeza. Mas não muda de assunto. Ela me falou de todo mundo, menos do Rubens e... não que eu queira saber, é... Ela disse que um dia ele mesmo me contaria, mas isso não aconteceu e eu nem me interessei, porque eu gosto de vocês todos do jeito que são. Mesmo o Claus, que de vez em quando se estranha comigo, eu já consigo entender um pouco, ainda mais levando em consideração que nossos pais são amigos... Mas hoje vocês me deixaram com a pulga atrás da orelha por causa do Rubens. Deram a impressão de que ele não é só um cara querendo enrolar a noiva com alguns anos de aliança no dedo da mão direita... Qual é o problema dele?
- Você não faz nenhuma ideia?
   Marco ficou olhando para ele por alguns segundos e arriscou:
- Você disse que ele não nasceu pra casar, pelo menos não com a Alba... Ele é... gay?
- Desde que nasceu. Garoto esperto, você, Marco.
   Marco apoiou os braços no volante e ficou olhando para a rua.
- Caramba! - exclamou em voz baixa.
- Ele disfarça bem. Não precisa se achar um idiota. Só quem o conhece bem, sabe.
- Você, o Eugênio e o Claus.
- É. A Cleo também já percebeu. Ele saiu de casa por causa disso, com dezoito anos. Ele mesmo não gosta de admitir que é. A gente raramente fala sobre isso, mas no colégio aconteceram coisas que deixaram bem claro pra gente que ele só não se aceita publicamente.
- E como é que a Alba entrou nessa história?
- Como toda a garota entra na vida de um cara. Estudavam juntos, ela gostou dele e pra não ser repelido por nós da turma, ele assumiu o namoro e está levando em banho-maria até hoje. Ele só não queria ficar sozinho.
- E ela não nota nada?
- A Alba é muito legal, Marco, mas é completamente ingênua. É uma garota maravilhosa, mas ela, ou não quer enxergar ou realmente nunca passou pela cabeça dela que o Rubens seja assim. Estar comigo, o Eugênio e o Claus também o protege de qualquer suspeita. Eu sou meio doido, confesso, mas nunca me meti numa confusão como essa. Não curto nada essa coisa de um cara se derreter por causa de outro macho. Não sou muito bom com as mulheres também e não sou preconceituoso. Cada um entrega o sorvete pra criança que quiser, seja menino ou menina, mas...
   Marco riu e balançou a cabeça. Depois de alguns minutos em silêncio, perguntou:
- Ele nunca teve problemas com o Claus e o Eugênio, morando junto e tudo?
- Até teve, no início. Ele ameaçou se chegar pro Claus, mas o alemão deu uma dura nele. Chegaram até a se pegar no tapa e o Claus ameaçou de botar ele pra fora do apartamento se ele insistisse. Como ele não tinha mesmo pra onde ir, teve que aceitar. Depois, nunca mais se falou nisso e a paz reinou na Liga. Eles são amigos e se respeitam, cada um na sua esquisitice e individualidade. O Claus é um cara complicado também e apesar de ter feito isso, entende o Rubens, porque ele próprio tem um problema nada fácil de resolver e sabe como é difícil ser diferente do resto das pessoas sendo escravo de um vício. Um segura a barra do outro e o Eugênio fica no meio assistindo. Acho que os três ainda vão morar juntos por muito tempo. Eles precisam uns dos outros.
   Marco ficou em silêncio, pensativo.
- Só que você é quem está deslocado nessa turma, meu chapa. Você é normal demais até.
- Não sei não... Talvez isso já seja anormal.
   Chu riu.
- Pode crer!
- E como fica a Alba nisso tudo?
- Sei lá. Talvez seu casamento tenha acordado ela. Fez ela pensar. Agora ela vai colocar o Rubens contra a parede e ele, ou casa com ela de uma vez, o que eu acho meio difícil, ou conta a verdade. Ele não pode amarrar a garota pra sempre.
- Imagine se ela descobre a verdade, se acontece a primeira hipótese? Como ia ser se ela descobrisse a verdade depois de casada?
- Sei lá, cara. Só sei que ela não vai sair feliz de qualquer maneira, dessa história.


                                       RUBENS E ALBA
                                             PARTE II
                                DEUS ABENÇOE A TODOS
                                  RECOMECEMOS JUNTOS
                                               OBRIGADA!
Velucy
Enviado por Velucy em 12/11/2018
Código do texto: T6500648
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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