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AMANDA V - TEMPESTADE VII - PARTE 1

                                    I – TEMPESTADE

        Pouco antes das seis da tarde, Amanda havia acabado de chegar da rua, depois de ir ao médico, quando a campainha tocou. Ela olhou pelo olho mágico e viu Roni parado na porta. Ficou intrigada. Ele nunca tinha ido ao apartamento antes, pois sabia que não era bem-vindo, pois Marco não gostava dele. Ainda assim, por educação, abriu a porta.
- Oi, Amanda! - ele disse, com um sorriso amável.
- Oi, Roni... ela disse, ainda parada na porta sem abri-la.
- Tudo bem?
- Tudo... O Marco não está, ele... está na RR ainda...
- Eu sei. Eu queria falar com você mesmo.
- Comigo? Sobre o quê?
- Posso entrar?
- Acho melhor não, Roni. Você sabe que o Marco não gosta de você. Por favor...
- É um minuto só. Que mal eu posso te fazer? Eu gosto de você de verdade e te respeito. Não quero nada. Só conversar.
   Ela hesitou, mas acabou abrindo a porta. Roni entrou e olhou em volta.
- Poxa, seu ap é muito legal.
   Nervosa, ela fechou a porta e perguntou, ainda junto dela.
- Você não tinha ido pro litoral com a equipe?
- Fomos, mas o tempo estava horrível por lá. Foi chegar e voltar. Não tinha clima para foto.
- Ah... Senta, vou trazer um cafezinho.
- Obrigado.
   Ela trouxe o café e sentou-se diante dele, depois de servi-lo. Ele tomou um gole do café e ficou olhando para ela por um segundo.
- Você está linda grávida, sabia?
- Obrigada, ela respondeu, sem jeito.
- A gente quase não tem tempo de conversar lá na agência, não é? Eu te acho o máximo, como modelo, como pessoa, como tudo. Acho que é mais por isso que eu não me dou bem com seu marido. Eu confesso que morro de inveja dele.
- Você tem tudo para ter todas as garotas do mundo, Roni. Por que perde tempo comigo? Você sabe que eu nunca vou poder te corresponder.
- Se as coisas fossem assim tão simples, não tinha tanta gente sofrendo por amor no mundo. É tudo uma questão de alma.
  Ela baixou os olhos e não disse nada.
- O... Marco é bom marido? - ele perguntou.
   Amanda ergueu os olhos de novo e sorriu.
- Além de tudo é masoquista... Por que você está perguntando isso? Tem certeza que você quer me ouvir falar do Marco?
- Queria ouvir você falar mal dele, ele respondeu sorrindo.
- Sinto muito não poder realizar seu desejo. Isso é impossível.
- Ele não me suporta... Sabe que isso me deixa até orgulhoso?
- Orgulhoso?
- É... É sinal de que eu sou páreo pra ele. Ele tem medo de mim. Senão não se sentiria tão zangado quando eu estou perto de você.
- Essa disputa depende muito mais de mim do que dele ou de você, sabia?
- É, eu sei. E sei que eu não tenho nenhuma chance. Sei também que você é uma garota séria... uma mulher séria... e nunca trairia seu marido.
- Isso nunca sequer passou pela minha cabeça e sei que nem pela dele.
- Tem certeza?
- O quê? Do quê?
- Você acha que ele é fiel a você como você é fiel a ele?
   O rosto de Amanda se fechou e ela se levantou.
- Você vai começar com isso de novo, Roni? A gente já passou por isso e...
- Nunca coloque a mão no fogo por um homem, Amanda. Eu sou um deles e sei que na essência todos são iguais. Não resistem a um rabo de saia e o Marco, assediado como é pelas garotas, não é muito diferente.
   Ela respirou fundo e colocou a mão sobre a barriga.
- Roni, se é intriga que você quer fazer de novo, não continue. Eu confio no Marco com em mim mesma.
- Isso é muito bonito, mas às vezes isso faz a gente sofrer muito quando descobre que a pessoa que a gente ama e confia a vida inteira não é exatamente aquilo que a gente esperava que fosse.
   Amanda vai para a porta e coloca a mão na maçaneta.
- Não estou gostando do rumo que esta conversa está levando. Eu vou ter que pedir pra você se retirar.
- Calma, calma... ele disse, levantando-se. - Não quero te deixar nervosa. Eu sei que você não pode e respeito isso. Só que, como eu disse daquela vez, você se casou com o Marco muito novinha e ainda não viu nada da vida. Eu detestaria te ver sofrer.
- Eu não estou sofrendo e nem vejo nada no meu futuro que possa provocar isso. Já tenho quem se preocupe comigo. Se você quer ser meu amigo, não se meta no meu casamento ou na minha vida particular.
- Tudo bem, eu só queria te alertar. Verifique muito bem porque o seu maridinho fiel passa tantas noites trabalhando com a prima dele até tarde... sozinho com ela.
   Amanda percebeu o que ele queria e abriu a porta, dizendo, categórica:
- Sai daqui, Roni.
- O que aconteceu uma vez, você perdoou, mas ninguém garante que tenha acabado. A Rita é uma mulher muito bonita, versátil, madura e livre, apesar de ser casada. Pelo menos é o que ela quer que todo mundo pense sobre ela. Uma mulher como ela nenhum homem prende. Nem seu pai.
- Sai, Roni...
   Ele se aproximou da porta e segurou a mão dela na maçaneta.
- Eu vou sair, mas abra os olhos, Amanda. Acho que nenhum homem merece ter você como mulher.
   Amanda o olhou nos olhos e retirou a mão debaixo da dele.
- Se você não sair agora, eu vou gritar. Eu tenho vizinhos bem amigos que vão aparecer num minuto.
- Posso te dar um beijo... no rosto?
- Não! Sai daqui!
  Ele sorriu cínico e saiu. Amanda fechou a porta rapidamente, encostando-se nela. Foi para o quarto e olhou para a foto de Marco sobre o criado mudo, do lado onde ela dormia. Apanhou a foto e ficou olhando para ele. O sorriso do rapaz na foto a fez sorrir também e ela encostou o porta-retrato no peito, respirando fundo.


                                     TEMPESTADE
                                         PARTE I

                                 DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS
          SEJAMOS, TODOS, LUZES NA ÁRVORE DE NATAL DO CRISTO!
                     UM NATAL REPLETO DE FELICIDADE PLENA A TODOS!

Velucy
Enviado por Velucy em 19/12/2018
Reeditado em 24/01/2019
Código do texto: T6530549
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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