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Uma prequela do Dossiê Márcio Seixas: Dossiê Igreja Adventista - Capítulo 1

ANTES DA CRIAÇÃO DO MUNDO, JÁ HAVIA UM DOSSIÊ

                                                     I

Antes do princípio, não havia nada além de escuridão e água. Nada de trono de Deus, nada de "círculo da Terra", nada de inferno, nada de cobra, homem ou mulher. Depois de tudo feito, começou uma briga para assumir a autoria.

O ápice do confronto foi a criação do primeiro dossiê de toda história universal: o Dossiê Jeová, na nossa linguagem. Os autores? Quatro pares de deuses: Heh e Hauhet,  Kuk e Kauket, Nun e Naunet e Amen e Amenet.

Os oito denunciam que Jeová fazia parte do grupo, como um maestro que conduz a orquestra, mas foram eles os construtores do mundo. O deus, que depois virou cristão, ficou reconhecido por todo o trabalho. Através de um golpe, o primeiro de todos, todas essas divindades foram omitidas pelo autor do livro de Gênesis, e caíram em total ostracismo, enquanto o ex-líder até hoje é idolatrado como o "Criador".

Eles descrevem que Jeová é uma farsa em vários aspectos - acusando-o de não ser onisciente, por exemplo. Há outras curiosidades, como o seu gosto por jardins e por apostas com outros seres. Em uma delas, destroçou a vida do adorador Jó.

No princípio, esse dossiê foi disseminado oralmente. Depois, com a criação da escrita, foram transcritos para os Textos da Pirâmide e para o Papiro Harris. Hoje em dia, perdeu-se quase em sua totalidade. Os autores acusam os asseclas de Jeová de serem os responsáveis por esta perda.

                                                      II

Bilhões de anos depois.

Marcelo chega à sala do pastor Ricardo Silva, o precoce, da Igreja Adventista Central de Uberlândia. Ele toma um susto quando vê um fiel latindo e andando de quatro igual a um cachorro.

- Mas que diabos é isso?! - ele pergunta.

- Estou inovando nas técnicas de hipnose, Marcelo.

- Ficou louco!?

- Não, apenas estou me divertindo. Não há nada na bíblia que condene isso.

- Como não? Você está fazendo um homem agir como um cachorro!

- Ok, ok. Volte ao normal.

- Então, pastor, onde estávamos? Ah sim, ele espanca a esposa. - disse o fiel, agora normal.

- Ué, ele não se lembra que foi hipnotizado? - pergunta, Marcelo.

- Eu fui hipnotizado?

- Não se lembra, aliás ele nem sente o tempo passar. É como se a pessoa estivesse dormindo.

- Pera, eu cheguei aqui há duas horas?? Mal começamos a conversar quando você pegou o relógio e pediu minha atenção. O que eu fiquei fazendo todo esse tempo hipnotizado?

- Olha, melhor você nem saber. Melhor irmos para o culto. - diz, Marcelo.

- Concordo. - diz Ricardo.

                                                  III

O Dossiê Jeová revela algumas anedotas interessantes. Em um relato, Jeová foi pego paquerando Eva no Jardim do Éden. Foi repreendido por Heh.

- Você não pode se envolver com essa humana, com essa criação nossa. - disse Heh.

Jeová contra-argumentou utilizando Zeus como exemplo. Disse que o deus grego se envolvia com mulheres humanas e até tinha filhos com elas.

- Mas você não é Zeus. Aqui temos uma relação ética com nossas criações.

- Uma hora você vai ter que deixar. Eu estou repleto desses sentimentos humanos. Cedo ou tarde, engravidarei uma humana.

                                                   IV

De volta ao mundo moderno, talvez não tão moderno assim.

Marcelo recebe uma ligação de uma amiga, que é esposa de um pastor. Ela está no hospital, foi espancada pelo marido. Ele teve que largar a edição do telejornal para vê-la.

O rosto dela desfigurado o chocou.

Chorando, ela lhe disse que o marido sentia prazer em agredi-la. Fazia isso durante o dia. À noite dirigia um culto em uma das igrejas adventistas de Minas Gerais.

No mesmo dia, ele ficou sabendo que Ricardo ainda utiliza das técnicas de hipnose nos fiéis.

Ele começou a ficar desgastado com a brutalidade, a desonestidade e corrupção dentro da Igreja. Até casos de pedofilia ele conhecia. Ele quer denunciar tudo isso.

- Não aguento mais isso, Elizânia. - disse ele, à esposa. - Não vou ao culto hoje.

Preferiu ficar sentado na praça, num início de noite fria em Uberlândia. Um homem começou a se aproximar. Tinha mandíbula larga, pele escura, cabelo longo, cavanhaque, jaqueta preta, parecia ter 1,86 m... Enfim, não vou me estender muito na descrição dele, pois não sou o Dashiell Hammett.

O homem sentou ao lado de Marcelo.

- Sabe o que mais acho fascinante na teoria dos conjuntos infinitos? A cardinalidade. É contra-intuitivo pensar que há conjuntos infinitos maiores que outros, mas Cantor mostrou que isso é possível. - disse o homem.

- Cantor? Georg Cantor?

- Isso. Incrível, né? Como algo infinito pode ser maior que outra coisa também infinita? Deveriam ter o mesmo tamanho. Isso me fascina. Aliás, a infinitude me fascina. Meu nome é Hehlio Water.

- O meu é Marcelo.

- Prazer. Sabe, Marcelo, algo me diz que temos algo em comum. Quer dizer, ainda não temos, mas teremos num futuro próximo.

(Continua)
Olavo Rosner de Carvalho
Enviado por Olavo Rosner de Carvalho em 07/01/2019
Reeditado em 07/01/2019
Código do texto: T6544834
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Sobre o autor
Olavo Rosner de Carvalho
Campinas - São Paulo - Brasil
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