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O diário de Ana Capítulo XV

O tempo se passou como as quatro estações, Carlos já estava no último ano de faculdade.
Um dia no qual estava em sala de aula, a professora perguntou o que ele achava sobre o tema adoção, que tinha haver com a didática que estavam estudando.
Adentrou algo nos olhos de Carlos, um dejavu como peças de um quebra cabeças que ele estava mentalmente encaixando. Carlos tinha uma correntinha com um pingente em formato de coração, sua mãe Mercedes disse que estava com ele quando o pegou pela primeira vez e guardou, quando Carlos tinha oito anos ela deu a ele e pediu pra que ele guardasse. Também quando o Sr. Cornélio havia mencionado que nao tinha alugado a casa para ninguém antes dele, isso sim foi muito curioso, pensou ele.
Ana relatou no seu diário que colocou no pescoço do bebê, seu filho, uma correntinha com um pingente de coração.
-Será que eu sou o filho de Ana?
Interrogou ele em voz alta, ninguém entendeu nada porque Carlos levantou logo em seguida rumo a porta e saiu.
A professora pediu para que outro aluno fosse atrás de Carlos, mas ele o dispensou dizendo que precisava resolver algo naquele momento.
Carlos foi para casa e ligou para o Sr. Cornélio pedindo para que fosse até a casa dele. Ele logo apareceu com um ar de corado como se estivesse expectativas da chamada de Carlos.
Logo que o Sr. Cornélio veio Carlos pediu para que ele entrasse.
Houve um grande silêncio de ambos, até que Carlos tomou coragem e disse:
Sr. Cornélio, ou devo chama- lo de vovô?
O Sr. Cornélio abaixou a cabeça e começou a chorar, como se desabasse uma torrente guardada no peito por muitos anos. E exclamou:
- Meu neto, você descobriu tudo, você é o filho de Ana.
Carlos perguntou veemente:
-Como o senhor pode ter tanta certeza?
O Sr. Cornélio recobrou o fôlego e disse afobado:
-Quando Ana morreu, minha esposa veio a falecer logo em seguida, eu fiquei angustiado, depressivo, foi quando mexendo nas coisas de Ana encontrei o diário e percebi que minha filha havia passado todos aqueles anos trancafiada no quarto por vontade de não querer viver mais, seu único refúgio foi escrever um diário onde ela relatava o desejo de ter seu filho.
Percebi que eu fui o grande culpado, por isso prometi para mim mesmo que encontraria meu neto aonde quer que ele estivesse, contratei pessoas e comecei uma busca ansiante até que por ironia do destino foi você que veio até mim.
Carlos estava transtornado e disse ao senhor com voz forte.
-Quer dizer então que o senhor me fez de otário, pois já sabia de tudo, e porque não me contou?
O Sr. Cornélio respondeu:
-Se eu te contasse você não iria acreditar meu neto. É difícil e desconcertante para mim.
Nessa hora Carlos falou:
-Não me chame de neto, estou com nojo de você, você foi o culpado pela morte da minha mãe e pela morte de minha avó, me entregou para uma família desconhecida que nem se importou se eles iriam cuidar bem de mim?
O Sr. Cornélio o interrompeu dizendo:
-Isso não é verdade Carlos, eu e sua avó fizemos uma varredura para que uma família de boa índole o adotasse, foi quando descobrimos um casal que desejavam muito serem pais de um menino, então não tivemos dúvidas.
-Sai daqui, não quero nunca mais te ver. Como pode? Vai embora.
O Sr. Cornélio foi em direção a porta cabisbaixo e saiu, Carlos por sua vez subiu a escadaria e foi arrumar suas coisas, pois queria sair dali imediatamente.
Patrícia Onofre
Enviado por Patrícia Onofre em 24/01/2019
Código do texto: T6558320
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Sobre a autora
Patrícia Onofre
São Lourenço - Minas Gerais - Brasil, 32 anos
98 textos (2931 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/05/19 06:30)
Patrícia Onofre