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QUEBRANDO BARREIRAS - CAMALEÃO - PARTE 1

                                           CAMALEÃO

                       But you’ve created your own ghost
                   (Mas você criou seu próprio fantasma)
                        And the need you have is more…
                 (E a necessidade que você sente é maior...)
                                than most to hide it
                             (do que possa esconder)
                                                     (Chameleon – Blue Moves - 1996)

             O mês de outubro de 1978 foi o mês do lançamento do novo álbum de Elton John que recebeu o nome de “A SINGLE MAN”.
   A capa do álbum mostrava um novo Elton, muito diferente do que as pessoas, e principalmente os fãs, tiveram chance de conhecer no início dos anos setenta. Sério, sóbrio, sem os óculos, que, como Bernie comentou, eram a marca registrada dele, Elton tinha agora um visual mais "clean", até mesmo bonito, para o personagem grotesco que cultivou desde o início da carreira. O brinco de pedra preta na orelha e o chapéu eram agora suas marcas, no novo visual.
   Na foto da capa do álbum ele aparecia de pé, sobretudo preto sobre a camisa branca, calça preta, botas pretas, diante do Castelo de Windsor, já que era vizinho da rainha e podia se dar ao luxo. Dentro, em toda extensão da capa dupla, ele aparecia dentro de seu carro vermelho, de paletó marrom claro, boina da mesma cor, no jardim de sua mansão. Nada mais chique...
   O som do álbum também estava diferente, sóbrio, mas bonito e até um pouco triste, mas sem deixar a linha que Elton gostava de fazer. As letras de Gary Osborne, de certa forma, traduziam os sentimentos que o cantor tinha no momento.
   O lançamento do álbum se deu no dia 16 de outubro de 78. Algumas semanas depois, ele leu em certa coluna de um crítico de música que o álbum não tinha qualidade suficiente para simbolizar a volta de Elton John ao cenário da música.
   O crítico chegou a afirmar que Elton estava péssimo em seu novo trabalho. Comentários estes que irritaram o cantor que há muito andava arredio com a imprensa.
   Depois de uma pequena turnê para o lançamento do álbum, Elton foi convidado a dar entrevistas em alguma FMs mais famosas dos Estados Unidos. Algumas delas chegaram a durar mais de três horas, como a dada à WNEW de Nova Yorque, onde foi entrevistado por Scott Muni. Outra cedida à KWST de Los Angeles não foi menos longa e Elton chegou a mostrar-se agressivo em quase todas elas.
   Nervoso, ele descarregou toda revolta que vinha acumulando há muito tempo. Todos os boatos maldosos que vinha lendo a seu respeito, e que o agrediam moralmente, pareciam estar enchendo uma taça que ia transbordando aos poucos.
  Elton já não cabia mais em si mesmo e, durante algumas entrevistas, chegou a dizer palavrões.
  Todos aqueles que estavam ligados a ele e o ouviam pelo rádio sabiam que ele não fazia aquilo por mera promoção. Todos entendiam que toda pressão sofrida por tantos anos estava sendo compensada agora e ninguém o faria parar.
  Na penúltima semana de outubro, pouco antes do show que daria para duzentas e cinquenta pessoas na convenção anual da MCA no Century Plaza Hotel, em Los Angeles, ele deu outra entrevista ao repórter Ed Harrison, da Billboard.
- Todo mundo sabe que você anda muito mudado e de certa forma até meio... arredio com a imprensa em geral. Isso tem um motivo especial.
- Vários motivos especiais! - disse Elton, sério.
- Cita alguns? - perguntou Ed.
- Bem, toda aquela paranoia que cercou minha carreira no início da década, acabou me transformando no prato predileto de todos os meios de comunicação em geral e eu acabei não podendo mais controlar isso. Chegou a um ponto em que não me respeitavam mais como músico e como artista e, quando o respeito acabou, acabou minha aproximação com eles.
- Esse desrespeito atacava especialmente o que na sua carreira?
- Não muito na minha carreira, mas andava e andam atacando muito a minha vida particular.
- Você nunca deu muita atenção a isso.
- Mas dou agora. Todo artista tende a se tornar quase como propriedade particular da crítica e da imprensa e, quando eu fui me dar conta disso, já estava atolado até o pescoço.
- Então isso é uma espécie de rebelião sua a...
- Não, não é rebelião...
- Sei, entendo, é uma espécie de basta a tudo que se refere a comentários maldosos a seu respeito.
- Não sei se posso impedir ninguém que fale de mim. Talvez estar falando isso aqui com você agora, possa ser ainda pior e vá provocar ainda mais falatório, mas... eu tenho a minha vida e quero ter minha liberdade de vivê-la do meu modo, sem que ninguém fique policiando e julgando meus atos.
- Nega os boatos de homossexualidade? - arriscou Ed.
  Elton riu, passando a mão pela testa.


                      CONTINUA...    AMANHÃ TEM MAIS

                  PARTE 1 - NÃO VÁ PERDER A SEQUÊNCIA...

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Velucy
Enviado por Velucy em 21/02/2019
Código do texto: T6580229
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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