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QUEBRANDO BARREIRAS - CAMALEÃO - PARTE 2

                                             II - CAMALEÃO

                            But you’ve created your own ghost
                        (Mas você criou seu próprio fantasma)
                            And the need you have is more…
                      (E a necessidade que você sente é maior...)
                                      than most to hide it
                                   (do que possa esconder)
                                                        (Chameleon – Blue Moves - 1996)

       - Nega os boatos de homossexualidade? - arriscou Ed, em sua entrevista a Elton John na rádio.
  Elton riu, passando a mão pela testa.
- Minha vida particular, acabei de dizer, não diz respeito a ninguém, senão a mim.
- Mas nega?
- Não, não nego.
- Mas também não confirma, Ed perguntou, com um sorriso.
- Ed, você, como qualquer pessoa no mundo, tem o direito de pensar o que quiser. As coisas que eu faço dentro da minha casa, com os meus amigos, com as pessoas que eu amo, são problema só meu! Com quem eu saio ou com quem eu durmo, só diz respeito a mim! A imprensa, infelizmente, vive disso, de mexer na vida da gente e tirar conclusões por aquilo que vê e ouve superficialmente.
- Por nós, o público conhece vocês, artistas...
- Artistas e não seres humanos! O público que compra meus discos e me admira como compositor, cantor ou pianista, que admira o meu trabalho, não deve estar muito interessado na minha vida sexual. Se me ama de verdade, não deve estar. Se está... bem, acho que eu devia estar fazendo filmes eróticos e não música.
  Ed riu, assim como Elton, que conseguiu relaxar um pouco.
- Mas você sempre deixou margens a dúvidas. Era uma imagem puramente promocional? Esse novo visual significa uma transição, uma mudança de comportamento?
- Simplesmente eu cansei de viver no meio daquela loucura toda. Já não me diverte mais chamar a atenção.
- Seriam os trinta anos pesando?
- Não é questão de idade, é... amadurecimento... mudança de conceitos. Estou começando a dar valor a coisas que eu não dava antes. E são trinta e um anos, corrigiu Elton.
- Foi um choque para todos os fãs de Elton John, de repente vê-lo compondo com Gary Osborne e não mais Bernie Taupin, depois de dez anos de parceria, e muita gente ainda não quer acreditar no rompimento. É definitivo?
- Não foi rompimento. Estamos separados profissionalmente porque estamos separados por um oceano, ele está na América e eu, na Inglaterra. E porque achamos que faria bem a nós dois...
- Isso influenciou ou teve influência com a separação dele e da mulher?
- Você vai ter que perguntar isso a ele. Não compete a mim dizer.
- Quem tomou a iniciativa? - insistiu Ed.
   Elton tomou um gole de água que estava na mesinha ao lado e continuou:
- Bernie mudou-se para Los Angeles e eu fiquei lá. Não houve iniciativa, houve fatos.
- Houve brigas?
- Não... respondeu Elton, pacientemente.
- Alguma tentativa de retorno da parceria, mesmo à distância?
- Não, a curto prazo... Bernie tem outros planos e eu acho que ele deve estar muito bem como está.
- Você pretende voltar aos palcos como antes?
- Não tenho nada em mente ainda. Hoje farei um show aqui no Century Plaza, mas não sei se vou continuar na estrada.
- Fale do novo álbum.
- Foi uma experiência nova, porque eu nunca tinha feito nenhum outro sem Bernie Taupin. Eu gosto do modo como Gary trabalha e acho que pode durar a parceria. O álbum está muito sério e bem feito, foi produzido por Clive Franks, da Frank N. Stein Productions, e eu gostei de como saiu, embora não seja a opinião de todo mundo.
- Você acha que a mudança de parceria pode afetar a vendagem dos seus discos?
- Já foi afetada pelo simples fato de eu ter parado por dois anos, mas eu acredito que isso não me amedronta mais. Agora eu quero cuidar de mim, da minha família, do Watford Futebol Clube, meu time de futebol, e a música, apesar de ser ainda uma paixão muito particular minha, vai ser limitada apenas ao estúdio. Cansei daquela loucura de antes.
- Não valeu a pena?
   Elton pensou por um momento e respondeu:
- Valeu... Tudo vale a pena na vida. Tudo ensina, mesmo as experiências más. Eu tive várias nesses últimos anos, mas talvez tenham me ajudado a me conhecer melhor.
- Quem é Elton John? - Ed perguntou.
  Elton esboçou um sorriso e respirou fundo.
- Um cara a fim de paz, amigos fiéis por perto, e isso eu tenho muitos, e... procurando ser amado como é. Não quero mais nenhum tipo de amor, só o de pessoa pra pessoa, olho no olho. Ídolo, nunca mais.
- Casamento se inclui?
- Se eu encontrar quem me ame como eu sou... quem sabe?
- Você é uma pessoa difícil?
- No amor?
- É.
- Não sei se sou difícil... Só não me apaixono muito fácil. Acho que sou exigente com as coisas que eu quero e principalmente com as pessoas que escolho pra amar de uma forma mais intensa, mas séria... ele começou a brincar com o brinco na orelha.
- Exigente no trabalho também?
- Sempre, em tudo aquilo que eu faço. Eu levo muito a sério meu trabalho e a minha vida... agora.
- Dinheiro?
- Não... Não como forma de sobrevivência. Já tenho suficiente, mas mereci cada centavo que tenho.
- Amor... diga um, muito especial.


                          CONTINUA...    AMANHÃ TEM MAIS

                      PARTE 2 - NÃO VÁ PERDER A SEQUÊNCIA...

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Velucy
Enviado por Velucy em 22/02/2019
Código do texto: T6581108
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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