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Cap.8: Mariana, a terceira parte

Início do Ano Letivo...

“-Mãe, acorda…. Mãe! O que houve?! A senhora perdeu a hora…”

Mariana levantou-se mais cedo, Reinício das aulas, início de um novo ano letivo. O segundo de preparatório para o Enem. Estava ansiosa para rever os amigos depois das férias entediantes que se limitaram à algumas idas ao Shopping, à praia poucas vezes e cinema só uma vez. A economia dentro de casa era uma constante. Seu pai até a convidou para passar um fim de semana com ele, visto que Vítor não queria se desgarrar do computador e o pai desistira de o chamar, mas Mariana não aceitou o convite. Lembrou que da última vez que fora, se sentiu um peixe fora d’água. Ele tinha uma nova família. Nascera um menino do seu segundo casamento e as atenções estavam concentradas na grande novidade. Era o primeiro filho da esposa e essa, vinte anos mais nova, era cercada de mimos. Também, pudera, filha única, neta única, sobrinha única… de modo que, quando esteve lá, era uma tal de paparicação para mãe e filho que ela se sentiu deslocada. Mesmo o pai, parecia distante. Totalmente focado no filho e na esposa. “Quanta diferença de como ele tratava a minha mãe!” Pensou Mariana, apesar dela ser ainda muito pequena quando se divorciaram. Além disso, a jovem madrasta, talvez por se sentir no fundo um pouco culpada pela separação, mantinha-se distante, poucas palavras. Apenas o trivial.

“- Quer comer alguma coisa Mariana? Olha, fique à vontade. Pegue o que quiser na geladeira”.

Mas Mariana não a via como a vilã da história, apesar de ouvir constantemente as mágoas de sua mãe. Sabia que a traição vinha, única e exclusivamente do pai, que, só depois de muito tempo de “caso” com a assistente, resolveu abrir o jogo e revelar. Foi tudo numa hora só, de tacada. Revelação e o anúncio de que estava saindo de casa. Provavelmente, a família da jovem amante já o estava pressionando, caso contrário, para Mariana, ele ainda manteria aquela vida dupla, de aparências. por muito mais tempo, ou até pela vida toda. Mas quando decidiu, foi cruel, e pronto!

” – Depois venho buscar o restante das minhas coisas”

E basta. Mariana e o irmão estavam na escola nesse dia, eram ainda pequenos. Nem ao menos os esperou para se despedir. Talvez tenha sido até premeditado. Falou com os dois, dias depois, por telefone. Meias palavras…

” – Bem, filha, eu e sua mãe estávamos brigando muito. Vocês não sabiam, mas era assim. Não havia mais amor entre nós, então papai teve que tomar essa decisão. É para o bem de todos, da mamãe também. Mas papai vai estar sempre presente para você e teus irmãos, prometo…”

Mas não esteve. Quase nunca esteve presente. Os irmãos de Mariana mais velhos, como se sabe, em seguida, deram um jeito de se afastarem. Forçados ou não. E os encontros com o pai foram ficando cada vez mais escassos. Ivone não permitia a entrada dele da porta para dentro. Tinha que ser na portaria e olhe lá… Ficou pelo “olhe lá”

“Mãe, você está bem? ? Mãe!!!”

Mariana estava já ficando assustada até que Ivone, muito lentamente, abriu os olhos e balbuciou algumas palavras,

“- Filha, só vou dormir mais um pouco. Não se preocupe, estou bem. Só feche as cortinas, preciso dormir mais meia hora só. Prepara o café pra você e seu irmão, por favor…”

Mariana fechou as cortinas, viu que a mãe já voltara a dormir e saiu do quarto. Pela primeira vez não questionou ter que preparar o café da manhã também para o irmão.

“- Vítor, acorde! Levanta! Mamãe não está bem. Vai, se veste. Vou preparar o café.”

O irmão, estranhamente, dessa vez, também não reclamou. Sentou-se na cama e foi logo pegando a roupa pra se vestir. Enquanto isso, Mariana preparou um leite com chocolate, pegou duas fatias de pão pra cada um, passou requeijão, comeram e saíram. Não sem antes ela dar uma outra olhada na mãe que estava na mesma posição de antes. Agarrada ao travesseiro em posição quase fetal e o quarto escuro.

Mariana, no caminho, não conseguia tirar a preocupação da cabeça. Pensou até em ligar para o pai, mas era muito cedo e… talvez a mãe não gostasse nada da ideia. Vítor parecia entender que algo não ia bem. Os dois fizeram o trajeto até o colégio, cabisbaixos. Parece que, pela primeira vez, e não pelo melhor motivo, encontraram uma conexão entre eles, o silêncio.

Chegando à escola, viu que estavam atrasados. Todos já tinham entrado. Consultaram no quadro do pátio suas respectivas salas e foram, cada um para o seu lado. Assim que entrou, viu que o professor estava fazendo a chamada. A turma era a mesma. Estavam todos lá. Apenas a disposição das carteiras e dos alunos estava diferente. Sua melhor amiga, a frenética do celular, por exemplo, estava sentada com outra colega em outro lugar. Só sobrara uma carteira vazia e… na verdade, havia sim, uma novidade na turma.

” – Oi ”

” – Oi, tudo bem?!”

” – Tudo!”. O professor terminara a chamada, e começou a dar a lição. Rapidamente encurtaram o papo.

“- Meu nome é Mariana”

” – Eu, Mariela, prazer!”

Kawer
Enviado por Kawer em 28/02/2019
Reeditado em 14/04/2019
Código do texto: T6586705
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Kawer
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
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