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QUEBRANDO BARREIRAS - A RAPOSA - PARTE 8

                                        VI - A RAPOSA

               I would give my life for a single night...
                                                      ...beside you
                                                  Elton’s Song (The Fox - álbum 1981)

                                                                             
                 Elton e Bernie desligaram e o telefone tocou novamente na casa de Elton.
- Ah, meu Deus! Quem inventou aniversários?
  Ele atendeu.
- Alô!
- Sharon? - atendeu a voz de Rod Stewart do outro lado.
   Elton reconheceu a voz e continuou com a brincadeira.
- Phillis! Como vai linda?
- Com quem que você estava fofocando todo esse tempo?
- Interessa?
- Na verdade, não. Perguntei pra não perder o costume. Tudo bem?
- Vivo e chutando.
- Ótimo! Quero te fazer um convite, aliás, queremos, eu e Alanna.
- Um convite?
- Quer jantar com a gente hoje?
- Na sua casa? - Elton perguntou.
- Não, eu imaginei um restaurante bem discreto em Londres. Que tal?
- Tudo bem. Aceito. Mas por que não no seu castelo?
- Porque eu não resistira em colocar arsênico na sua comida.
   Elton riu gostoso do humor apimentado do amigo.
- Eu sabia. Como fazemos então?
- A gente te apanha aí, às... oito?
- Por mim... Obrigado pelo convite. Nunca espero coisas gentis de você, mas quando elas vêm, fico feliz. A humanidade ainda tem esperança.
- Ainda bem que é só uma vez por ano... brincou Rod. - Mas eu me senti na obrigação de retribuir as trezentas libras em flores que você me mandou no dia 10 de janeiro.
- E você nem ligou pra agradecer, como sempre.
- Meu silêncio mostrou o quanto eu gostei. A gente se vê à noite, então.
- Combinado.
- Você está bem mesmo? - Rod perguntou, agora a sério.
- Estou...
- Mesmo?
- Tudo bem, cara! O que poderia estar errado?
- Nada, claro. Você é o homem mais coerente do universo. Como poderia ter problemas? Tchau!
  Ele desligou o telefone. Elton ficou pensativo, olhando para o aparelho.
- O homem mais coerente do universo... Esse sou eu! - ironizou ele.
   Voltou para o salão de refeições e, ao redor da mesa, já estavam Fred, Sheila, três dos seguranças, o jardineiro e dois criados internos. Todos, muito timidamente, ao sinal de Sheila, começaram a cantar o “Parabéns pra você” que Elton ouviu, parado no mesmo lugar e com um leve sorriso nos lábios. Os olhos estavam grandes e brilhantes e a vontade de chorar não demorou a chegar. Quando eles terminaram, ele engoliu a emoção, aproximou-se da cabeceira da mesa, recebeu um forte abraço de Fred e simplesmente disse:
- Vocês são ótimos. Obrigado por tudo que têm feito por mim o ano inteiro pra que pudesse chegar aos trinta e quatro anos...
  Todos riram.
- ...e me ajudem a consumir essa lauda refeição que minha maravilhosa e exagerada mãe preparou. Sentem-se e sirvam-se!
  Todos se sentaram e dividiram com Elton seu café da manhã.

  Algumas horas e vários telefonemas e telegramas depois, ele conseguiu sentar-se em seu escritório e ligar para John no escritório da John Reid Enterprises, em Londres.
- John?
- Oi, falou o empresário com voz cansada. - Desculpe-me por não ter ligado pra você antes, pra desejar feliz aniversário, mas é que...
- Ei, não liguei pra você pra receber pedido de desculpas, velho. Estou desde as oito da manhã dizendo obrigado, oral e mentalmente, para todo mundo. Queria ligar pra você e não conseguia. Como estão as coisas?
- Ah, sei lá... A gente tenta tratar com as pessoas da maneira mais polida, mais educada e gentil possível, mas tem gente que nasceu pra dar com os chifres nos postes, sabe? Eu perco a paciência.
- Calma, John!
- Eu passei quase duas horas no telefone com os idiotas da MCA, mas eles estão irredutíveis, Elton. Não querem mesmo lançar o álbum!
- Ué!...então, o que se vai fazer? Processe-os, disse Elton, calmamente. - Não fomos nós que criamos essa situação. Eu não tenho culpa se eles querem agir comigo como se eu fosse um moleque ingênuo. Se esqueceram de que eu não sou mais o Reg Dwight dos anos setenta. A gente cancela o compromisso, eles pagam a multa de contrato e tudo bem. Gravadoras não faltam por aí pagando para ter Elton John no seu elenco, sendo ele gay ou não.
- Você acha que é esse o motivo?
- Você tem outro?
  John ficou em silêncio e acabou respondendo:
- É... absurdo, mas... viável.
- Vamos até lá pessoalmente resolver isso. Eu não quero mais adiar o lançamento do álbum. Ele já está no forno há muito tempo. Embarcamos amanhã, ok?
- Está certo. O single “Donner pour Donner”/”Les Aveux” foi lançado hoje na França.
- Menos mau. Pelo menos os franceses não estão me estranhando. Vou ligar pra France Gall. E, olha! Vai com calma, viu? Não quero ver sua linda cabecinha cheia de cabelos brancos tão cedo e... nem você na cadeia. Não quero gastar um tostão por causa disso, entendeu?
  John sorriu do outro lado.
- É um prazer envelhecer por sua causa. Só espero não ter um ataque cardíaco depois que a gente sair disso. Eu ainda quero ter o prazer de tomar muito champanhe no chapéu deles.
- E vai, amigo. Vai, sim, eu te garanto. Tchau.
- Feliz Aniversário! Atrasado, mas... queria estar aí pra te dar um beijo...
- Obrigado, Johnny... Te amo.


                                     A RAPOSA – CAPÍTULO VI
                                                CONTINUA...

                                                    PARTE 8
Velucy
Enviado por Velucy em 20/04/2019
Código do texto: T6627826
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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