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Q.B. - ELE QUE CAVALGA O TIGRE - PARTE 10

                      IV - ELE QUE CAVALGA O TIGRE

                      I don’t regret a single day, you see?

                          Some of it was fun

                     Ten years on I’m wiser
 
                           But I’m still a farmer son.


        “Approaching Armageddon” – Álbum He who rides the tiger - 1980

                                                                                                                                                 
                   Ao chegar ao topo da escada, David viu num canto outro aparelho de TV. O terceiro que já vira pela casa.
- Outra TV? - perguntou, apontando para o aparelho de 32 polegadas.
- Tenho seis dessas pela casa toda. Gosto de saber o que está acontecendo em toda parte, quando estou trabalhando aqui em cima. Tenho seis aparelhos de TV. Assim não perco nada! Nem aqui nem no mundo... Ah, vem cá! Quero te mostrar uma coisa.
  Desceram e foram para um dos oito salões que havia na parte de baixo.
- Por que você escolheu o estilo espanhol pra decoração, David perguntou, enquanto Bernie abria mais uma porta.
- Eu gosto. Sempre fui ligado às coisas latinas. Tenho muito pouco de britânico em mim.
  Aproximaram-se de uma vitrine, no meio de um salão repleto de quadros e esculturas de diversos artistas espanhóis. A vitrine protegia um lindo vestido branco.
- Uma das minhas relíquias mais caras e mais cobiçadas. Foi de Marilyn Monroe.
- Poxa! É o vestido que ela usou no filme “Some like it hot”, não é? Como você conseguiu?
- Presente do Elton. Ele conseguiu num leilão em Hollywood há alguns anos e como eu sempre fui doido por tudo que se referia a ela e ele sabia que eu não ia deixá-lo em paz enquanto não conseguisse, ele me deu, falou rindo. - Estou brincando. Foi presente surpresa mesmo. Uma das maiores e melhores surpresas da minha vida.
- Você tem uma bela coleção de arte oculta por aqui, hein? - falou David, olhando as paredes.
- Arte oculta me fascina. Curto ler e ver coisas ligadas ao sobrenatural, ao místico. Tudo que não se mostra aos olhos humanos me aguça a curiosidade. A casa inteira é cheia deles. Às vezes me ajudam a me manter inspirado.
- Pensei que você não precisasse disso.
- Preciso. Ultimamente tenho precisado muito.
- Por que ultimamente?
  Bernie apontou para um sofá e ambos sentaram-se.
- Sei lá. Nos últimos anos tenho tido períodos de branco total. Tenho a impressão de que nunca mais vou voltar a compor ou escrever coisa nenhuma. É horrível!
- Ouvi dizer que isso é comum na vida de qualquer artista.
- É comum pra quem está fora, disse ele, rindo. - É uma sensação terrível. Ainda mais quando você sabe que precisa da inspiração pra se manter vivo... ativo. Isso talvez aconteça comigo porque estive numa fase em que escrevia a todo o momento. Era coisa de doido mesmo. Eu não sabia como, mas tudo literalmente me dava motivo pra escrever. Era um... Alguma coisa como um vulcão dentro de mim que havia acordado e entrado em erupção de uma vez. Acho que escrevi minhas melhores letras nesse período.
- Com Alice Cooper?
- Com Alice e pra mim mesmo. Maioria das letras do “Tiger” é dessa fase.
- As que você escreveu pro Elton também.
- Mais ou menos. São também. “Chasing the Crown”, “White lady white powder”... As que ele colocou nesse álbum. Mas teve outro material que ele vai colocar no próximo. Eu estava muito doido.
- Essa última fala do que estou pensando?
- Você sacou, não é? O pozinho branco que me perseguiu e a ele por alguns anos. É sobre isso mesmo. Cocaína...
- Há letras enormes no “Tiger”, o que o torna um álbum não muito comercial porque geralmente o pessoal não se atém a cantar canções tão longas. Você acha que isso prejudica o seu trabalho?
- Se eu quisesse estourar nas paradas com ele, com certeza. Mas eu não teria colocado letras tão longas e o som teria sido diferente se a intenção fosse essa. Eu sei que os divulgadores nunca vão colocar “The whores of Paris” ou “Approaching Armaggedon” para serem hits nas FMs porque elas não são comerciais, mas eu gosto delas porque são exatamente as coisas que eu sinto, são minhas verdades. Eu escrevi “All the Young girls love Alice”, “Sweet Painted Ladies” pro Elton, sendo que essa última foi quase um hit, porque sempre gostei do tema. Sempre escrevi sobre prostitutas, lésbicas e sobre a vida marginal, sempre gostei. “White lady White powder” talvez também não toque nas FMs, porque podem falar que é apologia à cocaína, mas são minhas verdades. Embora ela tenha um som muito gostoso. Do “Tiger”, “Venezuela” vai servir pra fazer a cabeça do pessoal.
- “Blitz Babies”...
- Pra quem gosta do lado quente da coisa...
- Bem, mas a gente estava falando de falta de inspiração... Você tem medo que isso atrapalhe seu futuro trabalho com o Elton?
- Ele não vai precisar se preocupar com isso. Eu não tenho medo do que isso possa fazer com o trabalho dele porque ninguém, nenhum de nós é tão dependente do outro agora. Eu fico mais preocupado comigo do que com ele. Não quero ficar senil artisticamente falando, riu. - Quero continuar compondo por muito tempo ainda. Só não quero passar por fases como esta muitas vezes. Dá uma impressão de insegurança e eu detesto me sentir inseguro. É como tentar dirigir um carro dentro de uma piscina. É tão engraçado... O ser humano é sempre tão bem conceituado entre todos os animais, mas, às vezes, não tem controle da própria mente.
- Além dessa mudança de cabeça da qual você tem falado, o que mais mudou em Bernie Taupin de cinco, dez anos pra cá?
  Bernie mordeu o polegar, cruzou a perna e pensou por alguns segundos.
- Emagreci, respondeu, finalmente, rindo em seguida.


                       ELE QUE CAVALGA O TIGRE – PARTE 10
                                              CONTINUA...
               DEUS ABENÇOE A TODOS E NUNCA PERCA SUA FÉ!
                                    OBRIGADA E BOM DIA!

Velucy
Enviado por Velucy em 02/09/2019
Código do texto: T6735142
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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