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Q.B. - NOS CALCANHARES DO VENTO - PARTE 8

                      VII - NOS CALCANHARES DO VENTO

      ”I’m a page on the end of a story
      (“Sou uma página no final de uma estória)

                           No closer to my hope and glory
                           (Nada perto da minha esperança e glória)

              Just a kick away from the heels of the wind”
              (Só a um pontapé distância dos calcanhares do vento”)

                                      “Heels of the wind” – Álbum THE FOX - 1981

                           
               Com algum esforço, Marvin começou a reunir o pessoal e um a um foram todos saindo, com mil reclamações, mas obedientes. Bernie ficou na porta, recebendo de cada um os parabéns, até que os dois últimos saíram: Charlie, muito alegrinho, Marvin, com Toni pela mão.
- Parabéns de novo, Taupin! Foi um luxo ver Elton John de perto mais uma vez. Você é um cara muito sortudo por ser parceiro desse gênio! Eu ficaria a madrugada ouvindo ele tocar!
- Eu sei, mas ele está cansado também. Obrigado. Boa noite, Charlie.
   Charlie lhe deu outro beijo no rosto e no de Toni que ia saindo com ele.
- Eu volto já, ela disse, baixinho.
- Aonde você vai? - ele perguntou, no mesmo tom.
- Eu já venho. Vou só levá-los até os carros.
  E ela saiu. Bernie fechou a porta e encostou-se nela. Ouviu ainda o som do piano e lembrou-se de Elton. Voltou para o estúdio onde o cantor estava ainda sentado ao piano tocando sem cantar “Bennie and the Jets”.
- Tudo bem? - perguntou a ele.
  Elton olhou para ele e sorriu, com os olhos meio mortos.
- Tudo ótimo! - respondeu, com a voz estranha. - Turminha animada essa, não?
   Bernie percebeu que o amigo estava finalmente bêbado. Aproximou-se dele.
- Ô, cara, você bebeu demais...
- Eu?... Dois ou três golinhos...
  Uma garrafa de vodca estava sobre o piano, totalmente vazia, junto com outras tantas.
- Dois ou três golinhos... Duas ou três garrafas? Qual a diferença? Vamos subir.
- Não, está bom aqui... Vou te mostrar a parte que já fiz de “Empty Garden”... Vai ser um hit, você vai ver. Vai ser um hit!
- Você já me mostrou. E hoje você não vai tocar mais nada, disse ele, ajudando o amigo a levantar-se e fez com que ele passasse o braço em volta de seu pescoço. - Vem comigo. Uma boa cama vai te fazer bem.
- Eu estou ótimo! Deixa que eu vou sozinho... disse Elton, tentando desvencilhar-se de Bernie.
  Mas, ao ver-se solto, quase caiu, de tão tonto, e Bernie fez algum esforço para mantê-lo de pé, enquanto ria.
- Sem o pozinho branco fica mais difícil, não é, cara? Ele segura a bebedeira.
- O quê? – Elton perguntou.
- Nada... Só divagando... Quem diria que há doze anos quem fazia isso comigo era você, irmãozinho.
- Você bebia demais, lembra? - falou Elton, rindo, a cabeça girando. - Bebia e fumava...
- É, lembro. Quero ver como eu vou fazer pra te ajudar a subir as escadas. Em Northwood não tinha e eu era trinta quilos mais leve que você.
   Foram atravessando o salão, enquanto Elton falava coisas que nem ele mesmo sabia estar falando.
- Eu falava pra você: “Não bebe, Bern, você ainda é um moleque. Vai acabar se matando...”.
- Pois é, concordou Bernie, sem deixar de rir.
- Você era teimoso feito uma mula. Nunca me ouvia. Nunca...
  Chegaram ao pé da escada e Bernie parou.
- Vamos subir as escadas, ok?
- Claro, as escadas... Eu estou bem, Bern, eu estou ótimo...
- Quem me dera! Vamos lá. São só dezesseis degraus...
- Dezesseis? “Blue Moves”... disse ele, começando a rir.
- O quê?
- “Blue Moves”, nosso álbum de número dezesseis! Grande álbum... Gosto muito...
- Pra quem está bêbado, você até que está pensando com coerência, comentou Bernie, quase que para si mesmo.
- It’s sad!... So sad!... Elton cantou um trecho de “Sorry seems to be the hardest word”.
- Essa letra é só sua, lembra disso?
- Ah, Bernie, eu não estou legal... disse ele, colocando a mão na cabeça. – Sinto muito.
- Eu sei... Já notei, irmãozinho, falou Bernie, rindo.
  Toni entrou na casa e perguntou assustada.
- Tudo bem com ele? Quer ajuda?
- Não, deixa comigo. Faz um favorzinho, liga pra casa dele em Beverly Hills e avisa pro caseiro que ele está aqui e vai ficar até... até amanhã.
- Está certo. Café amargo resolveria?
- Não, café não. Ele odeia. Não é nada que uma boa noite de sono não conserte.
- Detesto café!... resmungou Elton.
- Eu sei, falou Bernie, ajeitando-o nos ombros. - Vamos indo logo, antes que eu caia com você. Poxa, cara, você pesa, hein?!
   Com algum sacrifício, Bernie conseguiu entrar com Elton no quarto de hóspede mais próximo e levou-o até a cama. Elton ficou deitado de barriga para cima e Bernie sentou-se ao lado dele, para tomar fôlego.
- Quem mandou eu inventar?
- Não quero dormir aqui, Elton falou, tentando levantar-se. - Vou pra casa...
- Ah, não vai mesmo! Fica quietinho aí.
   Elton levantou-se e quis sair, mas Bernie o impediu, fazendo-o deitar-se novamente na cama. Elton, então, começou a cantar “Parabéns a você”.


                   NOS CALCANHARES DO VENTO - PARTE 8
                                           CONTINUA...
         SEJAMOS SEMPRE REFLEXO DA GRAÇA DIVINA. OBRIGADA!
                           BOM DIA E QUE DEUS ABENÇOE A TODOS
Velucy
Enviado por Velucy em 10/10/2019
Código do texto: T6765688
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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