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QUEBRANDO BARREIRAS - INQUIETO - PARTE 2

                                    XIV - INQUIETO

                 Everybody is restless, everybody is scared
     (E todo mundo está inquieto, todo mundo está assustado.)
         
            Everybody is looking for something that just ain’t there
   (Todo mundo está procurando por algo que simplesmente não está lá.)
                                 
                                   Everyboby is restless!
                             (Todo mundo está inquieto!)

                                    “Restless” – do Álbum Breaking Hearts – 1984


                          Depois desse passeio à China, dois dos jogadores do clube foram negociados com outros clubes e tanta era a gratidão que tinham para com ele, que ambos quiseram devolver a ele mil e quinhentas libras que, segundo eles, era para pagar tudo que Elton lhes havia emprestado durante todo o tempo em que jogaram no clube.
   Elton não aceitou e sugeriu a eles que utilizassem o dinheiro para a construção de algum outro estádio de futebol, como ele mesmo já havia feito várias vezes pelo clube.
    A construção de uma estação ferroviária no Estádio do Watford se realizou graças às enormes contribuições em dinheiro que Elton fazia ao clube.
    Segundo ele, essa medida foi tomada com o intuito de evitar desorganizações e transtornos nas entradas e saídas dos torcedores em dias de jogos. Havia sempre muita confusão e violência no final de algumas partidas e isso não era muito bom para a reputação do time e mesmo do futebol inglês, sempre tão agressivo.
   Elton acabou com isso. Todos os torcedores do Watford tinham a comodidade de ir e voltar para o centro de Londres de trem, sem mais problemas, depois de uma boa partida. Isso propiciou que não só os torcedores, mas suas famílias, mulheres e filhos também poderiam se divertir.
   
      Na volta a Londres, logo que pisou na sede do clube, o diretor Muff Winwood, que veio recebê-lo, disse:
- Tem uma recepção nada calorosa pra você lá no escritório, Elton.
   O sorriso desapareceu do rosto de Elton.
- Quem?
- O Reid.
   Elton olhou para Graham que fez um gesto de quem dizia: “Vai lá e aguenta”.
- Ele está muito nervoso, Muff?
- Um pouquinho...
  Elton respirou fundo e disse:
- Graham, dispensa o pessoal pra mim e... bem, eu acho que já disse a eles tudo que eu sinto em relação à viagem, mas... a gente conversa mais sobre tudo na... segunda-feira. Não! Segunda não, ele falou, colocando a mão na testa. – Terça-feira, ok? Na terça.
- Tudo bem. Daqui a pouco eu estou lá com você pra segurar a fera.
   Elton sorriu. Graham afastou e ele foi o para o escritório. Quando entrou, John estava andando de um lado para o outro com as mãos nos bolsos do terno.
   Com um ar de moleque, que Elton sempre usava para quebrar a tensão de Reid, ele entrou e disse sorridente:
- Oi, baby Johnny! Pensei que você fosse pegar a gente no aeroporto. Tudo bem, querido?
   John parou e, sério, respondeu:
- Tudo ótimo e você? Como foi de viagem?
- Tudo... bem.
   Elton colocou sobre a mesa a mochila laranja que tinha a abelhinha mascote do Watford como símbolo e ficou olhando para ele, esperando a bronca.
- Fala logo, vai!
   John não parecia tão zangado e sim triste. Fitou-o por um instante e disse:
- Você cancelou o show do dia vinte e sete mesmo. Por quê?
- Show? Dia vinte e sete?... ele perguntou, disfarçando, mas sabendo do que se tratava.
- Em Paris, Elton! – o empresário falou, rispidamente.  – Você espalhou pra todo mundo que não daria show em Paris em junho!
- Eu não posso, John!
- Mas eu já havia marcado! Você nem me comunicou. Como pode uma coisa dessas?!
- Eu lamento, mas será realmente impossível.
- Não é necessário se desculpar comigo por uma coisa que não existe mais. Eu já contornei a situação com os promotores e divulgadores, eles entenderam. Só que eu marquei um show pra você no mesmo dia, na televisão, lá em Paris mesmo.
   Elton ia abrir a boca, mas diante do olhar de John, desistiu.
- Alguma objeção? - John perguntou.
   Ele balançou a cabeça, negando.
- Elton... você não está satisfeito com o meu trabalho?
- Por que isso agora? Você é meu empresário há doze anos, John. Eu nunca tive queixa... de quase nada... em relação ao seu trabalho pelo menos.
- Nem tem agora?
- Não!
- Então, por favor, não faça nada que modifique as coisas que eu planejo pra você, sem antes me dizer. Eu fico mal diante das pessoas. Eu... entendo você, geralmente. Sei que você anda meio... instável, meio sem rumo emocionalmente. Já estou acostumado com isso. Conheço cada pensamento seu e sei de cada passo que você dá. Sei como e porque você age de forma imprevisível, mas... por você mesmo, me avise antes de passar por cima da minha palavra. É um direito seu, mas não abuse dele, certo?
   Elton sentiu-se culpado. John era sempre muito cuidadoso com tudo que se referia a ele e as coisas geralmente davam muito certo porque o empresário entendia como ninguém do que fazia. O que ele pedia naquele momento fazia sentido.
- Me desculpe.
   Graham entrou na sala e percebeu as caras dos dois não muito felizes. John sorriu amarelo e o cumprimentou.
- Como vai, Taylor?
- Tudo ótimo, Johnny.
- Vocês estão bem queimados. Muito calor por lá?
- Quarenta graus à sombra, falou Graham. – Vou estranhar Londres com certeza.
- Tenho novidades pra você, Elton. O vídeo de “I’m still standing” ficou em primeiro lugar na América por sete dias, de 25 a 31 de maio.
- Poxa, que ótimo! - disse Elton com um leve sorriso.
 - Está na Cash Box do dia 14, falou ele, apontando para a revista em cima da mesa. Comprei pra você. “I guess” chegou ao 5º. também lá.
- O vídeo? – Elton perguntou, sentando-se com a revista Cash Box nas mãos.
- Não, o single que tem “The Retreat” no lado B.
- E o álbum? – ele perguntou, folheando a revista.
- Estava em 10º. no início do mês, mas eu já falei com o Bernie e ele, apesar de não ligar muito pra isso, disse que deve estar chegando ao 5º ou 4º Mas vai melhorar. Está tendo uma repercussão muito boa. Os vídeos ajudam muito. A MTV passa “I’m still standing” várias vezes por dia. Todos elogiam.
- Eu nunca vi um vídeo tão cheio de energia, falou Graham. – Você passa muito otimismo nele. Acho que isso ajuda as pessoas a verem você como gente.
- A França sempre me recebe bem, ele disse, olhando para John. – Tudo que eu faço lá, faço bem. Até as bobagens... Valeu a pena... tudo... Até seu nariz quebrado...
   Elton sorriu sem graça, lembrando-se de toda loucura que aconteceu depois da gravação do clipe de “I’m still standing”.
- Entende por que eu precisava repor o que você desfez? Você me deve essa, cara. Eu quase morri naquele dia, Elton! Você quase me matou!
   Elton balançou a cabeça concordando. Tinha quase quebrado o nariz de John com sua sandice bêbada.


                           XIV – INQUIETO - PARTE 2


             OBRIGADA, SENHOR, PELAS MINHAS INQUIETAÇÕES...
                              E PELAS MINHAS CERTEZAS!
                                            BOM DIA!
                               DEUS NOS ABENÇOE A TODOS
Velucy
Enviado por Velucy em 09/02/2020
Código do texto: T6861726
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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