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A QUARENTENA - Episódio #05 | A SALA DO HOMEM

Ela atravessou novamente o corredor. Porém dessa vez no sentido contrário. O escritório do pai era o último cômodo do corredor. A porta já estava entreaberta, parecia que já estava prevendo a pequena invasão. Ela entrou e a sala estava totalmente escura, guardando um ar sombrio e misterioso.

A primeira coisa que ela fez ao entrar foi abrir as cortinas, deixando a luz imperar dentro do cômodo. E para surpresa dela todo ar de mistério se foi. Esse mistério era na verdade, apenas uma expectativa. Na realidade, tudo era muito diferente do que imaginava. Não havia nada para se aventurar. Apenas uma estante cheia de livros chatos de medicina que mais pareciam grandes tijolos, uma escrivaninha de madeira, mas moderna, que era uma espécie de mesa para estudar, escrever, ou fuçar no computador. Um esqueleto inofensivo que devia ter sido alguém na vida. E alguns aparelhos médicos que ela nem imaginava para que servia. Nada de mais.

Uma olhada mais atenta fez surgir novos objetos. Um porta-retrato chamou a sua atenção, porque nele havia várias fotos da mesma pessoa. Cada foto era de uma época diferente, notava-se porque seu pai havia disposto as fotos em ordem crescente, de modo que a pessoa era um bebê na primeira e na última era uma adolescente já, e claramente era a mesma pessoa, porque em todas havia uma pinta evidente na bochecha. Essas fotos detiveram seu olhar até ela se reconhecer nesse porta-retrato. Era ela mesma!

E tinha uma frase escrita: "Um presente para meu amor, com muito amor e do nosso amor eterno". E em seguida uma assinatura... da mãe de Natália, datava de 5 anos atrás esse presente. E o seu pai tinha guardado esse tempo todo, colocando em um lugar de destaque em seu escritório. Por essa ela não esperava.

Seu pai sempre foi frio com ela. Nunca lhe falou um eu te amo e os abraços nunca partiram dele, sempre em um movimento frio e forçado. O coração de Natália palpitou de arrependimento, foram tantos pensamentos tortos contra seu pai, tantas palavras violentas se passaram em sua mente. O pai nunca as ouviu, isso é fato, mas ela sabe que os pensamentos contam na hora do veredito final.

Ela era uma ré confessa, e a própria juíza. Ela já se condenara. Está consumado.

Entretanto, o arrependimento passou rapidinho, porque a curiosidade sobre o local era maior que sua consciência.

[CONTINUA]
Prof Eduardo Nagai
Enviado por Prof Eduardo Nagai em 24/03/2020
Reeditado em 24/03/2020
Código do texto: T6895539
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Prof Eduardo Nagai
Maringá - Paraná - Brasil, 39 anos
20 textos (548 leituras)
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Prof Eduardo Nagai

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