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A QUARENTENA - Episódio#07 | Quem é essa tal de Laís?

"Numa dessas noites reluzentes, Laís, poderosa e bem amada, saiu de sua casa para se encontrar com seu lugar comum".

Assim estava escrito numa bola de papel amassada dentro do escritório do pai de Natália. Era um enigma para a mente dela. Quem é essa tal de Laís? A letra era do seu pai com certeza, aquele garrancho que só médicos entendem. Letra de quem escreve com pressa para não perder a ideia. "Laís, poderosa e bem amada".

Outras perguntas vieram em seguida. Porque essa frase está num papel amassado e perto do cesto de lixo? Ela olha para o cesto e encontra vários papéis no mesmo estado que esse. Todos jogados fora. Ela rapidamente, apoderada pelo sentimento de curiosidade pega vários destes papéis e vai abrindo um por um. E todos com outras frases sobre a mesma mulher: Laís. A primeira coisa que vem na mente de Natália é: "será que ele está traindo minha mãe com a Laís"?

Vem logo uma negativa na consciência da adolescente. Não pode ser. Ele não tem tempo nem de namorar a sua mãe. Ela junta todos os papéis que ela pôde em cima da escrivaninha. Abre-os todos e tenta raciocinar o sentido de todos as frases

"Laís estava se maquiando em seu quarto pronta para atacar...".

"Não havia limites para Laís, quando ela queria, ela conquistava".

"Se alguém pudesse transformar o mundo com todo o seu ser, essa pessoa é Lais".

"Laís tinha um metro e sessenta de altura, mas seu coração era do tamanho do mundo".

"Olhos brilhantes, cabelos pintados de um forte vermelho. Personalidade calma e serena. Assim era Laís".

Entre tantas outras charadas. Tantas outras informações de Laís, uma mulher, aparentemente, brilhante, segundo a ótica do autor destas frases, que aparentemente era o seu pai. As únicas coisas comuns nesses papéis escritos todos eram o nome de Laís e o fato de todos os papéis terem o mesmo destino: o lixo. Todos foram descartados pelo autor.

Talvez fosse uma tentativa desesperada de um início de um projeto. Talvez seu pai estivesse criando alguma história. Talvez, ele já tenha alguma história. E foi aos poucos descartando os erros, ou ideias que no pensamento eram bons, mas quando colocados no papel ficaram ruins. Era a única resposta ao enigma que vinha no pensamento de Natália. Não tinha outra possibilidade.

Ela pensou na hipótese dele ter algum livro iniciado. E começou logo a busca por sobreviventes, ou melhor, a busca pelas palavras que não foram descartadas. Todos os papéis descartados eram folhas de caderno. Então ela começou loucamente a procurar por cadernos do mesmo tamanho da folha. Revistou toda a estante de livros. Todas as caixas, todo o guarda-roupa que ele mantinha no escritório, mas nesse guarda-roupa só tinham aventais de médico, paletó, gravatas, vestuário de hospital.

Nada de encontrar o famigerado caderno. Entretanto, depois de tanto esforço e força de vontade, eis que vem a recompensa. Escondido, aliás, bem escondido, atrás de um quadro, que tem um espaço oco do tamanho exato, ela encontra um caderno com as mesmas dimensões dos papeis. Porém a expressão que está escrita na capa dura do caderno a deixa confusa e curiosa. Os sentimentos preferidos de Natália.

Está escrito na capa, com uma letra bem grande e legível: "top secret". Ela abriu o caderno sem saber o que ia encontrar...

[CONTINUA]
Prof Eduardo Nagai
Enviado por Prof Eduardo Nagai em 26/03/2020
Reeditado em 28/03/2020
Código do texto: T6897381
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Prof Eduardo Nagai
Maringá - Paraná - Brasil, 39 anos
20 textos (548 leituras)
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Prof Eduardo Nagai

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