QUEBRANDO BARREIRAS - GELO NO FOGO - PARTE 11

XVIII - GELO NO FOGO (ICE ON FIRE)

“You can’t shoot down the moon, some things never change…

...You can build a bridge between us, but the empty space remains.”

“Shoot down the moon” – do Álbum “Ice on Fire” de 1985

Elton afirmou, balançando a cabeça. Bernie apoiou a cabeça na mão.

- Estou com você no que você fizer, mesmo que seja pra contar numa letra de novo: “Era uma vez, dois inocentes compositores que entraram numa fria quando assinaram com o poderoso chefão da DJM um contrato de dez libras por semana...”. Arriscava musicar isso... de novo?

Elton riu e cantou, tocando ao piano no ritmo de “Meal Ticket”:

- “Eles querem suas matrizes e seus direitos, nada mais que isso. É isso aí! É isso aí!”

Ambos riram.

- Você conta isso na sua autobiografia? – Elton perguntou, passando a mão pelo rosto.

- Não, cara, já disse que você não entra nesse livro. Ele só fala da minha infância com a minha família até meus dezessete anos. Eu nem sonhava te conhecer ainda! Ela vai terminar no momento em que meu pai me deixou na estação de trem em Lincoln pra vir pra Londres.

- Ah... Não vai ter nada de mim?

- Nadinha, Bernie respondeu com um sorriso maroto. – Nem o prefácio.

- Ninguém vai fazer?

- Claro! Eu! Quem mais? O livro é meu, a história é minha, os pais e os irmãos são meus, caçamba!

Elton mordeu a unha do indicador, pensativo.

- Sem neurose desta vez, disse Bernie, apontando o dedo para ele. – Se der chilique de novo, eu é que processo você.

- Não... Isso nunca mais vai se repetir... Já está pronto? Vai lançar quando?

- Estou terminando... Talvez termine no ano que vem, não sei... Estou escrevendo sem pressa, conversando com o pessoal lá em casa e acertando detalhes. Meu pai não quer saber de dar entrevista por causa disso. Não quer nem o nome dele no livro. Só a palavra “pai” já o assusta. E me deserda se alguém aparecer em casa pra importuná-lo por causa disso. Minha mãe não se importa muito, até incentivou, como sempre. Ela ama tudo que eu faço. Mas como eu não vou colocar o dele, também não vou colocar o dela nem os dos meus irmãos que só pediram cautela quando eu for contar as aventuras do trio ABC de Sleaford, Market Rasen. Vou até trocar o nome da cidade para Market Slaten pra evitar assédios futuros.

- Trio ABC? – Elton perguntou. – Ah, não precisa dizer. Deixa eu adivinhar: Antony, Bernard e Christopher "Kit" Taupin.

- Isso mesmo. Se bem que não vou quase falar deles. A gente nem conviveu muito... infelizmente, apesar de sermos irmãos... O Tony era muito mais velho que eu e o Kit era muito mais novo. Eu era praticamente filho único...

Bernie ficou sério e suspirou, pensando naquele passado tão distante. Mas voltou do devaneio e falou:

- Quem sabe eu publique em 87...

- Como é mesmo o nome dele? Me esqueci...

- Eu não te disse.

- Não?

- “A Cradle of Halos”.

- “Um Berço de Auréolas”... falou Elton, pensativo. – Bonito... Nessas horas é que eu reconheço sua união com sua família. E como você pertence a ela...

- Pensei que você fosse dizer que “de santo você não tenho nada, como pode dar esse nome ao livro?”

- Cada um se julga como acha que deve. Seu lado humano tomou um rumo diferente do deles e pode não ser muito... santo, principalmente depois que se americanizou, mas... você entrou na minha vida como um verdadeiro anjo de salvação. Pelo menos era quando eu o vi pela primeira vez na James House, parado num canto do estúdio, olhando pra mim com aqueles olhos verdes enormes e assustados, num jeans batido, uma camisa xadrez, um brinco de cigano na orelha direita e... poucos dezessete anos...

Bernie riu, corando levemente e passou a mão pelo rosto.

- Nem naquele dia eu tinha muito de santo. Só Deus sabe...

- Pra mim era. Depois é que eu fui aprendendo mais sobre você, mas naquele dia... era a pessoa mais importante do mundo pra mim. Você deve ter mesmo nascido num berço de auréolas que continua lá em Lincolnshire com a Daphne, "monsieur" Robert e seus dois irmãos.

- Por isso eu quero escrever o livro, para eternizar isso pra mim e pra todo mundo. Eu amo demais minha família e todo mundo que eu deixei lá... Meus amigos... Foram todos, Eddie... Rick... Steve... Danny... cada um a seu modo, muito importantes pra mim.

Elton respirou fundo e esticou a mão para tocar a dele sobre o piano. Apertou a mão de Bernie e Bernie também apertou a dele; os dois sorriram.

- E eu te amo, maninho postiço...

- Também te amo...

Os dois ficaram se olhando, até que Bernie perguntou cínico:

- Essa é a deixa pra gente se beijar ou podemos pular essa parte? Não vim preparado pra isso.

Elton riu e voltou à posição anterior, dedilhando algumas notas ao piano, sem graça.

XVIII – “GELO NO FOGO” – PARTE 11

É OUTONO AINDA, MAS ELE VAI SER AMENO...

SAÚDE, RESPEITO E PAZ AO MUNDO!

OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!

DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

BOM DIA!

Velucy
Enviado por Velucy em 13/05/2020
Código do texto: T6945725
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