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LEO - A VERDADE - CAPÍTULO 11

                          CAPÍTULO XI – A VERDADE

                          Cristina chegou em casa chorando. Gilda não estava mais e o jeito foi tentar acalmar-se sozinha, mas, cada vez que o rosto de Leo vinha à sua mente, as lágrimas brotavam em seus olhos e o desespero batia forte e dolorido.
   Bruno chegou pouco tempo depois e chamou por ela ao entrar em casa.
- Tina! Cheguei, Crica!
   Ele jogou os livros de qualquer jeito no sofá e foi até o quarto da irmã. A porta estava aberta e ele a viu enxugando o rosto, sentada na cama. Estranhou.
- Ei, gatinha! – ele disse, sentando-se ao lado dela e abraçando a irmã. – O que foi? Você está jururu de novo?
   Ela abraçou o irmão e chorou mais ainda, sentindo que podia aliviar aquele peso que sentia no ombro do irmão. Como ela não falava nada, Bruno não soube o que fazer.
- Cris, conta pra mim, mana, o que foi dessa vez? Você me assusta, garota.
  Ele a afastou dele um pouco e tirou seus cabelos do rosto, obrigando-a a encará-lo.
- Cris, isso já está ficando grave, minha irmã. Conta logo, vai. Eu não posso te ajudar, se...
- Acho que eu estou ficando maluca, Bu. Vejo coisas que ninguém vê.
- Vê coisas que ninguém vê? Que história é essa, menina?
- É sério! Eu vi por três vezes uma pessoa que a mamãe diz que está morta! Vi, toquei e falei com ele!
- Ah, o cara do casarão.
- É...
- Tem alguém querendo se divertir às suas custas, Cristina.
- Não é! Eu levei a mamãe até lá, hoje, pra ver o quarto onde eu o vejo sempre e ela não viu nada também... como você também não viu... mas quando ela foi embora... eu voltei ao quarto... e ele estava lá, como eu sempre vejo. Eu desmaiei... e quando acordei, discuti com ele, querendo que ele dissesse a verdade. Ele ficou zangado e me mandou embora, já que eu não acreditava nele...
   Cris começou a chorar de novo.
- Isso é mega estranho, irmãzinha. Afinal, quem esse cara diz que é?
- Leo Torres... um ex-namorado da mamãe.
- Ex-namorado da mamãe... Um cara de mais de quarenta anos está deixando você maluca, maninha? Que é isso?
- Ele não tem mais de quarenta anos... Tem a sua idade ou um pouco mais...
   Bruno franziu a testa e sorriu.
- Cris!
- Eu sei que você também não vai acreditar em mim, mas eu não sei mais com quem falar...
- Não, tudo bem, fala. Eu quero te ouvir.
   Ela enxugou o rosto e perguntou:
- Você viu as fotos de um rapaz lá no quarto, não viu?
- Vi.
- Aquele quadro na parede e aquelas fotos todas eram de Leo Torres, que a mamãe confirmou que foi o primeiro namorado dela, antes do papai.
- Sei, e daí?
- Ela me disse que ele morreu há dezesseis anos e que ninguém sabe direito como.
- E o seu amiguinho confirmou isso? – brincou ele.
- Bruno!
- Desculpa. Continue.
- O que você chama de meu amiguinho é o mesmo rapaz das fotos, todinho! Não pode ser um filho, muito menos um sósia vinte e tantos anos mais novo! Tudo que ele diz se encaixa com o que a mamãe me falou sobre Leo Torres. Ele tocava piano muito bem, não se dava bem com o velho Samuel, amava a mamãe e até conheceu o papai, disse até o nome dele inteiro! Disse a data do casamento deles...
   Ela parou e lembrou-se das últimas palavras que trocou com Leo. Ficou indecisa sobre contar ou não para o irmão.
   Bruno respirou fundo e perguntou:
- E o que mais?
- Bruno...
- Hum...?
- Você sabe a data de aniversário de casamento do papai e da mamãe?
- Sei, dezesseis de março.
- E o ano em que eles se casaram?
   Bruno ficou olhando para ela e estranhou a pergunta. Na verdade, ele nunca tinha ligado pra isso.
- Não sei... Deve ter sido um ano antes de eu nascer... Não sei... Por quê?
   Cristina respirou fundo, levantou-se e foi apoiar-se na penteadeira.
- Você sabe que eu te adoro, não sabe, Bu?
   Bruno sorriu e brincou:
- É, já ouvi boatos...
   Ela voltou-se para ele.
- Sabe que eu nunca magoaria você por vontade, não sabe?
- Cristina, desembucha logo, baby! Estou ficando agoniado. Aonde você quer chegar? Que é que tem o casamento da mamãe com esse cara?
- Ele disse que a mamãe se casou em sessenta e... seis. No mesmo ano em que você nasceu...
   Bruno pensou um pouco e exalou um leve suspiro, mas seu rosto ainda estava tranquilo.
- Isso... Isso quer dizer que a mamãe se casou... grávida.
   Ela balançou a cabeça confirmando.
- Ele pode estar mentindo, Cris.
- E se não estiver? E se a mamãe confirmar?
   Bruno ficou pensativo, respirou fundo e disse:
- Até aí, tudo bem, e daí? Eles se casaram, eu nasci... Que mal há nisso?
- Fica tão difícil falar...
- Falar o que, Cris? Santo Deus, você está mais confusa do que eu pensava!
- Ele disse que... que você não é filho do papai!
   Bruno ficou sério. Cristina voltou a sentar-se junto dele.
- Fiz mal em te contar, não fiz? Eu não tinha com quem falar, Bu...
- Você acredita nisso? - ele perguntou com a garganta embargada.
- Não sei... Só a mamãe pode negar ou confirmar isso. Pra mim, tanto faz, mas eu preciso descobrir quem é esse rapaz que fala comigo todas as vezes que eu entro naquele quarto. Por que tudo se modifica quando eu estou dentro dele? E mais ainda... Por que tudo fica diferente quando eu estou perto... do Leo Torres?
- Vamos supor que eu... não seja realmente filho do papai... Você está querendo dizer que eu sou filho... desse... Leo Torres? O primeiro namorado da mamãe?
  Cristina passou a mão pelos cabelos do irmão e encostou a cabeça em seu ombro.
- Foi isso que ele quis insinuar.
    Bruno se levantou e passou as mãos pelo rosto, tentando afastar a emoção.
 - Ah, Cris, isso está me parecendo estória de livro de Sidney Sheldon!
 - Pode até ser, mas... esse rapaz se parece muito com você.
   Bruno riu.
- Putz! Até nisso você reparou?
- Foi a primeira coisa que eu reparei nele. Você só não tem os olhos dele, porque os seus são verdes como os da mamãe, mas o sorriso, o cabelo... a expressão dos olhos, o jeito tranquilo de falar...
- Cris, você está querendo me dizer que o cara com quem você conversa lá no casarão é... o fantasma do meu pai?!
   Ela não respondeu, mas seus olhos confirmavam tudo. Bruno riu novamente.
- Vou morrer de despeito, maninha. Você está se apaixonando pelo meu pai! Já pensou que zorra que isso vai dar? Quando vocês se casarem, eu vou ter sobrinhos ou irmãos?
   Ela ficou zangada no início, mas acabou rindo também.
- Eu já não sei mais o que pensar, Bu, me ajuda!
- Sabe o que a gente tem que fazer? Colocar a dona Gilda contra a parede e pedir pra ela a confirmação dessa estória maluca.
- Perguntar pra ela?
- É o único jeito!
- E se ela disser que é verdade?
   Bruno pensou e encolheu os ombros, dizendo calmamente:
- Eu fujo de casa e... vou morar com meu pai no casarão.
   Cristina sorriu e o abraçou forte.
- Te adoro tanto, meu irmão!
- Eu passei dez anos sem meu pai, Cris. E mesmo que haja outro... Haroldo Marques me deu o nome e foi o único pai que eu conheci até os meus doze anos. Nenhum outro tem tanto valor pra mim. Mesmo o galã Leo Torres que está te pondo tonta como o Ted fez, vai mudar meu modo de pensar. Na minha cabeça eu sou filho legítimo de Haroldo Marques.
   Ela o beijou no rosto, satisfeita com a decisão do irmão.
- Você não tem raiva dele então?
- Como ter raiva de quem não se conhece?
- Estou mais aliviada.
- Que bom! – ele diz, beijando seu rosto, também.


                                    LEO – CAPÍTULO 11
                                           “A VERDADE”
                            OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                   PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                            CONTINUE NOS PROTEGENDO
                         COM SEU ESCUDO DE MISERICÓRDIA!
                                     BOM DIA E OBRIGADA!

Velucy
Enviado por Velucy em 18/06/2020
Reeditado em 19/06/2020
Código do texto: T6980617
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
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